30 anos sem Chacrinha – Entrevista com a ex-chacrete Regina Polivalente, homenageia os trinta anos sem Chacrinha e revive look sensual aos 54 anos.

Regina Magalhães, a “Regina Polivalente”, como era chamada pelo Chacrinha

Conversamos com a ex-chacrete Regina Magalhães, que era conhecida como Regina Polivalente, sobre seu tempo de Chacrete e ela relembrou alguns bons momentos com José Abelardo Barbosa de Medeiros, o Chacrinha, um dos mais populares apresentadores de TV dos anos 70 e 80. Ontem, fez exatamente 30 anos que faleceu.

Regina também nos falou da sua cultura de bem-estar e alimentação balanceada, seus cuidados com seu corpo e sua alimentação, o que a levou a ser chamada de “Musa Fitness”,   quando recentemente voltou à mídia.  Regina se vestiu novamente com o figurino que usava no programa (ela participou de 1985 a 1988) para relembrar os trinta anos de morte do apresentador, a quem ela define como o ‘maior comunicador que já existiu no Brasil’. José Abelardo Barbosa, o Chacrinha, morreu em 30 de junho de 1988.  (Veja as fotos ao final da entrevista.) 

Veja a nossa entrevista:

Abelardo Barbosa, o Chacrinha

Mariane Barcelos (ArteCult): Regina, você tinha definido o Chacrinha como o maior comunicador do Brasil e dito que você tinha uma relação quase de pai e filha com ele. Eu queria saber como era para você estar nos bastidores de um programa tão importante como aquele?  Como era essa relação do Chacrinha nos bastidores do programa?

Regina Magalhães (Regina Polivalente): Esta relação de pai e filha ele tinha com todas nós, né? Nossa relação como um todo com o Chacrinha era exatamente assim, uma coisa fraternal mesmo, e ele se preocupava com a nossa roupa, com o batom. Uma vez, porque tenho os lábios finos e, quando eu sorrio, os lábios afinam ainda mais e ele falou para mim “você tem que pedir para o pessoal da maquiagem pintar sua boca igual a da Elke Maravilha!” São estas coisas que faziam a gente vê-lo como um pai. Ele se preocupava com os detalhes. Ele era muito observador, muito atento a tudo e a todos os detalhes.

Regina com o “Velho Guerreiro”, como também era conhecido o apresentador Chacrinha. Foto: Arquivo Pessoal (Instagram)

Mari Barcelos: Ele se preocupava não só com cada detalhe do programa mas com relação a vocês também, certo?
Regina: Tudo, tudo, porque fazíamos parte do todo, ele se preocupava com nosso batom, nossa roupa. Por exemplo: ele gostava quando a gente dançava com uma roupa vermelha, colorida.  Não gostava de roupa preta, gostava de cor, principalmente o vermelho. Pedia que a gente dançasse, quase sempre, com roupas bem coloridas.

Mari Barcelos: Inclusive vi a foto que você postou hoje no seu Instagram e o macacão era vermelho, azul e prata, com a luva vermelha.
Regina: Nem lembro, nem lembro porque tenho tanta foto…(risos) Mas, se você olhar nestas fotos e em outras fotos, tem muita cor nas nossas roupas, dificilmente cor preta ou cores neutras. Exceto quando era alguma coisa focada em algum tema. Por exemplo, São João, quando estávamos de caipiras, ou no Ano Novo, quando a gente dançava de azul clarinho ou prata.

Mari Barcelos: Foi o que você escolheu para o look do ensaio né?
Regina: Sim, sim, porque foi uma roupa que ganhei da Rede Record, né? Eu não tinha mais nenhuma roupa da época e quando fiz uma gravação para o Domingo Show, eles me presentearam com esta, pois eram todas da Rede Globo.

Mari Barcelos: Você comentou que ele era um visionário, pois ele já falava de processamento de dados há milênios atrás.
Regina: Sim, porque naquela época não se falava tanto em informática, Internet, nada disto. Falava-se “processamento de dados” e, por isto, usei este termo, porque foi o termo usado por ele para mim.

