“Marc Ferrez: Território e Imagem” : Exposição nos faz viajar no tempo e entender a importância do registro fotográfico

Aberta na semana passada, a exposição Marc Ferrez: Território e Imagem” está em cartaz no Instituto Moreira Salles na capital paulista até 21.07. A bela exposição mostra não só as fotos de Ferrez, mas, também, traça uma panorâmica da fotografia do final do séc. XIX e início do XX.

Mark Ferrez.

Do acervo de 15 mil fotos, estão expostas 300 imagens, além de equipamentos que, à época, representavam o que havia de mais moderno em registro de imagem. O visitante vai poder ver as lanternas mágicas – uma versão do carrossel de slides dos primórdios tempos – as máquinas de estereocopias – as primitivos fotos 3D – e outros exemplos da evolução tecnológica fotográfica, como os daguerreotipo, os fotocromos e a gelatina de prata.

Todo esse maquinário é magistralmente exibido entre as centenas de fotos dispostas não somente em molduras, mas, também, mostradas em projeções de grandes dimensões, o que permite, supreendentemente, a visualização de detalhes despercebidos nos tamanhos tradicionais.

Faz parte, igualmente da mostra, a exibição de trabalhos de contemporâneos de Ferrez, como Hercules Florance, Alberto Henschel, Walter Hunnewell, Militão Augusto de Azevedo. O visitante também pode procurar outros trabalhos de Ferrez em totens que disponibilizam o acervo Gilberto Ferrez, neto do fotógrafo que cedeu a coleção ao IMS em 1998.

Um dos equipamentos usados por Ferrez em seu trabalho pelo país. Foto: AAssis.

O que é mais fascinante é ver que o fotógrafo com seu trabalho, registrou a história brasileira que passava diante de seus olhos: a evolução urbana, especialmente a capital do Império (depois República), a construção de grandes obras de engenharia, como pontes, estradas, ferrovias em vários pontos do território nacional. Na mostra é possível ver os trabalhos das expedições das quais tomou parte para estes registros. Nela são dispostos os álbuns fotográficos que, na época, ganharam caprichosa edição com capa de couro e letras douradas. Dois deles fazem parte do célebre Museu Getty de Imagens em Los Angeles, EUA.

Na galeria, também pode-se ver a incursão de Ferrez no cinema. Sim, cinema. Os irmãos franceses Lumière acabavam de inventar a fotografia em movimento. Ferrez tratou de trazer a novidade ao Rio em 1907.

Além da mostra, há eventos paralelos “Marc Ferrez, a fotografia e o Brasil em transformação do século XIX” (v. programação no site do IMS – link abaixo).

Em resumo, é uma exposição que não só trata de mostrar fotografias antigas, mas de valorizar o registro de imagens que tratam da nossa história e da evolução tecnológica e preservam a nossa memória.

Sim, vale a pena ver Ferrez no IMS.

 

SERVIÇO

Exposição fotográfica “MARC FERREZ: TERRITÓRIO E IMAGEM”

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Andréa Assis
Carioca, mas paulistana da gema radicada há mais de 20 anos na capital. Formada em Relações Internacionais, tem mestrado em Administração de Empresas em Lyon, na França. Orgulhosa da cidade onde vive, adora mostrá-la aos visitantes, sejam eles brasileiros ou não. Procura sempre descobrir lugares novos e diferentes, por isso sempre se mantém atualizada sobre o que acontece nestas bandas. Para isso, vai sempre às exposições que pipocam aqui e acolá e é sobre elas que pretende lançar seu olhar crítico que não se restringe só às obras, aos trabalhos expostos, mas também ao ambiente: como estão organizadas, se existem informações para os visitantes, enfim, se vale a pena o leitor investir o seu tempo para ir vê-las. Eventualmente, faz críticas de filmes, mas prefere deixá-las aos mais habilitados. Mas não deixa de acompanhar os lançamentos. Humildemente, pede ao leitor paciência para com o que ele lê aqui no espaço, pois a escritura e análise pedem apuro ao longo do tempo.

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