Do amor e das suas (des)formas : Escritor Bruno Lima dialoga através de poemas com desenhos feitos pela sua mãe nos anos 90

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Em 32 cenas de “Do amor e das suas (des)formas“, as diferentes formas do amor se desdobram em poesia e imagem, num diálogo entre os textos escritos pelo filho em 2016 (e finalizados em 2019) e os desenhos feitos pela mãe Oci entre 1990 e 1994.

Dessa aproximação entre uma das mais puras formas do amor nasce este livro belo e singular do escritor Bruno Lima.

“Há verbete para o amor? (substantivo incomum) / Há lembrete para amar? (infinitivo algum)”, indaga o autor, deixando no ar as possíveis repostas – “… e a razão não aprende a amar com a loucura…”.

Confira o que disse a Doutora em Letras e professora de Literatura Brasileira da UFF Anna Faedrich sobre o livro:

“A sensualidade representada nos desenhos, em que predominam mulheres nuas ou seminuas, dá ao livro um toque de erotismo. Ademais, no intercâmbio dialético entre razão e loucura, é possível que ambas coexistam quando se trata de amor. Daí a imagem do velho e da cachaça ser recorrente nos poemas e nos desenhos, assinalando sintonia inesperada – porque involuntária – entre as duas artes, entre mãe e filho, Oci e Bruno. Amor próprio, amor platônico, amor desmedido, desamor, ódio, sofrimento, perdão, solidão, desejo, gozo, finitude, são como afluentes das cenas poéticas que desembocam no caráter humano do amor, cuja complexidade permite reações diversas, por vezes contraditórias e imprevisíveis.”

 

ENTREVISTA

Conversamos com Bruno sobre o lançamento, veja a seguir nossa entrevista exclusiva:

Como surgiu a ideia de escrever esse livro?

Bruno :  “O livro surgiu como sugestão de um amigo para que eu escrevesse sobre o amor. Além de não ser um tema que me interessasse, já é demasiadamente tratado na poesia brasileira e universal. Um livro inteiro dedicado ao amor poderia redundar em lugar comum, o que em nada me agradaria. De modo a finalmente me render a essa temática, após muita insistência do referido amigo, procurei conceber um livro que abordasse o amor sem ser piegas, procurando evidenciar formas de amor onde não se encontra.”

Fale-nos um pouco sobre os poemas do livro, por favor.

Bruno: “Os poemas, que nada mais são do que cenas de amor, foram todos escritos em 2016. São todos poemas curtos, pois tenho me interessado sobremaneira pela brevidade, buscar dizer o máximo com o mínimo de palavras. Após o 34° poema, senti que o livro, como unidade estética, estava pronto e que insistir na escrita seria um esforço desnecessário, portanto o dei como concluído. Havia um problema, contudo. Publicar um livro com apenas 34 poemas seria praticamente inconcebível e, por essa razão, ele ficou esquecido em uma pasta no computador. Apenas em 2019, com o falecimento de meu pai, descobri vários desenhos de minha mãe e então ocorreu a ideia de buscar um diálogo entre poesia e desenho. Uma vez concluída a curadoria dos desenhos, o dei finalmente por encerrado e o enviei para a editora. Cinco anos após a escrita dos poemas, sai o livro em 2021.”

Bruno, qual sua expectativa para a recepção desse livro de poesia e como você se sente lançando uma obra onde pode dialogar também com a arte de sua mãe?

Bruno: “Essa é uma pergunta difícil. Acredito que a expectativa é a de ser lido, como qualquer autor pretende atingir o público. Sei que no Brasil o consumo de poesia é bastante limitado, infelizmente. É claro que uma resposta positiva ao que escrevemos é muito bom, mas não tenho a pretensão de emergir como um expoente da poesia, até porque sei que para se chegar ao circuito literário faz-se necessária uma conjunção de fatores. Como diria Brás Cubas, se agradar o leitor, dou-me por satisfeito, se não agradar, pago-te com um piparote e adeus.

