
Depois de ter discorrido, de modo geral, dando um panorama sobre ESTRADA REAL (parte 1) – maior rota turística do Brasil, que corta os estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro com seus mais de 1630 km – e ter percorrido o CAMINHO NOVO (parte 2) e o CAMINHO VELHO (parte 3), decidi que era hora de me aventurar pelos dois outros caminhos restantes: CAMINHO DOS DIAMANTES e CAMINHO DO SABARABUÇU. E, para isso, resolvi me aprofundar um pouco sobre a história desses dois trajetos, de forma que pudesse fazer uma programação adequada, que se encaixasse na minha semana de férias. Ah, com o detalhe de que o percurso seria feito em um carro comum, sem ser o tal 4×4 – uma preocupação a mais, uma vez que, segundo consta do site oficial, muitos trechos seriam feitos em estrada de terra, dos quais eu não tinha o menor conhecimento acerca das reais condições em que se encontravam.
A ideia seria seguir direto para Diamantina e começar de lá nossa peregrinação. Antes, porém, tivemos dois pneus furados pelo caminho…


Mas toda (boa) aventura que se preze tem seus percalços, não é mesmo? Não vou negar que, no primeiro revés, tive vontade de abortar a missão. Mas consegui recuperar o equilíbrio e depois, mesmo diante de um novo problema, o objetivo se manteve e prossegui na viagem. E foi a melhor coisa que fiz. Afinal, depois dali, tudo deu certo e minha expedição pelos caminhos da ESTRADA REAL foi um sucesso!
Então, vem comigo descobrir todos os encantos dessa fantástica rota turística…

O CAMINHO DOS DIAMANTES foi a principal trilha utilizada pela Coroa Portuguesa, durante o século XVIII, no trecho entre Diamantina e Ouro Preto, que se estende por 395 km ao longo da Cordilheira do Espinhaço. O caminho tinha a intenção de conectar a sede da Capitania, Ouro Preto, à principal cidade de exploração de diamantes, Diamantina – vale ressaltar que em 1729, as pedras preciosas de Diamantina ganharam destaque nas economias brasileira e portuguesa. E foi por lá que começamos.

Fundada no início do século XVIII, Diamantina, localizada no Vale do Jequitinhonha em Minas Gerais, na Serra do Espinhaço, teve sua origem ligada à descoberta de diamantes na região por volta de 1730, o que impulsionou seu desenvolvimento e a transformou em um importante centro de mineração. O município preserva até hoje um conjunto arquitetônico colonial, com casarões, igrejas e ruas de pedra que refletem seu passado histórico e, em reconhecimento à sua importância cultural e histórica, foi declarada Patrimônio Mundial pela UNESCO em 1999. Terra natal de Juscelino Kubitschek e Chica da Silva, a cidade atrai viajantes pela história e por suas belezas naturais.
E, realmente, o visual da Serra do Espinhaço – única cordilheira do Brasil, que se estende por cerca de 1000 km desde Minas Gerais até a Bahia – é deslumbrante! A serra, cujo termo “Espinhaço” foi dado no século XIX pelo geólogo alemão Wilhelm Ludwig von Eschwege, devido à sua formação linear que lembra a coluna vertebral de um animal, vai de Barão de Cocais (MG) até a região de Xique-Xique (BA) e é reconhecida como Reserva da Biosfera pala UNESCO, sendo uma área de transição entre três grandes biomas: Cerrado, Mata Atlântica e Caatinga. Além disso, é uma das maiores produtoras de água do país, alimentando bacias hidrográficas importantes que correm para o Oceano Atlântico.



Chegando em Diamantina, só tive tempo de dar uma rápida caminhada de reconhecimento e fui buscar um lugar para assistir ao primeiro jogo da nossa seleção na Copa do Mundo 2026.


