São Sebastião do Rio de Janeiro

O Rio de Janeiro foi a segunda cidade a ser fundada no país, perdendo o pioneirismo para Salvador, a primeira capital.

Fundação da Cidade do Rio de Janeiro, por Antonio Firmino Monteiro (1855-1888)

A cidade nunca foi aldeia ou vila, sendo desde a sua fundação administrada e desenvolvida pela própria coroa portuguesa, e não por um capitão donatário. (Não sei se vocês se lembram, mas essa era a época das capitanias hereditárias. 😉).

Também fomos o primeiro dos 243 municípios brasileiros que escolheram ter como padroeiro o soldado francês que viveu no século III da Era Cristã, que foi canonizado como São Sebastião. Nascido em Narbonne, se tornou cidadão de Milão e foi um mártir e santo cristão. Inclusive incluído no nome da cidade, vocês sabiam? Sim.

O que talvez vocês ainda não saibam é que o Rio se chama Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, desde a sua fundação em 1º de março de 1565, realizada por Estácio de Sá em uma praia entre o Morro Cara de Cão e o Pão de Açúcar , onde hoje fica a Fortaleza São João na Urca.

Mapa de 1573, um dos primeiros em que a cidade, fundada em 1565, já aparece.

O Rio de Janeiro já era demarcado assim na cartografia produzida antes da fundação, pois foi encontrado pelos primeiros navegadores em janeiro de 1502. Há algumas polêmicas sobre o porquê do Rio, onde alguns afirmam que foi um erro ao identificar a Baía de Guanabara e outros que foi uma alteração na grafia de Ria (acidente geomorfológico que seria um braço de mar que adentra a costa, muito comum na região da Galícia e em Portugal). Mas sobre São Sebastião ninguém discorda, afinal o monarca português da época era o infante Dom Sebastião , logo seria uma forma de homenagear o rei. Mas até aí…mas por quê São Sebastião é nosso padroeiro??

Detalhe do baixo-relevo criado pelo escultor Humberto Cozzo (1900-1981). Está localizado, assim como tantos outros trabalhos desse grande artista nacional, na Catedral Metropolitana do Rio de Janeiro, na Avenida República do Chile, no Centro.

 

 

Bom…São Sebastião não ficou só no nome e fez questão de “dar uma forcinha” para aqueles que o homenagearam. Independente da crença de cada um, não podemos negar que nos documentos produzidos pelos jesuítas, por outros missionários e até pelos navegadores que estavam aqui nessa época, há o relato da aparição de São Sebastião na Batalha das Canoas, ocorrida em julho de 1566.

Segundo a lenda, a aparição de São Sebastião envolto a espessa nuvem de fumaça (no detalhe, abaixo) foi determinante para debelar a presença do invasor e trazer a vitória aos patrícios portugueses

A batalha foi travada na Baía de Guanabara e os franceses com o apoio de aproximadamente 180 canoas dos nativos Tamoios estavam em vantagem numérica sobre os portugueses e seus aliados Temiminós. Mas uma explosão ocorreu a partir de um barril de pólvora de uma canoa portuguesa e a história da vantagem mudou de lado: os Tamoios partiram em retirada. Estes afirmaram aos franceses, que se refugiaram nas matas depois da derrota, que viram no meio da explosão esse guerreiro pulando de canoa em canoa defendendo os portugueses, e se um espirito tão forte estava do lado dos portugueses, eles não teriam como vencer. Do lado português foi a mesma história. O líder dos Temiminós, o Arariboia, que se aliara aos portugueses para combater os seus inimigos Tamoios, também afirmou ter visto o soldado sobre as canoas.

Painel de azulejos na fachada da Igreja dos Capuchinhos, na Tijuca, onde se vê a imagem do santo padroeiro nas mãos de um colonizador português.

Ainda assim, os franceses resistiram por quase seis meses e houve a necessidade do combate final que ficou conhecido como a Batalha de Uruçumirim, ocorrida em 20 de janeiro de 1567. Dia 20 de Janeiro é dia de São Sebastião. Não seria mais uma intervenção divina? O que sabemos é que o fundador Estácio de Sá foi ferido com uma flechada no rosto nessa batalha e faleceu em 20 de fevereiro do mesmo ano. Era o fim da “França Antártica“. A partir dessa batalha, por questões de segurança, a cidade passou a ser desenvolvida no alto de um morro que inicialmente se chamou do Descanso, mas depois passou a se chamar

Castelo, infelizmente totalmente desmanchado no governo do prefeito Carlos Sampaio em 1921. A ladeira da Misericórdia é seu ultimo fragmento existente.

Faça abaixo um comentário sobre este artigo. PARTICIPE!

Comentários (utilize sua conta no Facebook):

Powered by Facebook Comments

Author

priscilamonteiro
Carioca, empreendedora, professora de História e guia de turismo, fui criadora da primeira empresa de Turismo Histórico da cidade do Rio de Janeiro com o intuito de dar aulas a céu aberto. Formada em História pela Universidade Cândido Mendes em 2007, segui um caminho sem volta em apresentar essa cidade que é um verdadeiro museu a céu aberto, onde capítulos dos livros sobre a história do Brasil saltam aos olhos. Da colônia, passando pelo Império e chegando a República, encontramos fragmentos da história de todos os brasileiros Acompanhe os textos desse blog e descubra um outro Rio, um outro Brasil que muitas vezes não nos são apresentados em sala de aula.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *