
Cena de “O Convite”. Foto: Divulgação
No filme O CONVITE, a diretora Olivia Wilde aborda o casamento em crise de Joe e Angela, tendo como tema principal a falta de intimidade sexual do casal há um ano. O cenário do filme é o seu apartamento e todo o filme se passa em uma única noite. O casal Joe e Angela convida seus vizinhos para um jantar pois eles parecem ter uma vida sexual muito ativa, evidenciada pelos sons/barulhos que Joe e Angela escutam diariamente. A interação dos dois casais é muito intensa durante o jantar, os diálogos misturam comédia e tensão, e o apartamento funciona como um setting terapêutico, onde os personagens permanecem em contato, dialogam, e aos poucos, diminuem as defesas psicológicas e o conflito latente começa a emergir.
Angela organiza o jantar com perfeccionismo. Joe sofre com problemas de coluna e sente-se um fracasso como músico, se recusando a tocar seu piano em casa há bastante tempo. A coluna de Joe trava constantemente, funcionando como metáfora corporal do bloqueio emocional. Psicologicamente, o casal Joe e Angela ilustra um padrão comum em relacionamentos de longa duração: a substituição da intimidade genuína por rotinas de manutenção do cotidiano, e a projeção mútua de frustrações individuais no parceiro, sendo o cônjuge o “bode expiatório” para não encarar as próprias limitações e escolhas não realizadas.
Os vizinhos Piña (Penelope Cruz) e Hawk (Edward Norton) funcionam como modelos idealizados de comparação e projeção. Sua vida sexual audível, seu relacionamento aberto e sua aparente liberdade emocional operam como um estímulo que expõe, por contraste, os desejos reprimidos de Joe e Angela. Piña é terapeuta/sexóloga, facilitando o processo, nomeando o que os protagonistas ainda não conseguem nomear.
Ao final o casal evita tanto o conflito explosivo quanto a reconciliação artificial. Joe e Angela não brigam, apenas organizam a logística prática (quem dorme onde) enquanto o fim do casamento já foi decidido silenciosamente por ambos. Joe voltar a tocar piano, e Angela se junta a ele sem confronto, sugerindo um reencontro consigo mesmos, individualmente, através do luto silencioso da relação.
O filme está em cartaz no Brasil, no circuito Cinemark de cinemas.

Psicóloga Regina Murray Loureiro


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