A cidade estava cheia, os bares estavam lotados e, além disso, ainda era dia da VESPERATA, um belíssimo concerto noturno, realizado a céu aberto, composto por Bandas de músicas que se apresentam na tradicional Rua da Quitanda, no centro histórico da cidade, agregada a cultura e gastronomia local. Consegui ver um pouco do espetáculo meio de longe, pois o ingresso para o evento se esgota meses antes…

Finalmente, achei o BAR DO GELSON (@gelsonbrandao_) e, ali, pude relaxar após a exaustiva viagem. E nada melhor que uma caipirinha feita pelo próprio Gelson pra poder entrar no clima…


No dia seguinte, fui até a VILA BIRIBIRI (@vilabiribiri), uma pequena comunidade remanescente do final do século XIX, que faz parte do Parque Estadual do Biribiri. Naquela época, o local abrigava uma grande fábrica da indústria têxtil e, após o seu fechamento, a vila foi deixada de lado, mas alguns habitantes decidiram ficar. Uma parte do terreno foi vendida e algumas casas foram compradas por moradores que só aparecem nos finais de semana. Poucas famílias residem no local diariamente, o que contribui para a atmosfera bucólica e peculiar da vila. Tornou-se um ponto turístico, de grande demanda.






Deu pra perceber porque, apesar de uma relativa dificuldade de acesso, a vila é muito procurada no horário do almoço. Afinal, tem-se um verdadeiro desfile de clássicas iguarias mineiras…




Pude, então, degustar uma cerveja 100% Diamantinense, a CAPISTRANA (@cervejacapitrana) e dentre os estilos que produz – Pilsner, Pale, Red e Ipa – optei por uma Red Ale…

Já de volta, fui conhecer o Mercado Municipal e comprei uma peça de um produto que achei bastante diferente: o requeijão de corte, em especial o tradicional requeijão moreno, que é uma iguaria típica de Diamantina (MG). Caracteriza-se por sua textura firme que derrete na boca e um sabor levemente tostado ou caramelizado. Ele é feito a partir do leite coalhado naturalmente, cuja manteiga é frita e depois misturada à massa, dando cor e liga. 



Não tive dúvidas e assim que cheguei, fui testar o requeijão no estilo “paulista”, no pão na chapa “na entrada”, e ele se comportou muito bem…

Pra almoçar, escolhi o Restaurante GRUPIARA (@rgrupiara) e pedi um lombo à virada mineiro – carne suína, tutu, torresmo, arroz e couve. Com a pimentinha da casa, pra variar…




E, de sobremesa, um pé de moleque do CAFÉ MINEIRO (@cafemineirodiamantina), localizado bem ali, no coração do centro histórico.


Ah, e deu tempo de comprar uma cachacinha de Diamantina…

No dia seguinte iniciei os 395 quilômetros do Caminho dos Diamantes, na companhia da Reserva da Biosfera da Serra do Espinhaço e de suas paisagens encantadoras e exuberantes, uma vez que a estrada, no trecho entre Diamantina e São Gonçalo do Rio das Pedras, é toda percorrida no alto da serra, acompanhado com a visão do Pico do Itambé.
Próximo ao marco 251 encontrei a entrada da Gruta do Salitre, cujo relevo rochoso em forma de ruínas, cânion, fendas e paredões de até 80 metros de altura, a tornam um atrativo imponente e imperdível.


No meio do percurso passei pelo diminuto povoado de Vau – característica que lhe dá um charme especial – e, mais adiante, passei pela ponte que corta o Rio Jequitinhonha, datada do século XVIII para, enfim, chegar no povoado de São Gonçalo do Rio das Pedras, que nasceu com a exploração do ouro. Ali, adquiri um produto caseiro, o vinho de jabuticaba – Minas Gerais tem uma forte tradição no cultivo de jabuticabeiras – produzido pelo ADEMIL (@bardoademil), responsável pelo ponto de carimbo físico no passaporte.