Mari Barcelos: E você tem alguma história engraçada com o Chacrinha? Até mesmo histórias que envolvam esse tipo de visionarismo que ele tinha.
Regina: É muita coisa, a gente não lembra de tudo. Mas tenho uma situação que não esqueci. Até falei com a Sarajane nesses dias no Instagram que lembro muito bem. A gente estava num show na Bahia, era um show num trio elétrico, em Nazaré das Farinhas, se lembro bem o nome da cidade (Nota do Editor: a cidade de Nazaré na Bahia também é conhecida como “Nazaré das Farinhas” ou “Terra Morena”) e com aqueles cantores de trios elétricos, que não eram tão conhecidos, cantores regionais, não eram famosos, e Chacrinha então viu, entre eles, a Sarajane. Ai ele a convidou, no dia seguinte, para almoçar com a gente e, na mesa, ele a convidou para ir para o programa. Pediu para o Leleco (Leleco Barbosa, filho do Chacrinha) e foi assim que ela surgiu como estrela, deu o “boom” que deu, apareceu nacionalmente, e hoje quem não lembra de Sarajane, da música da Sarajane? E foi o Chacrinha que apontou, olhou para ela e falou: “Vai ser uma estrela”, isto lembro muito bem.
E situações engraçadas foram várias. Tem uma situação num show, por exemplo, em que ele pedia um som para a gente dançar no palco. Aí fui dançar mais à beira do palco e teve um cara, um fã, que pulou e quis me agarrar. Ele tacou o microfone na cabeça do homem! (risos)

Imagens da carreira de Regina Magalhães como chacrete. Foto: Arquivo Pessoal (Instagram).

Mari Barcelos: E ele não tinha “papa na língua”, certo? Falava o que precisava ser dito e isto era uma aspecto muito bom dele, muito bom do programa, um programa que jogava bacalhau na platéia, por exemplo, é algo que não precisa nem de comentários.
Regina: Abóbora, Mandioca (risos) Abacaxi, aliás, o abacaxi era o troféu, né? Ele dava para os calouros que não iam muito bem.

Mari Barcelos: Os concursos também…Ao invés de fazer o concurso do cara mais bonito, fazia o concurso do cara mais feio.
Regina: Sim, ele fazia uns concursos muito loucos, o cachorro que tinha mais pulga. Ele era um louco, um louco sábio né? Tanto que aquela frase do Raul Seixas caberia muito bem para ele, pois, ele era realmente o Maluco Beleza.

Mari Barcelos: E você comentou que foi muito bom voltar à mídia, ainda mais sendo chamada de ‘Musa Fitness ‘. Vimos que você tem uma alimentação bem balanceada, leva comida para os lugares que vai. Como fuciona tudo isso para você?
Regina: É fácil você com 20 anos ter aquele corpo, tudo durinho, tudo no lugar, tudo bonitinho (risos), mas com 54 é complexo, né? Aí é trabalho, um trabalho de muitos anos, pois, eu nunca parei de treinar, me alimento direito, tomo muito cuidado com o que como, estas coisas. Sou marmiteira, levo comida para o trabalho, vivo comendo ovo, batata-doce, vivo fazendo bolo de Whey Protein com aveia que, aliás, virou uma febre lá no trabalho.

Regina Magalhães durante treinamento. Foto: Arquivo Pessoal (Instagram)

Mari Barcelos: Você sempre cuidou do seu corpo? É algo normal para você?
Regina: Sempre cuidei, mas não com a maturidade com a qual cuido, porque eu cuidava, mas comia de tudo, fritura quando era mais nova, exagerava mesmo. Comia à vontade mas sempre treinava. Aí, de vez em quando, eu fechava a boca porque ganhava um pesinho. Mas hoje não, eu não faço regime. Faço é uma dieta alimentar, tenho um controle alimentar. Então, antes, eu oscilava muito na balança, quando eu era mais nova, ficava mais “cheinha”, mais fora de forma porque comia um monte de besteira, fazia uma dieta e ai perdia, depois ganhava.  Desde que aprendi que você é o que você come, que aprendi a me alimentar, nunca mais tive problema com a balança. Hoje, graças a Deus, eu controlo e mantenho sempre o mesmo peso e a mesma medida. Às vezes, eu pego roupas de anos atrás, olho assim, vou usar isto e cabe! Praticamente não perco roupa.

