“Auto de João da Cruz”: Cia OmondÉ comemora dez anos com a estreia de obra inédita de Ariano Suassuna

Com direção de Inez Viana, espetáculo faz temporada de 16 de janeiro a 16 de fevereiro no Teatro Firjan SESI Centro

 

Até que ponto o homem se vende para conseguir o que quer? Qual é o mínimo para ser feliz? O que você seria capaz de fazer para conquistar os bens materiais que deseja? Essas são algumas das questões abordadas pelo escritor Ariano Suassuna na peça “Auto de João da Cruz”.

Escrito em 1950, o texto é uma recriação do “Fausto”, de Goethe, cuja trama traz elementos de três romances populares nordestinos – História de João da Cruz, História do Príncipe do Reino do Barro Branco e a Princesa do Reino do Vai-não-Torna e O Príncipe João Sem Medo e a Princesa da Ilha dos Diamantes — de Leandro Gomes de Barros, Severino Milanez da Silva e Francisco Sales Areda, respectivamente.

Com direção de Inez Viana, a montagem celebra os dez anos da criação da Cia OmondÉ, que teve início com outro Ariano Suassuna, o também inédito, “As Conchambranças de Quaderna”. O espetáculo “Auto de João da Cruz” estreia em 16 de janeiro, no Teatro Firjan SESI Centro.

 Um Fausto brasileiro – A peça conta a história de João, jovem ambicioso que, inconformado com a ausência do pai e com a miséria em que vive, resolve sair de casa, deixando tudo para trás, em busca de riquezas. O Guia (espécie de diretor da peça) e o Cego (aqui simbolizando o Diabo) fazem, então, uma aposta pela alma de João que, ilusoriamente, passa a ter tudo que deseja. Ao mesmo tempo em que vai perdendo sua humanidade, João vai se distanciando da família e dos amigos e se transformando em um homem frio e perverso. Quando, enfim, recobra a consciência, já é tarde demais para se arrepender dos males que causou.

Escrita há sete décadas, a peça “Auto de João da Cruz” tem sua primeira montagem profissional pela Cia OmondÉ, que ganhou o texto de presente de Dantas Suassuna, filho de Ariano. “Suassuna é eterno, atemporal, nunca sairá de moda. A história dessa peça é sobre a insana ambição humana, que pode levar o homem a se perder de seus valores mais profundos e a cometer os piores crimes. Infelizmente, é um texto extremamente atual”, ressalta Inez. O elenco é formado por integrantes da OmondÉ e atores convidados. Em cena estão André Senna, Elisa Barbosa, Iano Salomão, Júnior Dantas, Leonardo Bricio, Luis Antonio Fortes, Tati Lima e Zé Wendell.

Inez e Ariano: amizade e parceria – A diretora manteve uma parceria com Suassuna nos últimos 16 anos de vida do escritor. O primeiro encontro foi 1998, quando Inez se apresentou em Recife e o autor estava na plateia. Um ano depois, em 1999, ela dirigiu o documentário “Cavalgada à Pedra do Reino”, onde o narrador principal era o próprio Suassuna. Ali, nascia uma amizade que deu origem a diversos projetos. Inez produziu o primeiro Festival Ariano Suassuna no Rio de Janeiro (2001), o Encontro com Ariano Suassuna (parceria com o Sesc RJ, em 2004) e fez a curadoria artística do evento de seus 80 anos (2007), produzido pela Sarau Agência de Cultura, que culminou com uma aula-espetáculo do homenageado, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

Criada em 2009 a partir de um encontro teatral que resultou na montagem do “As Conchambranças de Quaderna”, de Suassuna, a Cia OmondÉ comemora dez anos de trajetória voltando ao autor que uniu nove atores de diferentes lugares do Brasil. “Quando me convidaram para dirigir minha primeira peça profissional, recorri ao autor do ‘Auto da Compadecida’. E ele, generosamente, como era de seu feitio, me concedeu ‘As Conchambranças de Quaderna’, texto inédito, tendo sido montado apenas por dois grupos amadores do Nordeste. Foi esse espetáculo que deu origem a OmondÉ”, lembra Inez.

 

Cia OmondÉ

Criada em 2009, a partir de um encontro teatral que resultou na montagem de “As Conchambranças de Quaderna”, de Ariano Suassuna, a Cia OmondÉ é a concretização de um desejo que a atriz e diretora Inez Viana nutriu por mais de duas décadas. Naquela ocasião, movidos pela vontade de compartilhar processos e criar em colaboração, nove atores de diferentes lugares do Brasil e Inez, iniciaram uma pesquisa, dialogando com diferentes recursos do teatro e da dança contemporâneos, que se mantêm presentes nas obras atuais da companhia.