Dali, passei pelo povoado de Milho Verde, que também surgiu no século XVIII e que continha uma espécie de alfândega que controlava a passagem de pessoas e ajudava a combater o contrabando à época, e pelo povoado de Três Barras, antes de chegar ao Serro, que seria a parada desse primeiro dia. Nesse caminho, em um supermercado local, comprei uns pães caseiros e biscoito de polvilho…


Ah, e encontrei também o MATE COURO, um refrigerante brasileiro clássico, originado em Minas Gerais no ano de 1947. Ele mescla extratos de guaraná, chapéu de couro e erva-mate e, como resultado, temos uma bebida refrescante, com um leve amargor no final e com um teor de açúcar inferior ao dos refrigerantes tradicionais. Achei que seria como o nosso Mineirinho, por se utilizar também do extrato de chapéu-de-couro na sua fórmula, mas é bem diferente…

Finalmente cheguei no município de Serro. Já era final de tarde, não havíamos almoçado e minha mulher já estava de péssimo humor por conta disso – a fome, realmente, é uma inimiga nessas horas… Rodamos alguns lugares e todos já haviam encerrado a cozinha. Até que, num lance de sorte, próximo do Airbnb onde ficaríamos, encontrei o Bar e Restaurante ZÉ DE LINDOLFO (@zedelindolfo.serro) que conseguiu nos servir um delicioso Baião de Dois – um com carne, outro com ovo – que serviu para acalmar os ânimos. E, lógico, a cachacinha da região ajudou…




SERRO é uma magnífica cidade histórica e colonial situada na Serra do Espinhaço, no centro-nordeste de Minas Gerais. Reconhecida por suas construções do século XVIII e ruas de pedra, foi o primeiro município a ser declarado patrimônio pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Localizada a 230 km de Belo Horizonte, é famosa mundialmente pelo seu Queijo do Serro, considerado patrimônio imaterial.

A receita deste queijo foi trazida para o Brasil no século XVIII por portugueses que vieram da região portuguesa da Serra da Estrela. Em Minas, a técnica foi adaptada e o queijo do Serro, mais úmido e ácido, é valorizado pelo mercado.
Em 1820, o viajante Saint-Hilaire já destacava a tradição pecuária da Comarca do Serro do Frio. No final da última década de 20 e início da década seguinte, a abertura de uma estrada de ligação entre as cidades do Serro e Conceição do Mato Dentro levou o queijo para a capital mineira. Em 1958 e 1959, o Instituto Cândido Tostes destacou em publicação a relevância do produto para a região.
A produção da iguaria tem estreita ligação com a comunidade, motivo que levou a Associação de Amigos do Serro e Secretaria de Cultura do governo mineiro a enviarem ao IPHAN o pedido para reconhecimento da técnica de produção como patrimônio imaterial, cujo processo foi concluído e anunciado oficialmente em 15 de maio de 2008.
O reconhecimento patrimonial incluiu os queijos Canastra e Serra do Salitre, outros queijos artesanais produzidos em Minas. Seis anos antes, o IEPHA já havia tombado a técnica de fabricação como patrimônio imaterial.
Em 2011, recebeu o registro de Indicação Geográfica (IG), garantido pela Lei 9.279/96, o que assegura aos produtores da região do Serro o direito exclusivo de identificá-lo pela localidade.
Na última semana do mês de setembro, o queijo é celebrado na cidade do Serro com uma festa formada por concurso leiteiro, shows e vaquejada. (Wikipédia)

Como o forte do município é o queijo – e eu até já estou virando um especialista no assunto – fui atrás de algum lugar em que pudesse degustar alguns exemplares da região. Encontrei uma loja física do SERRO DO QUEIJO (@serrodoqueijo) e lá pude experimentar uma boa variedade, inclusive premiados internacionalmente, como o Queijo Maria Nunes. Quilombo, Dona Iaiá, Santana e Ouro Fino.




Ah, e tinha também um “queijolé”, um picolé utilizando o queijo do Serro…


Também deu tempo pra uma cervejinha da região: uma Cream Ale – estilo americano de cerveja que surgiu no final do século 19, como uma variação das populares Pilsners e se caracterizam por serem claras, de boa carbonatação e seu amargor é sutil, mas bastante equilibrada com o sabor maltado – da SERROBIER (@serrobier).