Mari Barcelos:  Gostaria que você contasse um pouquinho mais de como foi o processo para voltar para a mídia. Você pensou muito nisto? Sempre teve esta vontade?
Regina: Olha, quando o Charinha morreu, a gente continuou fazendo  os shows da agenda. Não foram cancelados. Faziamos os shows só com as chacretes, continuamos cumprindo a agenda. Depois surgiram outras oportunidades, programas de TV, como o do Bolinha (Nota do Editor: Edson Cabariti, outro apresentador de TV da época) que me chamou para trabalhar com ele. Mas era em São Paulo, então tinha que ir toda a semana para lá gravar o programa era semanal e ficou complicado para mim. Tinha que ir a São Paulo e voltar. Cheguei a fazer três programas mas  desisti. Eu também tinha meu outro trabalho. Sempre trabalhei junto com os programas de TV.  Depois, na Record Rio, criaram um programa e me convidaram e também outras ex-chacretes, mas não deu certo.

Aí, 9 anos após a morte dele,  a gente resolveu gravar o CD “As Chacretes”: eu, Cleópatra, Cristina Azul e Esther Bem-Me-Quer. E o Nanato, outro filho do Chacrinha, era até nosso empresário. Mas não deu certo, problemas internos, sabe? Sou muito racional, sou muito pé-no-chão, aí falei “tô fora, não dá pra mim, não quero mais”. Pensei: “quer saber de uma coisa? Eu não preciso, tenho meu trabalho, sou formada em Educação Física”. Mas vi que não estava dando dinheiro, fui procurar outras coisas. Aliás, o Chacrinha me deu este nome Polivalente, pois sou uma pessoa que não me prendo, aprendo tudo, o que não sei vou aprender, vou fazer, alguma coisa que me sustente, pois eu sempre dependi de mim mesma. Depois fui ser secretária executiva, trabalhei numa barraca de praia nos verões, trabalhei como gerente da loja da mulher do Leleco Barbosa, depois ela me indicou para um trabalho no Jornal do Brasil, Jornal Metro e, agora, na Escala Eventos, como promotora de eventos, local em que eu já tinha trabalhado anos antes.

Mari Barcelos: O assédio que você sofreu te influenciou em algum momento?
Regina: Não gostaria muito de falar disto. O que posso dizer é que isto hoje me fortalece, sou madura o suficiente para olhar para trás como experiência, não levo mais desaforo, não aceito homem que venha com abordagens baixas, pois tem muito homem ainda machista que pensa que pode tocar. Odeio que me ponham a mão, não aceito mais grosserias. Homem que pensa que mulher é subalterna, esse machismo, eu não aceito de jeito nenhum.

Mari Barcelos: Acaba que você vira um exemplo de força para mulheres que precisam de coragem.
Regina: Sim, sim, isso me fez muito mais forte e falar para as mulheres que precisam lutar, sim, pelos seus direitos, que elas não sejam submissas. Isso me fortaleceu sim. Hoje sou muito forte depois daquilo que passei.

Mari Barcelos: Você ainda tem muito contato com as ex-chacretes? Inclusive no dia que nos conhecemos pessoalmente, em um show do Jota Quest no Rio, você estava com a Cléo, certo?
Regina: Sim, a Cléo está sempre comigo. Aquela ali chamo de meu chaveirinho, pois ela é pequenininha, espoletinha, minha amiga. Nós temos contato até hoje. Eu falo que a gente é amiga-irmã, trocamos confidência, se a gente está triste, alegre, problema de namorado, problema pessoal… (risos) Estamos sempre juntas. Tem outras com que tenho contato, mas é com a Cléo que estou sempre junto. Estamos sempre nos falando. Mas tenho contato com Glácia, a Mariângela, mas tem outras, muitas, que eu não faço mais contato, nem faço mais a mínima questão. Mas tenho contato com várias ainda, até com Rita Cadilac. Não chegamos a trabalhar juntas, nos aproximamos mais no carnaval.

