Camocim: uma fragmentação da política amiga e a visão limpa/suja em diligência

Mayara Gomes é uma jovem que coordena a campanha de um amigo à vaga na Câmara Municipal. É notória sua responsabilidade e compromisso em um projeto onde existe amizade envolvida, ademais César Lucena se trata de um candidato totalmente desacreditado. A atriz social acaba se tornando uma bifurcação dentro do enredo, que se divide em falar sobre sua intimidade e a luta entre os partidos. Totalmente confortável com a câmera, ela se mostra leal, estrategista e uma ótima discursante. Sua    opção sexual acaba produzindo mais um discurso  dentro de toda a sua luta. 

Mesmo diante de muitos personagens, o protagonismo de Mayara Gomes demonstra a representatividade do povo cada vez mais forte e me arrisco dizer, que Mayara também representa todo o argumento do diretor. A naturalidade imposta fica visível desde o primeiro minuto de filme afinal, não é comum em uma estética natural a protagonista de andar de moto sem capacete despojadamente.

Estrelando o seu primeiro documentário produzido no Brasil, Quentin Delaroche que também é montador e operador de câmera para o cinema e a televisão, traz um cenário político, mas sem muito embates nas campanhas.

Fica muito visível que a cidade de Camocim de São Félix, muda completamente em ano de eleição. A festa é tão grande, que de longe não aparenta uma eleição, brigas do nada, clima de carnaval, mulheres mais novas se exibindo, são exemplos do cenário retratado. Em alguns pontos conseguimos assistir a tudo de uma forma tão aberta, que chegamos a questionar se realmente se trata de algo natural. Certamente, todos esses momentos trazem a força ao documentário. 

Por se tratar de um documentário é difícil criar um ritmo mais acelerado quando ele não existe, talvez se fosse trabalhado um pouco mais na edição, mas sem mudar a naturalidade, o fato é, como a campanha de César é muito parada e rende poucos momentos mais agitados, por assim dizer.

Com muita naturalidade, Camocim traz aos seus espectadores uma visão limpa e suja da política do interior, deixando a todos um pensamento sobre lealdade, luta e dualidade.

 

 

MARIANE BARCELOS
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maribarcelos
Eu me chamo Mariane Barcelos, tenho 26 anos, sou designer e estudante de Audiovisual, construindo uma carreira na área. Já viajei para quase todos os cantos do mundo, inclusive já fui para fora do planeta, já dei um pulo em Marte, conheci uns anéis de Saturno e me aventurei em galáxias muito distantes, me transformei em bruxa, loba e vampira, também já fui super heroína e vilã. Não pensem que sou louca, sou apenas uma cinéfila que enxerga nos filmes uma maneira de se desconectar da realidade, ou quem sabe me conectar, com a minha realidade. Quando eu vejo um filme é para me conectar com aquele mundo, se não estou no clima, digo "nossa que dor de cabeça" e fica para um outro momento. Cinema é para ser sentido, para se apaixonar e se iludir. Encantar. Espero poder compartilhar com vocês, toda essa emoção que eu sinto ao assistir um filme e conseguir fazer com que vocês também embarquem nessa viagem sem destino. Agora através do ArteCult, também faça cobertura de eventos, como o Festival do Rio, RioMarket, Pré-Estreias e afins. Assim como nos filmes, espero poder trazer grandes novidades e coberturas completas em todas as mídias sociais, para que vocês, leitores, possam se sentir sempre imersos ao nosso universo.

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