Berenice Procura chega aos cinemas hoje, retratando a Transfobia com muito respeito e realidade

O cinema brasileiro chega apresentando, em menos de um mês, mais um longa com a temática LGBT. Dia 31/05, Paraíso Perdido chegou às telas abordando o mesmo tema. (Veja nosso review em AQUI). 

O mais comum para os espectadores será comparar Berenice Procura com Paraíso Perdido, porém, assisti os filmes na ordem inversa, durante a cobertura do Rio2C, com isso acabei comparando de maneira diferente e pela linha em que os filmes foram produzidos e não lançados.

Sinopse: Berenice é uma mulher dedicada ao trabalho de taxista no Rio de Janeiro. É consumida pela profissão e o pouco tempo que lhe sobra precisa ser dividido entre a criação do filho Thiago, um adolescente descobrindo sua sexualidade, e sua conturbada relação com o marido Domingos, repórter policial. As marcas do relacionamento desgastado, arruinado pelos rompantes violentos do marido, apagaram sua feminilidade e a levaram a um grande vazio existencial. O assassinato de Isabelle, uma linda transgênero, na praia de Copacabana, acende seu lado investigativo e transforma sua vida.

 

Primeiro trabalho nas telonas do diretor Allan Fiterman, conhecido pelo seus trabalhos em novelas na TV Globo, inclusive está se preparando para a próxima novela das 9 na emissora.

Allan trouxe um pouco do ar da dramaturgia da TV para o cinema, porém, utilizou grandes planos sequências em cenas importantes, o que gerou mais sentimento em realismo dentro de assuntos tão densos e significativo.

Baseado no livro do romancista policial Luiz Alfredo Garcia-Roza, o longa não é nem um pouco bonito, no sentido romântico da palavra, com cenas de nudez, sexo, masturbação e violência vem para arrebatar a todos nas salas de cinema.

 

Com grandes atores no elenco, tais como Vera Holtz e Emílio Dantas, precisamos destacar as atuações de Cláudia Abreu no papel de Berenice, Eduardo Moscovi como Domingos, a interação do casal é incontestável e perfeita, afinal acredito que fazer um par desgastado seja ainda mais difícil do que um amoroso. A estreante Valentina Sampaio que vive Isabelle e traz na pele referências da personagem, também deu um show de atuação, principalmente na cena em que canta “Amor Marginal” de Johnny Hooker, canção que também foi interpretada por Jaloo (de maneira brilhante diga-se de passagem) em Paraíso Perdido. Valentina ficou conhecida por ser a primeira mulher transgênero a ser capa da revista Vogue e vive sua vida fora do país até hoje.

 

A quantidade de elementos na tela, cores, paisagens tumultuadas faz requerer a atenção para os detalhes, muito em simbolizados e apresentados pela Direção de Arte, de maneira que a fotografia ajuda muito a direcionar o olhar. Mesmo não seguindo uma ordem cronológica linear, todos os fatos são respondidos e é possível entender o filme perfeitamente, esse fato é devido a um ótimo roteiro de Flávia Guimarães e José Carvalho.

Confira o Trailer:

 

 

 

 

Tratando da Transfobia com muito respeito e realidade, Berenice Procura chega aos cinemas nesta quinta 28/05 e fica aqui o convite para que todos possam prestigiar o cinema brasileiro.

 

MARIANE BARCELOS

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Jornalista por paixão. Música, Novelas, Cinema e Entrevistas. Designer de Moda que não liga para tendência. Apaixonada por música e cinema. Colunista, critica de cinema e da vida dos outros também. Tudo em dobro por favor, inclusive café, pizza e cerveja.

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