Histórias em Quadrinhos (HQs) – A arte sequencial

QUADRO A QUADRO

Apesar de receber diversas denominações pelo mundo (ex. Comics para os americanos), o termo histórias em quadrinhos é para mim a melhor definição, afinal de contas o que temos aqui são histórias contadas quadro a quadro. As HQs assim como um livro ou um filme são um meio popularmente conhecidas para contar uma história e cada uma delas possui suas próprias limitações dentro do enredo apresentadas pelas numerações das páginas e disposição dos quadros, ou seja, o mesmo processo de duração aplicado nos filmes e séries, assim como o número de páginas utilizado em livros e revistas.  Os quadrinhos possuem uma limitação a mais, o “espaço” útil para os desenhos e textos aplicados nas páginas, como exemplo podemos citar as Grafic Novels, que são as grandes séries fechadas e encadernadas em volumes disponíveis no mercado para os leitores.

As HQs em geral possuem um formato bem limitado de espaço útil para o desenvolvimento de uma história, por isso os autores utilização de forma constante os famosos arcos de histórias, tão necessários, para contar bem uma história com início, meio e fim dentro de uma única edição com o total de 22 (vinte e duas) páginas é um processo desafiador,  tanto pra quem escreve, quanto pra quem a desenha .

Ser um desenhista no mercado de quadrinhos é muito mais do que apenas desenhar bem, envolve planejamento e pesquisa, muitas vezes profunda, envolvendo até mesmo levantamentos históricos, essas são apenas alguns itens importantes envolvidos no processo de criação das HQs. Todo esse processo se torna necessário independe do número de páginas a serem desenhadas pelo artista.

Ao receber o roteiro o primeiro passo do quadrinista é fazer a leitura total da história (o que se torna obvio para o entendimento e a transformação do texto em imagens) …  acreditem sempre existirá alguém que vai ler e desenhar uma página por vez …  Lembrando que o roteiro geralmente vem escrito no idioma do lugar de origem da história, então é extremamente importante estudar saber ler e falar outro idioma, como exemplo podemos citar o inglês. Caso você seja agenciado por algum estúdio, dentre as várias funções exercidas, também são responsáveis por traduzir os roteiros e encaminhará a você, caso não tenha uma boa proficiência no idioma do país de origem no qual foi escrita a história.

THUMBNAILS

Feito a leitura do texto acima, podemos entender o processo abaixo que poderá variar de artista para artista. As anotações de rodapé apresentadas nas folhas do roteiro ajudam a lembrar todos pontos mais relevantes da história, e que merecem maior destaque na criação do desenho da história. O processo abaixo é denominado thumbnails, processo este que possui a finalidade de ajudar a organização das ideias do artista, permitindo a criação de um esboço simples do layout pertencente a todas as páginas da história. É através desse processo chamado thumbnail que o artista consegue determinar, como exemplo, onde ficaram as páginas duplas com desenhos maiores, e quais serão de ação ou diálogos mais expressivos.

  • Na primeira etapa apresento o modelo de Thumbnail criado para uma edição contendo o total de 22 páginas e uma capa. (imagem 01)

  • Nesses retângulos cada página terá seu layout definido, atendendo as necessidades do roteiro, algumas vezes o desenhista irá decidir, se deve ou nã, o acrescentar ou mesmo eliminar quadros exigidos no roteiro em função da narrativa. (imagem 02)

  • E por fim, o desenhista deixará marcado quais serão os quadros de cada página que deverão possuir um destaque maior e a posição das páginas duplas dentro da edição, sempre em função da narrativa e focando o impacto na história. (imagem 03)

Terminada essa etapa de planejamento da edição, iniciaremos a pesquisa. Sempre que o artista iniciar um novo projeto, o trabalho de pesquisa se faz sempre necessário, afinal de contas, vivemos em um mundo onde existem uma infinidade de modelos e variações dos elementos que nos cercam. Você já parou para pensar, por exemplo, quantos modelos de cadeiras existem hoje no mercado?  Isso sem contar com os modelos de épocas passadas e futuras, com isso podemos perceber claramente a importância da pesquisa. Você não acha?

Também é levada em consideração a utilização de referências fotográficas envolvidas em todas as etapas do trabalho, seja para desenhar uma cadeira, um carro ou um sapato. Se o projeto for uma história que se passa em um período específico, o trabalho de pesquisa se torna ainda mais detalhado, roupas, arquitetura, estilos de barba e cabelo, até  itens em uma mesa e os próprios alimentos devem ser exaustivamente estudados, evite usar as versões  apresentadas em filmes ou séries  pois você provavelmente estará  copiando a visão,  as vezes errônea  de outros artistas.

Procurar por referências reais ajudam a tornar o trabalho mais realista e correto, sempre pesquise a fundo todos os elementos que pretende desenhar. Com o advento da internet, nos dias de hoje, podemos literalmente e praticamente acessar a tudo que precisamos sem sair das nossas casas.

Feito o trabalho de pesquisa, começa então o processo de construção dos esboços, onde o artista testa cada referência e o seu encaixe na história e consequentemente no seu estilo de desenho, sem se distanciar da referência original.

Em seguida partimos para a construção das páginas e do processo de layout final, esse sim será apresentado ao editor da revista e também para o autor do livro. Nessa etapa as ideias do roteiro já estão formadas nos desenhos simples, mas definidos e agora partiremos para as modificações e ajustes  discutidos e solicitados em reunião ou por e-mail pelo autor e roteirista da história,  pois a final de contas cada pessoa tem a capacidade de interpretar em sua própria mente imagens totalmente diferentes de um mesmo texto, motivo esse, que podemos perceber claramente o motivo pelo qual a maioria das adaptações literárias, quando  transformadas em filmes, ficam tão distantes da projeção que você cria em sua mente.

Então chegamos ao final de todo esse processo … ufa! 🙂

Sendo assim, agora o artista pode finalmente abastecer sua caneca com café, e começar a desenhar a história propriamente dita …

Na próxima matéria iremos ver o passo a passo de todo o processo de criação dos thumbnails até o layout final, e usarei como modelo o roteiro do meu grande amigo Hamilton Kabuna, escritor e professor de roteiro em nossa escola Lipe Diaz Escola de Artes Visuais até lá …

EDUARDO  OLIVEIRA

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Eduardo Oliveira
Nos canais ArteCult e QuadriMundi é responsável pelo contato de negócio com patrocinadores e parceiros. Assessor de negócios de Carlos Ewald. Professor é especialista na área de Quadrinhos. Ministra aulas de perspectiva, criação de ambientes e desenho base de quadrinhos na Lipe Diaz Escola de Artes Visuais. Também acumula a gestão da escola e coordenação. Geek em tempo integral, fã de filmes de ficção e aventura, animes e quadrinhos, incluindo séries de TV. Sempre buscando inspiração em seus mestres Will Eisner, Jack Kirby, Neal Adams, Jonhm Buscema, Garcia Lopez e tantos outros gigantes da nona arte que o fizeram viver grandes aventuras em minha juventude.

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