Definido que a próxima parada seria em Conceição do Mato Dentro, partimos logo cedo. Havia um bom caminho pela frente, do qual não sabíamos as condições. A primeira parada desse trecho foi em Alvorada de Minas, seguido de Itapanhoacanga, Santo Antônio do Norte (Tapera) e Córregos.
Apesar de passar pelo caminho por inúmeras igrejas históricas, a maioria delas estava fechada. Algumas exceções, no entanto, recompensaram as frustrações, como foi o caso da Igreja Matriz de Nossa Senhora Aparecida, localizada no distrito de Córregos, em Conceição do Mato Dentro, que foi totalmente restaurada e entregue à comunidade em 2025.




O trecho é caracterizado por subidas e descidas, ora leves ora mais acentuadas, emoldurada por uma paisagem de grande beleza, sempre com a Serra do Espinhaço ao fundo e, também, a Serra do Caraça, Serra do Intendente e de São José. No marco 324 tem-se o ponto máximo do esplendor…


Tive que entrar na cena. Afinal, eu estava ali pra contemplar toda essa beleza…

E ela também…

Pelo caminho entre Serro e Conceição do Mato Dentro adquiri alguns produtos nos mercados locais. Confiando na minha memória, não anotei, o que se revelou em um erro crasso – afinal, com a idade, a gente deve anotar tudo, sob pena de esquecer… Mas fica aqui o registro: comprei uma linguiça defumada local, sem rótulo, que se mostrou divina!



Em todo o caminho, é muito interessante observar as igrejas, que refletem o apogeu da mineração no século XVIII. Elas são marcadas pela arquitetura colonial mineira, destacando-se pelo exuberante estilo barroco e rococó, fachadas singelas que contrastam com interiores ricamente ornamentados com ouro, pinturas detalhadas e obras de artistas históricos como Aleijadinho e Mestre Ataíde.

Chegando em Conceição do Mato Dentro tive a grata surpresa de saber que, bem naquele período, estava sendo comemorado uma das maiores manifestações religiosas e culturas de Minas Gerais, o Jubileu do Senhor Bom Jesus de Matosinhos – no caso, o de número 239.
O Jubileu do Senhor Bom Jesus do Matozinhos é a maior festa da cidade e é realizada desde o ano de 1787, no período de 13 a 24 de junho. Nessa época, a cidade se transforma com a vinda de milhares de romeiros e com intensa movimentação de fiéis e de comerciantes que se instalam na colina do Santuário durante a festa, para agradecer ou implorar graças ao Bom Jesus.
A festa, embora tenha também conotação social e comercial decorrente do fluxo de romeiros e visitantes, conserva seu caráter religioso. Há missas e exposição do Santíssimo Sacramento durante 11 dias, sendo que no último a imagem sai em procissão.
O número de fiéis é tão grande que, no ano de 1844, o padre Bento Godim pediu ao Bispo de Mariana autorização para que todo sacerdote que aparecesse em Conceição do Mato Dentro, por ocasião do Jubileu, pudesse receber confissões e pregar. Ficaram assim asseguradas, aos milhares de visitantes, condições para que exercessem sua fé e devoção. (fonte)

Logicamente, fui conhecer o evento. Muitas, muitas, muitas barracas, vendendo de tudo, espalhadas pelo entorno do Santuário.



Encontrei no meio da festa a DI ANGU (@di.angu), especializado em fazer pastel de angu e não tive dúvidas de que ali seria minha parada.


