Renasce uma Estrela

 

Recebemos nossa pipoca. Bem logo quando estacionamos. “A vaga do senhor é ali”, indicou-nos um jovem bem paramentado, lanterna, máscara, tudo nos novos conformes. Sem precisar sair do carro, já estávamos posicionados para diversão. “SFM 91,9, senhor, e bom filme”. Há meses sem ir ao cinema, estávamos eu e minha esposa em um Drive-In.

Volta no tempo. Se o último Drive-in em que estive foi no início dos anos 1990, lá nos idos do Século XX, agora, às portas do real Século XXI (é o que dizem os historiadores atuais, “A Covid trouxe o século XXI ao século XXI”), estive em um Drive-In para assistir a um filme que já tem dois anos de idade: Nasce Uma Estrela. Outra volta no tempo, Bradley Cooper e Lady Gaga estavam em total sintonia, inclusive no meu rádio.

Aí que começa o universo de vantagens do Drive-in: pudemos cantar, dançar, torcer, conversar, sentir, discutir o filme naquele telão magnífico ao som tão íntimo de meu carro. Se os protocolos da educação no cinema nos dão meras liberdades ao riso ou ao choro, pedir silêncio quando há um deselegante balbuciando crítica fora de hora, no meu carro havia as nossas regras. Aumentava e diminuía o som conforme necessidades. Luzes do celular de um ou outro não me incomodavam. Nem muito menos a paixão desmedida do casais que esquecem que cinema é para assistir filme. Que coisa maravilhosa é Drive-In.

Juro: até pensei em estudar o tema antes de escrever. O que será que pensavam os críticos ao Drive In? Recuei: Drive-In no Século XXI no Brasil só pudemos agora sentir, mediante o novo normal. E ainda por cima assistindo um clássico contemporâneo. Algumas salas já até expunham filmes clássicos no passado recente; assisti Blade Runner num shopping na Barra há não mais do que quatro anos. Mas era cinema, lugar marcado, sentimentos contidos pelo silêncio e conjecturas sociais e blá blá blá. Não era um Drive-In.

É preciso, ainda fazer um parêntese, que organização, presteza e qualidade. A escolha do espaço no Shopping Uptown Barra somado à inquestionável expertise do CineSystem transformaram a experiência em algo memorável. O som casado perfeitamente com o filme demonstrava que tudo havia sido pensado nos mínimos detalhes. Pra cinéfilos como eu, tudo precisa estar milimetricamente ajustado. O que vi foi perfeição. Em meu coração renasce a estrela do Drive-in.

A experiência primeiro valeu pelo filme: Nasce Uma Estrela é uma elegia ao amor de encontro, de talento com talento, algo que valida o eterno sonho de Almas Gêmeas. Depois pelo espaço: a escolha pelo Uptown Barra se mostra acertada, fácil de chegar e com comodidades a mão. Soma-se ao inquestionável CineSystem, que mostrou de novo ao que veio.

Se este modelo for o novo normal, para os cinéfilos céticos, podem dar o braço a torcer, e torçam, torçam muito para que sempre tenhamos a chance ao Drive-In. Experiência fabulosa que nunca deveria ter deixado de existir.

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MÁRCIO CALIXTO

 

 

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Márcio Calixto
Professor e escritor. Lançou em 2013 seu primeiro romance, A Árvore que Chora Milagres, pela editora Multifoco. Participou do grupo literário Bagatelas, responsável por uma revolução na internet na primeira década do século XXI, e das oficinas literárias de Antônio Torres na UERJ, com quem aprendeu a arte de “rabiscar papel”. Criou junto com amigos da faculdade o Trema Literatura e atualmente comanda o blog Pictorescos. Tem como prática cotidiana escrever uma página e ler dez. Pai de dois filhos, convicto morador do Rio de Janeiro, do bairro de Engenho de Dentro. Um típico suburbano. Mas em seu subúrbio encontrou o Rock e o Heavy Metal. Foi primeiro do desenho e agora é das palavras, com as quais gosta de pintar histórias.

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