A OmondÉ tem em seu repertório sete peças, todas de autores brasileiros, clássicos e contemporâneos, como Ariano Suassuna, Nelson Rodrigues, Grace Passô, Jô Bilac, Alcione Araújo e segue na busca de uma linguagem cênica que dialoga com temas vigentes, contribuindo para a reflexão sobre o papel do artista na sociedade.

A Cia OmondÉ tem sete peças montadas, todas com direção de Inez Viana: “A Mentira”, de Nelson Rodrigues (2018); “Mata Teu Pai”, de Grace Passô (2017); “Os Inadequados”, criação coletiva Cia OmondÉ (2015); “Infância, Tiros e Plumas”, de Jô Bilac (2014); “Nem mesmo todo o oceano”, de Alcione Araújo, adaptação Inez Viana (2013); “Os Mamutes”, de Jô Bilac (2012) e “As Conchambranças de Quaderna”, de Ariano Suassuna (2009).

 

Inez Viana

Atriz, diretora e dramaturga, com bacharelado em Artes Cênicas e pós- graduação em direção teatral, ambos pelo Instituto CAL, RJ.  Dirigiu mais de 16 peças, tendo recebido duas indicações de melhor direção do Prêmio Shell, uma da APTR, uma do Questão de Crítica e uma da APCA. Como atriz, recebeu uma indicação do Prêmio Shell e uma da APTR. Ganhou o Prêmio Qualidade Brasil em 2008, por “A mulher que Escreveu a Bíblia” e o Prêmio Questão de Crítica pelo melhor elenco de “Krum”. Ganhou também dois Prêmios Contigo! de melhor espetáculo para “As Conchambranças de Quaderna”, de Ariano Suassuna (júris oficial e popular), e o Prêmio FITA de melhor direção para “Os Mamutes”, de Jô Bilac .

Como atriz, destacam-se os espetáculos: “A mulher que Escreveu a Bíblia”, de Moacyr Scliar, adaptação de Thereza Falcão e direção de Guilherme Piva (2007); “Na Selva das Cidades”, de Bertold Brecht, direção de Aderbal Freire-Filho (2012); “Fluxorama”, de Jô Bilac, direção Viniciús Arneiro, Rita Clemente e Inez Viana (2013); “Krum”, de Hanock Levin, direção de Marcio Abreu (2015); e “Nu de Botas”, de Antônio Prata, direção de Cristina Moura (2017) e “Por favor venha voando”, de Pedro Kosovski, direção de Georgette Fadel, ao lado de Debora Lamm, no CCBB Rio de Janeiro (2019). Junto com nove atrizes e atores, fundou, em 2009, a Cia OmondÉ.

Em 2017, escreveu “A Última Peça”, seu primeiro texto teatral, publicado pela editora Cobogó e encenado em 2018 no Sesc Pompeia e no Sesc Copacabana em 2019, sob direção de Danilo Grangheia.

 

 

 

SERVIÇO

“Auto de João da Cruz”

  • Quando: De 16 de janeiro a 16 fevereiro 2019. De quinta a sábado, às 19h. Domingo, às 18h
  • Onde: Teatro Firjan SESI Centro | Rua Graça Aranha, 1 – Centro
  • Quanto: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia). Bilheteria de segunda a sexta, das 11h30 às 19h30. Aos sábados e domingos de espetáculo, 2 horas antes do início.
  • Informações: (21) 2563-4163
  • Lotação: 350 lugares
  • Classificação: 14 anos
  • Duração: 90 min.

 

Ficha Técnica

Cia OmondÉ apresenta “Auto de João da Cruz
Texto: Ariano Suassuna
Direção: Inez Viana
Elenco:
André Senna
Elisa Barbosa
Iano Salomão
Junior Dantas
Leonardo Bricio
Luis Antonio Fortes
Tati Lima
Zé Wendell
Direção de movimento: Denise Stutz
Iluminação: Ana Luzia de Simoni
Figurino: Flavio Souza
Consultoria cenográfica: Nello Marrese
Cenotécnico: André Salles

Consultoria musical: Fábio Campos
Assessoria dramatúrgica: Carlos Newton Jr.
Assistente de direção: Joel Tavares
Programação visual: André Senna
Fotografia, vídeo e redes sociais: Rodrigo Menezes
Assessoria de imprensa: Paula Catunda e Catharina Rocha
Produção: Eu + Ela Produções Artísticas e Pé de Vento Produções
Direção de produção: Douglas Resende
Produção executiva: João Paulo Rodrigues

Diretor de Palco: Mateus Ribeiro
Realização: Cia OmondÉ

 

 

 

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