O mais interessante, no entanto, foi descobrir acerca da rivalidade existente entre Conceição do Mato Dentro e Itabirito, que reivindicam o título de capital do pastel de angu e, segundo pesquisei, essa rivalidade gastronômica envolve argumentos históricos bem consolidados de ambos os lados. Ah, e só pra constar que ainda temos a cidade de Machado, no Sul de Minas, também pleiteando ser o berço da iguaria…
A Origem em Itabirito: a versão mais documentada indica que o pastel de angu surgiu por volta de 1851 na Fazenda dos Portões, em Itabirito (na Região Central mineira). Duas escravizadas, Maria Conga e Filó, aproveitaram sobras de angu e pedaços de carne, misturaram fubá e polvilho para criar a massa, e fritaram o quitute. O sucesso fez com que a receita chegasse à Casa Grande. Devido a essa relevância histórica, o Modo de Fazer Pastel de Angu de Itabirito foi tombado como Patrimônio Imaterial do município.
A Tradição em Machado: no Sul de Minas, a cidade de Machado atribui a origem do pastel de fubá ao final do século XIX, nas antigas fazendas cafeeiras. Preparado por escravizadas, a iguaria passou das senzalas para as cozinhas e adaptou-se com o passar do tempo. A tradição de consumir o pastelzinho com o café local é tão forte que o município formalizou seu Registro do Pastel de Fubá como Patrimônio Cultural Imaterial.
O Pastel em Conceição do Mato Dentro: em Conceição do Mato Dentro, na região do Espinhaço, acredita-se que o pastel de angu tenha surgido de forma independente durante o período do garimpo. A receita, passada de geração em geração, tornou-se marca registrada da cidade. O quitute faz parte da identidade local da Gastronomia de Conceição do Mato Dentro, sendo celebrado em festividades e no dia a dia da comunidade.
Por enquanto, independente de quem tenha razão, o certo é que irei experimentar os três… Começando por esse, de Conceição do Mato Dentro, feito pela DI ANGU, em diversas versões: de carne, de alho poró e frango com ora-pro-nóbis…

Deu tempo, ainda, de visitar a Cachoeira do Tabuleiro, uma queda-d’água brasileira, situada na serra do Espinhaço, no município de Conceição do Mato Dentro. É mais alta de Minas Gerais e a terceira maior do Brasil. São 273 metros de queda livre formada a partir de um paredão de beleza monumental. Como era uma época de seca, o volume de água não era grande, mas já deu pra ter uma ideia da beleza. Na saída do parque, os funcionários me mostraram fotos de períodos de água plena…




Novamente na estrada…

Uma pequena curiosidade: no caminho, encontramos esse espaço dedicado ao Domingos Albino Ferreira, popularmente chamado de Dominguinhos da Pedra, que morava numa caverna na estrada entre Morro do Pilar e Santo Antônio do Rio Abaixo, possuía um violão com apenas duas cordas e havia se tornado um eremita após apaixonar-se por uma das filhas de um fazendeiro que era seu patrão.



Passamos por Morro do Pilar, Itambé do Mato Dentro até chegar em Ipoema, bem na hora em que a fome apertou. Ali, almoçamos uma comida mineira deliciosa no BAR E RESTAURANTE DO PAULINHO (@restaurantepaulinho), enquanto aguardávamos abrir o local onde pegaríamos o carimbo no passaporte. Foi interessante observar que muitas das cidades pelas quais passamos fecham os estabelecimentos no horário do almoço…








A COZINHA ESCOLA DE BARÃO DE COCAIS foi idealizada pela educadora e gastrônoma MARILLAC LUÍZA CELESTINO (@marillaccelestino), com o propósito de utilizar a gastronomia como instrumento de transformação social, qualificação profissional, valorização da cultura alimentar e desenvolvimento econômico. Em 2019, o projeto foi incorporado ao Plano de Compensação e Desenvolvimento do município, fruto da parceria entre a Vale S.A. e a PREFEITURA DE BARÃO DE COCAIS (@prefeiturabaraodecocais), tornando-se um legado permanente para a comunidade.

