Exposição “Paul Klee – Equilíbrio Instável” no CCBB é a maior retrospectiva do artista suíço na América Latina

Aberta ao público no mês passado no CCBB de São Paulo, a exposição Paul Klee – Equilíbrio Instável permite aos paulistanos uma perspectiva bem ampla do artista suíço morto em 1940. Com 123 obras trazidas do Centro Paul Klee de Berna, Suíça, a mostra traça a trajetória de Klee ao longo de vários movimentos artísticos – expressionismo, cubismo, surrealismo – do séc. XX. Trata-se da maior mostra do artista na América Latina.

Ao visitante é proposto um percurso cronológico (iniciando-se no 4º. andar) que segue Klee desde a infância, com seus primeiros desenhos até os derradeiros trabalhos, quando já estava acometido pela esclerodermia (doença degenerativa e crônica). Neste caminho, pode-se ver os trabalhos representativos de cada escola artística nas quais ele capturou as técnicas, acompanhando sua intenção de, através desta apreensão, desenvolver um estilo próprio e independente de qualquer regra ou maneirismo. Aliás, esse é a conclusão que se chega ao visitar a exposição: a não necessidade de encaixe de Klee nos movimentos artísticos do séc. passado. Nos últimos trabalhos, vê-se um artista amadurecido em sua produção e ciente de sua qualidade peculiar, inerente a sua forma de fazer arte.

Desenhos, pinturas, fantoches, estudos, vários são os suportes usados pelo suíço e por lá expostos para expressar sua veia artística. Estes trabalhos foram sistematicamente catalogados por ele durante a sua vida. Só o Centro (museu do artista na Suíca) possui 4000 obras. Curiosamente, alguma delas já foram mostradas em São Paulo, na Bienal de Arte em 1953.

Paul Klee foi professor da famosa Escola de Bauhaus, instituição alemã que revolucionou as artes no início do séc. XX e fechada pelos nazistas, nos anos 30, por disseminar “degeneração” artística.

A mostra se divide em 8 segmentos: infância, estudos de desenho e anatomia em Munique, retratos de família, a autodescoberta, o abstracionismo, o teatro, a Escola de Bauhaus, e por último, o retorno a Berna, na Suíça. Está distribuída nos 4 andares do Centro Cultural e tem textos explicativos em português e inglês, assim como nas etiquetas e nos folhetos sobre a mostra. Tem espaço educativo para crianças. Exibe também um vídeo a respeito do trabalho e da vida do artista no mezanino. No dia da visita havia filas, especialmente no 4º. andar, onde estão os desenhos (obras mais frágeis) e requer controle mais rígido de entrada e saída de visitantes. Portanto, pode haver demora.

Está aberta ao público até 29.04. Depois segue para o CCBB do Rio de Janeiro (de 15.05 a 12.08) e o CCBB de Belo Horizonte (28.08 a 18.11).

 

ANDRÉA ASSIS

 

SERVIÇO

Exposição PAUL KLEE – EQUILÍBRIO INSTÁVEL

  • Onde: CCBB/SP – R. Álvares Penteado, 112, Centro, S.Paulo, SP – tel. 3113-3651.(metrô – estação S. Bento, linha 1 azul)
  • Quando: Até 29/4 – 4ª. a 2ª. – das 9:00 às 21:00 (fecha 3ª).
  • .Quanto: gratuito (pode-se agendar, no site do Eventim, o dia e horário para a visitação)

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Andréa Assis
Carioca, mas paulistana da gema radicada há mais de 20 anos na capital. Formada em Relações Internacionais, tem mestrado em Administração de Empresas em Lyon, na França. Orgulhosa da cidade onde vive, adora mostrá-la aos visitantes, sejam eles brasileiros ou não. Procura sempre descobrir lugares novos e diferentes, por isso sempre se mantém atualizada sobre o que acontece nestas bandas. Para isso, vai sempre às exposições que pipocam aqui e acolá e é sobre elas que pretende lançar seu olhar crítico que não se restringe só às obras, aos trabalhos expostos, mas também ao ambiente: como estão organizadas, se existem informações para os visitantes, enfim, se vale a pena o leitor investir o seu tempo para ir vê-las. Eventualmente, faz críticas de filmes, mas prefere deixá-las aos mais habilitados. Mas não deixa de acompanhar os lançamentos. Humildemente, pede ao leitor paciência para com o que ele lê aqui no espaço, pois a escritura e análise pedem apuro ao longo do tempo.

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