De novo escrevo a você (uma crônica ao seu aniversário, Fábio)

Coluna de Márcio Calixto

Passou-se um ano desde que escrevi aquela crônica que muito moveu essa coluna. De alguns mais próximos, escutei que eu nunca fizera isso para ela, e tal, e tal e coisa. Passou-se um ano e voltamos ao seu aniversário. Percebi agora há pouco, ao olhar o calendário, que era data de seu aniversário. Meu irmão do meio está se tornando mais velho de novo. Se você envelhece, eu também envelheço. Aquela crônica é um bebê de um ano. Penso, o que devo escrever?

Devo me ater a repetir as palavras? Relembro um fato que nos ocorreu logo depois de uma sessão no meu terreiro espiritualista em Janeiro desse ano, em que eu te vi constantemente. Não costumo ver meus irmãos quando estou sob o efeito da Santa Medicina, costumo ver meus filhos, meus pais, meus problemas, meus demônios. Por vezes eu danço. Sinto a presença de Iemanjá, Oxóssi, Ogum, por vezes sou uma árvore que desce tanto à terra, que se enfia, que mata márcios que devem ser mortos. Dessa vez, lá estava você, rindo, parecia feliz, completo. Nessa mesma sessão eu vi Menina, que também ria, muito ao fim do túnel. Lá bem no fim. Ela também estava feliz. Pedia para voltar. Era como se me pedisse a bênção para poder voltar.

Eu disse sim.

Nesse evento em que você ria, eu também disse sim. Parecia que eu deveria aprovar tanta coisa, eu apenas fui dando minha bênção, e eu fui dando sim. Não sei se lembra que eu te liguei. Fiquei preocupado depois se era bom horário para que eu ligasse, mas eu liguei assim mesmo. Eu precisava dizer o que tinha a dizer. Aqui está o que se precisa escrever. Mais uma vez, ao seu aniversário, agora há mais uma crônica. Ao reler o que escrevi, percebo que há persistência no processo de definição. Nesse caso, aqui, eu não irei reescrever aquelas mesmas definições, penso só que devo reapresentá-lo a si mesmo, ao afirmar e reafirmar minha admiração. Não se contenha. Expulse-se em felicidade. O que sente afirmei em Janeiro e ainda está, eu juro.

Te amo

Feliz aniversário

M.

 

MÁRCIO CALIXTO
Professor e Escritor

Márcio Calixto | Foto: Divulgação

 

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Author

Professor e escritor. Lançou em 2013 seu primeiro romance, A Árvore que Chora Milagres, pela editora Multifoco. Participou do grupo literário Bagatelas, responsável por uma revolução na internet na primeira década do século XXI, e das oficinas literárias de Antônio Torres na UERJ, com quem aprendeu a arte de “rabiscar papel”. Criou junto com amigos da faculdade o Trema Literatura. Tem como prática cotidiana escrever uma página e ler dez. Pai de 3 filhos, convicto carioca suburbano bibliófilo residente em Jacarepaguá. Um subúrbio de samba, blues e Heavy Metal. Foi primeiro do desenho e agora é das palavras, com as quais gosta de pintar histórias.

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