CCBB São Paulo – Artista Amélia Toledo, falecida no último dia 8, tem obras em retrospectiva

CCBB São Paulo – entrada – foto: Andreá Assis

São 60 obras que falam dos 60 anos de criação. Criação esta celebrada pelos quatro andares do Centro Cultural e segmentada em módulos temáticos que tentam abarcar a produção artística de Amélia. “Lembrei que Esqueci” foi inaugurada no CCBB em outubro, sendo também, a última presença pública da artista que, aos 90 anos, faleceu duas semanas depois da abertura desta exposição.

Conhecida com a Grande Dama da Contra Cultura, Amélia Toledo foi contemporânea  de artistas como Mira Schandel (1919-1988) e Lígia Pape (1927-2004), estudou também com Anita Malfatti (1889-1964) e trabalhou em projetos no escritório de Vilanova Artigas (1915-1985). Uma dos seus trabalhos para o público se destaca “Caleidoscópio”, na estação Brás de metrô, na capital paulista. Os cariocas também tiveram o privilégio de ter um trabalho da artista: as cores usadas na Estação Arcoverde do metrô resultaram dos estudos cromáticos e de acabamento feitos por Amélia.

Sua grande característica é o trabalho que vários tipos de materiais. São placas de aço laminado e polido, pedras de várias cores, plásticos de diversas formas, concreto, tecidos e fibras. Dessa qualidade de criação, talvez, dê a impressão que a sua arte é quase lúdica, convidando o visitante a brincar com a obra (sim, saquinhos coloridos estão pendurados na parede para isso: pegar, espremer, amassar… tudo isso em ação educativa para crianças e adolescentes de escolas) que não resiste ao incentivo, ainda mais sendo tudo colorido.

Sugerida pelo curador da mostra, Marcos Lontra, a visitação pode começar pelo subsolo, segmento chamado “A Caverna”, mais intimista e terminar no 4º. andar. No térreo, está “O Encontro”; no 1º., “A Passagem”, no 2º., “A Memória, no 3º. “A Luz”. e termina no 4º. andar com “O Futuro”. Alguns destaques são as obras “Dragões Cantores” (subsolo), os vários “poços” (térreo), “Da Cor da Corda”, “Caleidoscópio” (1º.andar), as colagens com papel de seda (3º. Andar), “Medusa” e os discos tácteis coloridos (4º. Andar).

“Da Cor da Corda” – foto: A.Assis

composições com lâminas de aço polido e pedras coloridas – foto: A.Assis

“Medusa” – foto: A. Assis

um dos vários discos táteis – foto: A. Assis

No vão livre central que liga a claraboia ao térreo, no Centro Cultural, estão penduradas as famosas placas metálicas “Momento Elástico – III, IV e V”. As pinturas também fazem parte do conjunto das obras de Amélia. Em vários andares estão expostos, os campos amarelos, vermelhos e azuis. Estes últimos ainda feitos neste ano, sendo, agora, os derradeiros trabalhos da artista.

“Momentos Elásticos” – séries em aço laminado – foto: A. Assis

Existe, também, um espaço educativo para crianças e adolescentes.

Se você estiver com a família em São Paulo até janeiro, vale a pena visitar a mostra.

ANDRÉA ASSIS

SERVIÇO:

 

. Onde: R. Álvares Penteado, 112, Centro; tel. 3113-3651; metrô Sé ou S.Bento (azul)

. Quando: até 08.01.2017 –  Seg. e qua. a dom.: 9h às 21h

. Quanto: gratuito

. Livre para todos os públicos

. site da artista: http://ameliatoledo.com/

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Andréa Assis
Carioca, mas paulistana da gema radicada há mais de 20 anos na capital. Formada em Relações Internacionais, tem mestrado em Administração de Empresas em Lyon, na França. Orgulhosa da cidade onde vive, adora mostrá-la aos visitantes, sejam eles brasileiros ou não. Procura sempre descobrir lugares novos e diferentes, por isso sempre se mantém atualizada sobre o que acontece nestas bandas. Para isso, vai sempre às exposições que pipocam aqui e acolá e é sobre elas que pretende lançar seu olhar crítico que não se restringe só às obras, aos trabalhos expostos, mas também ao ambiente: como estão organizadas, se existem informações para os visitantes, enfim, se vale a pena o leitor investir o seu tempo para ir vê-las. Eventualmente, faz críticas de filmes, mas prefere deixá-las aos mais habilitados. Mas não deixa de acompanhar os lançamentos. Humildemente, pede ao leitor paciência para com o que ele lê aqui no espaço, pois a escritura e análise pedem apuro ao longo do tempo.

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