O JUÍZO: Um terror sobrenatural cheio de surpresas

O Juízo. Foto: Suzanna Tierie.

Cada vez mais o gênero do terror ganha mais espaço no cinema nacional, e mesmo ainda tendo muito preconceito com o esse tipo de filme dentro do nosso cinema, não podemos negar que muitas dessas obras são bem feitas e elaboradas.  “O Juízo” não é diferente, um filme com um clima mais sobrenatural que mistura um pouco elementos do espiritismo com bastante equilíbrio.

O diretor Andrucha Waddington (“Casa de Areia”) é bom em transmitir pro público a sensação de desconforto e tédio que alguns personagens sentem em determinadas situações familiares, ao mostrar que alguns deles não queriam estar nesse determinado lugar no meio do nada. E muito do cenário e dos personagens lembra bastante “O Iluminado” de Stanley Kubrick, como um casarão distante de tudo, um protagonista que aos pouco se entrega à loucura, que vê pessoas que já morreram… Mesmo com todas essas referências ao clássico de 1980, o diretor consegue dar ao filme uma identidade própria que foge completamente de ser uma copia descarada, dando ao protagonista um propósito e motivação diferente.

O Juízo. Foto: Divulgação.

A fotografia utiliza uma palheta de cores frias e escuras e em locações internas acaba deixando o cenário difícil de ver, principalmente nas cenas à noite, já que é utilizado bastante luz natural, e mesmo à luz de velas, a imagem é bem mal iluminada. Para causar desorientação dos personagens, o diretor usa planos fechados e desfocados no rosto dos mesmos, o que funciona, mas o diretor acaba abusando desse recurso, o utilizando em momentos que não condiz com o acontecimento ou com a sensação que o personagem sente em cena.

O roteiro escrito pela Fernanda Torres demora para estabelecer o ritmo do filme no primeiro ato, não deixando claro a verdadeira proposta da narrativa, assim, cria vários caminhos pra onde o filme pode seguir, mas quando finalmente a história segue um único rumo, o roteiro consegue construir uma historia objetiva em cima do tema escolhido, apresentando elementos e objetos que começam a provocar uma série de acontecimentos sobrenaturais, devido ao interesse do protagonista, que cada vez mais vai se tornando mais obsessivo, se entregando à sua ganância.

Há alguns plot twists introduzidos durante o terceiro ato que são muito bem colocados dentro da historia, o que provoca surpresa no espectador.

O Juízo. Foto: Suzanna Tierie.

Felipe Camargo interpreta bem seu personagem, ele é funcional com a proposta que o roteiro e a direção propõem para ele, sabendo dosar bem o temperamento do personagem, o  que ajuda na construção de sua obsessão.

Carol Castro tem pouca participação na primeira metade do filme, mas depois quando ganha mais destaque, com mais presença e importância para a historia, surpreende com sua atuação. Depois do conflito estabelecido, demonstra toda a preocupação e medo do marido sobre as decisões que ele esta tomando e que podem afetar sua família, o que a faz questionar o real motivo pelo qual eles mudaram para o casarão.

Lima Duarte faz uma pequena participação, mesmo estando bem nestas poucas aparições, mas que ajuda a contribuir com a jornada do protagonista, além de nos fazer desconfiar dele, já que também não fica claro se ele esta na historia para ajudá-lo ou não, diferente da personagem de Fernanda Montenegro, que contribui mais para o clima de espiritismo do filme, e mesmo sendo uma aliada, sua personagem nos causa um pouco de medo devido a sua mediunidade e o modo como ela reage a uma experiência sobrenatural, o que também e mérito desta atriz que trabalha bastante seu olhar nesses momentos.

O Juízo. Foto: Divulgação.

“O Juízo” tem um ritmo apressado no início do terceiro ato e mesmo não sendo uma história com um enredo totalmente original, o diretor consegue dar uma identidade própria para o filme, surpreendendo-nos até a última cena.

 

BRUNO MARTUCI

 

 

 

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BRUNO MARTUCI
Colaborador de CINEMA & SÉRIES dos sites ARTECULT.com, The Geeks, Bagulhos Sinistros, entre outros.

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