
Giane Martins. Foto: Divulgação
Gestora cultural, musicista com habilitação em oboé pela Universidade de São Paulo (USP) e pós-graduada pela Escola Superior de Música e Artes Dramáticas de Stuttgart, na Alemanha, Giane Martins é a idealizadora do bem-sucedido Ciclovia Musical. Produtora e diretora geral do projeto, ela conduz a 15ª edição, que acontece em 30 de agosto, no Ipiranga, em São Paulo. Em 2025, ela recebeu o Prêmio Governador do Estado para as Artes, na categoria Música, pela Caminhada Musical para a Terceira Idade, vertente do projeto dedicada ao público idoso.

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Criado em 2013, o Ciclovia Musical tornou-se pioneiro ao unir música clássica, bicicleta e mobilidade urbana, levando concertos gratuitos a espaços históricos e culturais. O projeto já passou por São Paulo, Jundiaí, Salvador, Porto Alegre e Rio de Janeiro e ganhou projeção internacional: o documentário Ciclovia Musical, de Denise Silveira, recebeu Menção Honrosa no MobiFilm 2018, e a iniciativa participou da Velo-city 2022, conferência internacional de mobilidade por bicicleta, em Liubliana, na Eslovênia.
Nesta edição, dois roteiros ciclísticos percorrem o Ipiranga, em São Paulo, com cinco paradas musicais em locais como o Museu de Zoologia, a PUC Ipiranga e a Casa de Cultura Chico Science. Com ações de acessibilidade, educação e sustentabilidade, o evento amplia o acesso à música de concerto e propõe uma nova relação com a cidade.
Nesta entrevista ao portal ArteCult, Giane fala sobre a origem do projeto, comenta sua proposta e revela os planos de levar o projeto para Belo Horizonte, Salvador e Brasília, além de ampliar suas iniciativas de inclusão e sustentabilidade.

1) Como surgiu a ideia de unir bicicleta e música clássica? O que inspirou a criação desse formato tão original?
A Ciclovia Musical nasceu em 2013, a partir de uma inquietação que eu tinha como musicista e produtora cultural: como aproximar a música clássica de pessoas que não costumavam frequentar salas de concerto, sem abrir mão da qualidade artística? Ao mesmo tempo, eu já tinha um interesse por bicicleta, mobilidade urbana e sustentabilidade. Comecei então a pensar em como essas duas paixões poderiam se encontrar. E surgiu a pergunta: por que não usar a força da música para incentivar as pessoas a andar de bicicleta pela cidade e, ao mesmo tempo, usar a liberdade e o prazer proporcionados pela bicicleta para convidá-las a ouvir música? Foi assim que nasceu a Ciclovia Musical! A primeira edição aconteceu em agosto de 2013, na Barra Funda, em São Paulo.

Giane Martins. Foto: Divulgação
2) Qual é a proposta desta edição do Ciclovia Musical no Ipiranga? O que vocês querem proporcionar ao público neste encontro entre música, bicicleta e cidade?
Nesta 15ª edição, queremos convidar as pessoas a redescobrirem o Ipiranga por meio de uma experiência que reúne música, patrimônio, mobilidade e convivência. Serão dois roteiros ciclísticos, com concertos gratuitos em importantes espaços históricos, culturais e acadêmicos do bairro. A ideia é que cada parada revele uma nova paisagem, uma nova história e uma nova experiência musical. Também queremos reforçar que a cidade pode ser vivida de outras maneiras, com mais tempo para observar, escutar, descobrir e se relacionar com os lugares e com as pessoas.
3) O Ciclovia Musical transforma a cidade em palco. O que essa experiência revela sobre a relação das pessoas com os espaços onde vivem?
Acredito que, muitas vezes, passamos diariamente por lugares sem realmente percebê-los. Quando chegamos a esses espaços de bicicleta e paramos para ouvir música, nossa relação com eles muda. A arquitetura, a história, os sons e as pessoas passam a fazer parte de uma mesma experiência. A Ciclovia Musical procura justamente criar essa oportunidade de olhar novamente para a cidade e perceber aquilo que muitas vezes está diante dos nossos olhos, mas passa despercebido. É uma forma de fortalecer o sentimento de pertencimento e de mostrar que cultura também pode ser uma maneira de ocupar e transformar os espaços urbanos.

Giane Martins. Foto: Divulgação
4) Que impacto o projeto tem na aproximação de novos públicos com a música clássica? O que muda quando ela sai das salas de concerto e ocupa a cidade?
Quando a música sai da sala de concerto, ela encontra pessoas que talvez nunca tivessem decidido comprar um ingresso ou entrar naquele espaço. Na Ciclovia Musical, o público chega pela bicicleta, pelo bairro, pela curiosidade ou simplesmente pelo convite de um amigo, e encontra a música no caminho. Isso quebra algumas barreiras que ainda existem em torno da música clássica e mostra que ela pode fazer parte da vida cotidiana. Não queremos simplificar a música para conquistar novos públicos, queremos ampliar as possibilidades de encontro entre as pessoas e a música.

Giane Martins. Foto: Divulgação
5) Quais são os próximos planos para o Ciclovia Musical? Há novos territórios ou formatos que vocês gostariam de explorar?
A Ciclovia Musical continua crescendo e queremos levar o projeto para novos territórios, sempre respeitando a identidade e as características de cada cidade e de cada bairro. Temos um projeto aprovado pela Lei Rouanet que prevê edições em São Paulo, Belo Horizonte, Salvador e Brasília, e estamos trabalhando para viabilizar essa expansão. Também queremos continuar aprofundando as ações de acessibilidade, educação e sustentabilidade, porque acreditamos que a Ciclovia Musical pode ser muito mais do que um evento: pode ser uma plataforma para experimentar novas formas de relação entre cultura, mobilidade e cidade.
CONFIRA IMAGENS DAS EDIÇÕES ANTERIORES DA CICLOVIA MUSICAL:
CONFIRA IMAGENS DOS GRUPOS MUSICAIS:
- Soneto Proêmio (Foto: Divulgação)
- Quinteto Novos Ventos (Foto: Divulgação)
- Groove Guys (Foto: Divulgação)
- Groove Guys (Foto: Divulgação)
- Quintal de Fulô (Foto: Beta Lobo)
- Magnifica Orchestra (Foto: Renato Soares)
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