Desfile da Grande Rio homenageando o Chacrinha

Mari Barcelos: Vocês saíram na Grande Rio neste ano, né?
Regina: Sim, viemos de destaque, ela de “Rita Cadilac” e eu de “Regina Polivalente”. Fomos as únicas que viemos de destaque e, assim, a gente se aproximou mais. Mas, como disse,  eu não trabalhei na mesma época que a  Rita. Só a conheci depois que o Chacrinha morreu.

Mari Barcelos: E hoje, se fizessem um programa em homenagem ao Programa do Chacrinha, e te chamassem para ser chacrete novamente, você iria, mesmo não tendo ele no palco?
Regina: Olha, tudo relacionado ao Chacrinha, eu sempre estou o homenageando, fiz parte desta história, nunca digo não. Mas, dançando de Chacrete talvez não, isso já passou. Não porque não estou bem fisicamente, pois posso botar o maiô e ir, mas não seria o ideal. Eu iria, sim, fazer uma homenagem do tipo “estou aqui, existo, fiz parte desta história, isso fez parte da minha vida”, mas dançar… eu não sei. Até porque tudo na vida tem o seu momento certo.

Mari Barcelos: Com certeza. Quem sabe um programa em um novo formato, algo diferente que possa vir a ser criado.
Regina: Sim, a gente não sabe, a gente só pode falar do que estamos vivemos, está ali acontecendo. Eu teria que pensar, ver se valeria a pena ou não. Mas acho que a vida continua de outras formas, eu estou na mídia de novo porque o nome é muito forte. Quando sai uma matéria em um site,  depois sai em mais 10 seguidos, é um nome, “chacrete”, que pesa muito na imaginação do fã, pois foi um marco na vida de quem assistiu, um marco da TV brasileira. Mas a vida segue. Você não pode parar no tempo.

Mari Barcelos: Acaba virando uma base, certo? Algo que você viveu e tem guardado na memória.
Regina: Sim, sim. Mas hoje tenho outro rumo, outros objetivos. Tenho uma formação acadêmica, formada em Educação Física, sou a minha própria personal trainer. Então a gente não quer parar no tempo, regredir no tempo e voltar a querer dançar. Com 54 anos, tenho que ter uma lógica, uma lucidez, dizer que não é o momento disso. O momento é para outras ações.

Mari Barcelos: Você tem projetos encaminhados?
Regina: Tenho alguns, mas preferia ainda não falar. Surpresas. Podem vir surpresas pela frente!

Mari Barcelos: Regina muito obrigada pela sua entrevista, parabéns pelo seu trabalho e desejo muito sucesso nessa sua nova fase.

 

Veja as fotos do ensaio:

 

 

MARIANE BARCELOS

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Entrevista: Mariane Barcelos

Edição e Revisão: Raphael Gomide

Fotos: Arquivo pessoal de Regina Magalhães (Instagram)
Fotos do Ensaio:  Eneas Lucena

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maribarcelos
Eu me chamo Mariane Barcelos, tenho 26 anos, sou designer e estudante de Audiovisual, construindo uma carreira na área. Já viajei para quase todos os cantos do mundo, inclusive já fui para fora do planeta, já dei um pulo em Marte, conheci uns anéis de Saturno e me aventurei em galáxias muito distantes, me transformei em bruxa, loba e vampira, também já fui super heroína e vilã. Não pensem que sou louca, sou apenas uma cinéfila que enxerga nos filmes uma maneira de se desconectar da realidade, ou quem sabe me conectar, com a minha realidade. Quando eu vejo um filme é para me conectar com aquele mundo, se não estou no clima, digo "nossa que dor de cabeça" e fica para um outro momento. Cinema é para ser sentido, para se apaixonar e se iludir. Encantar. Espero poder compartilhar com vocês, toda essa emoção que eu sinto ao assistir um filme e conseguir fazer com que vocês também embarquem nessa viagem sem destino. Agora através do ArteCult, também faça cobertura de eventos, como o Festival do Rio, RioMarket, Pré-Estreias e afins. Assim como nos filmes, espero poder trazer grandes novidades e coberturas completas em todas as mídias sociais, para que vocês, leitores, possam se sentir sempre imersos ao nosso universo.

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