Sobre ser um livro que coloca em diálogo a minha poesia e os desenhos de minha mãe, há dois fatores dignos de nota. O primeiro é que se trata de uma armadilha, pois é muito comum os leitores se fixarem apenas nos desenhos ou considerar os poemas como “legendas” para eles. Deixo claro que não se trata disso, pois os poemas foram escritos em 2016 e os desenhos datam de 1990 a 1994. Minha mãe, falecida em 2013, não chegou a ler os poemas tampouco eu escrevi para o trabalho dela. No final das contas acabou sendo uma reunião feliz. Isso me deixa bastante satisfeito porque a arte eterniza e, de certa forma, consegui me eternizar e junto comigo ela também. É incrível o poder da palavra em dar vida. Ela, por exemplo, escrevia assiduamente diários, mas impedia a leitura de quem quer que seja. Dizia que apenas após morrer seus diários poderiam ser enfim lidos. Quando eu os li, revivi muitas coisas que aconteceram, descobri outras tantas que desconhecia e, sobretudo, parecia que minha mãe havido se materializado de novo. Foi uma experiência impactante. Com ‘Do amor e suas (des)formas’ mais uma vez nos aproximamos.”

 

Bruno Lime. Foto: Divulgação.

SOBRE O AUTOR

Bruno Lima é doutor em Estudos Literários pela UERJ, onde também realizou mestrado e especialização em Literatura Brasileira. Possui textos acadêmicos em revistas especializadas e em capítulos de livros. Atualmente suas pesquisas incidem sobre Machado de Assis, sobre a problematização do cânone literário e sobre literatura contemporânea. É autor do livro “Eu: itinerário para a autoficção” (7 Letras) e está no prelo “Bruxaria do início ao fim: o projeto filosófico-(meta)ficcional de Machado de Assis” (EdUERJ). Como poeta, lançou “Do amor e das suas (des)formas”, “Nuncas” e “Pretérito Imperfeito”, além de possuir poemas publicados em antologias e revistas. Afirma que sua maior e mais perfeita obra são suas três Marias, filhas lindas e maravilhosas.

Blog do autor: http://ensaiodesi.blogspot.com/

Instagram: @bruno_lima_74

CONHEÇA AS OUTRAS OBRAS DE BRUNO LIMA

Pretérito imperfeito

Capa de “Pretérito Imperfeito”. Foto: Divulgação.

Bruno Lima adensa essas complexas relações do indivíduo com o tempo que não para. Entre esquecimentos e lembranças, os sujeitos líricos expõem experiências íntimas e projetam esperanças para um futuro que, se diferente do que era, ao menos sagre os desejos e as angústias que ainda não foram (nem serão) digeridos.

 

Eu: itinerário para a autoficção

Capa de “Eu: itinerário para a autoficção”. Foto: Divulgação.

Neste estudo, Bruno Lima se aventura pelo instável terreno da autoficção, onde noções como autor/narrador, memória/invenção, autobiográfico/ficcional transitam e se misturam. Visitando estudos clássicos sobre a escrita de si (Foucault, Luiz Costa Lima, Philippe Lejeune), Bruno propõe um panorama da primeira pessoa na literatura brasileira a partir da escolha de autores representativos de três diferentes momentos: nossa “maturidade literária”, o modernismo e a geração de 1970.

Nuncas

Capa de “NUNCAS”. Foto: Divulgação.

Sobre o livro, Rodrigo Jorge Ribeiro Neves disse:

“Paulo Leminski, em um pequeno livro sobre Bashô, ressalta que a “escrita japonesa dos haikais tende para o estado gasoso, a rarefação, a dissolução da matéria”. Surgido no século XVI no Japão, o haikai chegou ao Brasil no século XX, tendo grandes cultores, como Guilherme de Almeida, Millôr Fernandes e o próprio Leminski. A essa galeria de poetas, junta-se Bruno Lima com Nuncas, livro de ternura incandescente, cuja prospecção íntima devassa os limites do tempo. Mas o poeta não se deixa esvair na consciência do fugaz, nem busca na transcendência qualquer redenção. Nuncas, partindo de uma transgressão morfológica, subverte as perspectivas do cotidiano e confere substância à experiência do instante, do pormenor. Assim, cada verso de Bruno resvala em algo que a vida deixa escapar, porque, afinal, é onde está sua beleza.”

 

SERVIÇO

“Do amor e das suas (des)formas”

obs:

  • O livro também se encontra em livrarias físicas.

 

“Pretérito Perfeito”

“Eu: itinerário para a autoficção”

  • Autor: Bruno Lima
  • Número de Páginas: 210
  • Autor: Bruno Lima
  • Ano: 2015
  • Formato: 15,5 x 23 cm
  • Edição: 1ª edição
  • Selo: 7Letras
  • Link para aquisição:  https://7letras.com.br/livro/eu/

“Nuncas”

 

 

 

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