Sua implantação foi realizada pelo Joaquim Artes & Ofícios e, posteriormente, a gestão passou ao INSTITUTO GASTRONÔMICO COLHER DE PAU (@institutocolherdepaubc), organização criada para assegurar a continuidade e a expansão das atividades. Embora fundadora e idealizadora da iniciativa, Marillac atua de forma voluntária como mentora e articuladora do projeto.
Desde sua criação, a COZINHA ESCOLA DE BARÃO DE COCAIS já capacitou mais de 1.800 pessoas em cursos e oficinas voltados à gastronomia, panificação, confeitaria, empreendedorismo e gestão de pequenos negócios, contribuindo para a geração de renda, criação de empreendimentos e inserção no mercado de trabalho.
Além da formação profissional, o projeto fortalece a identidade cultural de Barão de Cocais ao preservar a gastronomia regional como patrimônio imaterial e atrativo turístico da Estrada Real. Como nova etapa, o Instituto desenvolve o Café Empório, espaço destinado à comercialização dos produtos elaborados por alunos e ex-alunos, incentivando o empreendedorismo, a economia criativa e o turismo local.
Atualmente, a COZINHA ESCOLA é reconhecida como um dos principais legados do Plano de Compensação do município, demonstrando que educação, gastronomia, cultura e empreendedorismo podem transformar vidas, fortalecer a economia e valorizar o patrimônio cultural de Barão de Cocais.
Certamente, depois de conhecer todo o projeto, não poderia deixar de levar alguns dos produtos que estavam ali disponibilizados… E só pra finalizar: todos estavam deliciosos!






A próxima parada foi em Santa Bárbara, uma charmosa cidade histórica do Circuito do Ouro e da Estrada Real, famosa por sua arquitetura colonial dos séculos XVIII e XIX.

Localizada a apenas 100 km de Belo Horizonte, é conhecida como a “Capital do Mel” e fica aos pés da imponente Serra do Caraça, abrigando o maior entreposto de Minas Gerais e uma das marcas mais tradicionais do país. A apicultura local se destaca pelo sabor agradável e a coloração âmbar. O “Mel Santa Bárbara” é a maior indústria da região com mais de 40 anos de história, premiada internacionalmente por sua qualidade. Pra ilustrar esse meu artigo, não poderia voltar dessa expedição sem um exemplar…

Resolvemos ficar por Santa Bárbara e, à noite, fui conhecer o CAFÉ COM MALTE LOUNGE (@cafecommaltesb), que funciona na antiga Casa de Câmara e Cadeia, um dos marcos arquitetônicos mais emblemáticos da cidade e da Serra do Caraça e tombado pelo IEPHA e pelo Conselho Municipal do Patrimônio Cultural.

A Antiga Cadeia de Santa Bárbara possui estrutura retangular e planta desenvolvida a partir de um corredor central, ladeado por salas e compartimentos que antes serviam às funções administrativas e prisionais. O edifício apresenta paredes em alvenaria de pedra, cunhais e vãos em cantaria aparente, degraus em pedra e cobertura de quatro águas, característica comum das edificações mineiras do final do século XIX. A fachada principal chama a atenção pela simetria perfeita: cinco janelas na parte superior correspondem às quatro janelas e à porta central do pavimento térreo. As janelas inferiores são protegidas por grades de ferro maciço, enquanto as superiores mantêm o charme das venezianas e bandeiras de vidro, permitindo iluminação natural e ventilação. Detalhes como as molduras triangulares sobre as vergas e os beirais em cimalha de massa demonstram a elegância e a funcionalidade do estilo arquitetônico da época. Esses elementos tornam o prédio uma verdadeira aula de história para quem se interessa por arquitetura colonial e republicana em Minas Gerais. (fonte)





Ali, pedi um bolinho “Segredo de Cocais”, uma receita preservada pela quitandeiras de Cocais, feita com linguiça caipira em massa dourada, com queijo minas derretido, acompanhado de geleia da casa.


E para coroar a experiência, uma American Amber Ale – cerveja tipicamente americana, robusta, encorpada e saborosa – da CERVEJARIA FLORESTA ÉLFICA (@cervejariaflorestaelfica), de Catas Altas/MG, coincidentemente nosso próximo ponto de coleta de carimbo no passaporte.

Infelizmente, por conta do cronograma apertado, não tive como me desviar até o SANTUÁRIO DO CARAÇA, que é uma visita que, a contar pelas imagens que já vi, deve valer muito a pena. Fica para uma próxima vez… Por sorte, deu tempo pra trazer uma cachacinha da região.

Mas tinha uma surpresinha antes de chegar a Catas Altas…
O Aqueduto Bicame de Pedra foi construído por escravos em 1792, para captar água da Serra do Caraça até Brumado, onde o ouro era extraído e lavado. Hoje ainda restam cerca de 100 metros do monumento. Uma escadaria incrustada na lateral do portal dá acesso à parte superior do aqueduto.



Chegamos a Catas Altas, um charmoso município histórico mineiro a 120 km de Belo Horizonte e a 65 km de Ouro Preto, situado aos pés da imponente Serra do Caraça.


Estacionado ali, na praça principal. encontrei dois curiosos exemplares – dois veículos que traziam, na lateral, torneiras de chope artesanal, da região. Para minha tristeza, ainda era muito cedo e não havia ninguém… Tive que me contentar apenas com as fotos…





Depois passamos por Morro D´água Quente, Santa Rita Durão e Camargos – todos com carimbos virtuais, no aplicativo – e, finalmente, Mariana de Ouro Preto, que já foram objeto dos artigos anteriores.




Antes de encerrar o artigo sobre esse primeiro trecho da minha viagem, gostaria de fazer alguma considerações, que considero pertinentes – e (muito) preocupantes.
De início, a rota coincide com a Cordilheira do Espinhaço, uma região que não mudou tanto desde a época colonial e possui paisagens realmente deslumbrantes. Porém, acho que, a partir de Catas Altas – um pouco antes ou um pouco depois, não importa! – fui me deparando com avisos de “rota de fuga”, “ponto de encontro”, “início de área de risco” quase que de 50 em 50 metros, o que me deu uma baita agonia. Certamente, essas placas foram resultados do trágico acidente de Brumadinho, mas elas nos mostram que muito pouca coisa mudou desde então. As mineradores fazem o que querem, são caminhões e caminhões circulando o tempo todo, as estradas ficam com aquele aspecto “sujo”, de terra e poeira. A gente olha pra serra no entorno e o que vê? Degradação… Não há, ao meu sentir, qualquer fiscalização ou preocupação real com o meio ambiente. Se algo der errado, a mineradora faz um agrado – pavimenta uma rua, reforma uma praça – e tudo fica do mesmo jeito.

A sensação que se tem ao se trafegar por essas áreas, com esses avisos alarmantes pelo caminho, é a pior possível. Dá medo e insegurança, ainda que se esteja a uma distância relativamente grande do ponto de risco efetivo.
Acho que está na hora de se ter pulso firme e retomar o controle da situação.
É fato de que Minas Gerais possui um dos setores de mineração mais robustos do mundo, sendo um pilar vital da economia nacional. São gigantes como Vale, Anglo American, CSN Minaração, Kinross Gold Corporation, AngloGold Ashanti e outras, que operam na extração de minério de ferro, ouro, nióbio, lítio e outros metais estratégicos. Mas isso não pode servir de pretexto pra uma anunciada destruição do ambiente como o que eu testemunhei ao passar pela região.
Acho, sim, que vale a reflexão. E o alerta.

Depois de cinco dias intensos, finalizamos – com sucesso! – o CAMINHO DOS DIAMANTES. Foi mais uma experiência fantástica pela maior rota turística do país. Foi, realmente, como viajar no tempo, conhecendo Minas Gerais pela mesma rota usada pelos tropeiros e exploradores que moldaram a história da região. Essas estradas serviam, séculos atrás, para transportar riquezas como ouro e diamantes, mas hoje, são um convite irrecusável para explorar a riqueza cultural e histórica de um Brasil ainda preservado e esperando ser descoberto…
E não acabou ainda. No próximo artigo, convido todos vocês a continuarem comigo nessa incrível aventura, desbravando o CAMINHO DO SABARABUÇU, o menor dos quatro caminhos da ESTRADA REAL, mas que traz muitas surpresas…
Espero vocês!













