
Foto: Natália Anjos
Quais corpos enfrentam mais obstáculos para circular pela cidade? E para quem, afinal, os espaços urbanos são pensados? Essas questões saem das ruas e chegam ao palco em “Paragem”, espetáculo inédito de dança contemporânea idealizado por Júlia Fernandez e Luna Leal, que estreia no dia 8 de outubro, no Multiuso do Sesc Copacabana. A temporada terá oito apresentações com Libras e audiodescrição. A peça foi contemplada no Edital de Cultura Sesc RJ Pulsar e conta com a produção da eLabore.Kom.
Ao transformar o cotidiano dos deslocamentos em matéria coreográfica, “Paragem” aproxima dança, cidade e cidadania e propõe enxergar a mobilidade não apenas como a possibilidade de ir de um ponto a outro, mas como um direito que interfere diretamente no acesso ao trabalho, à educação, à saúde, à cultura e ao lazer.
A montagem parte, assim, de uma pergunta aparentemente cotidiana — como nos deslocamos pela cidade? — para chegar a questões maiores: quem consegue circular livremente? Quais corpos encontram mais barreiras? Quais regiões são mais acessíveis? Quanto da vida é consumido nos trajetos? E, afinal, para quem essas cidades são construídas?
Com “Paragem”, a dança contemporânea se torna uma linguagem para observar a cidade e as suas tensões, transformando aquilo que milhares de pessoas experimentam todos os dias em movimento, reflexão e provocação.
“Em Paragem queremos recriar os estados, remontando histórias cotidianas que deslizam entre memória e esquecimento. Paragem é o sonho de Central Deriva, só que vindo depois. A proposta é enfatizar os estados de suspensão no meio da correria do dia a dia, aquele devaneio que surpreende e te pega no meio da passagem. O projeto de pesquisa começa a partir da nossa experiência nos transportes públicos. O deslocamento entre lugares, os passageiros que frequentam, os sons que preenchem esses espaços se tornam material, referência, para a criação das cenas e das coreografias. A pesquisa procura se aproximar das performances cotidianas para a partir delas enfatizar a dança que já acontece. A dança contemporânea como intermediária da expressão, que comunica ao espectador sem necessariamente a urgência de uma fala”, comenta Julia.
Ao longo das 07 cenas, a montagem transforma em movimento experiências que fazem parte da rotina das cidades. Longos deslocamentos, espera, barreiras físicas e sociais, transportes e desigualdades no acesso aos diferentes territórios da cidade.
A partir de um desdobramento do projeto Central Deriva, concebido originalmente para realizar apresentações em plataformas de trem do estado do Rio de Janeiro, “Paragem” leva para a cena as sensações, tensões e contradições experimentadas por quem utiliza esses meios de transporte.
Na produção, o corpo funciona ao mesmo tempo como território e instrumento de investigação. Percursos aparentemente banais — caminhar, esperar, embarcar, atravessar e chegar — ajudam a construir uma narrativa artística sobre uma questão que vai além do transporte: o direito à cidade.
“Eu espero que Paragem chegue ao público como uma experiência de encontro e de reconhecimento. A cidade é atravessada por todos nós, mas cada corpo experimenta seus deslocamentos de uma maneira diferente. O espetáculo nasce desse olhar para os corpos que circulam, esperam, atravessam, disputam espaço e, por vezes, precisam parar. Paragem coloca em discussão como as desigualdades sociais também determinam quem pode circular, quanto tempo cada pessoa precisa gastar em seus deslocamentos e quais barreiras diferentes corpos encontram pelo caminho, reflete” Luna Leal.
Pensando sobre a concepção, Paragem é um desdobramento da pesquisa iniciada em Central Deriva. Tudo o que foi experimentado e construído para aquele trabalho, agora ganha outros contornos , aberturas, caminhos, são novas formas de ver o mesmo. Desejo que o espectador seja atravessado pelas questões levantadas, que acesse memórias, texturas, cheiros e sonhos. Paragem é um convite para sonhar”, finaliza Luna.
Acessibilidade dentro e fora do palco
Todas as apresentações contarão com intérprete de Libras e audiodescrição, além de ações de mobilização e sensibilização voltadas especialmente às pessoas com deficiência.
O projeto prevê ainda transporte para esse público, buscando enfrentar uma contradição que dialoga diretamente com a própria temática do espetáculo: não basta tornar uma atividade cultural acessível dentro do teatro se as barreiras para chegar até ela continuam excluindo parte da população.
A própria formação da equipe acompanha essa proposta. O projeto reúne profissionais diversos, com predominância de mulheres e participação de pessoas com e sem deficiência, reforçando o compromisso com a pluralidade de corpos, experiências e perspectivas.
FICHA TÉCNICA:
Realização: Sesc Rio
Idealização: Plataforma Central Deriva
Produção: eLabore.Kom
Diretora Artística, Coreógrafa e Bailarina: Júlia Fernandez e Luna Leal
Co-Direção: Henrique Manoel Pinho
Cenografia: Sara Fagundes
Figurino: Alice Cruz
Assistente de Figurino: Silvana Rocío
Iluminação: Wladimir Alves
Trilha Sonora: Lucas Torres
Direção de Produção: Kirce Lima
Produção Executiva: Luana Bezerra
Gestão Financeira: Jacqueline da Silva
Fotógrafa: Natália Anjos
Cinegrafista: Bruno Menezes
Assessoria de Imprensa: Alessandra Costa
Gestão de Mídias Sociais: Marcela Cavalcanti
Consultoria de Acessibilidade: Vanessa Buna
Intérprete de Libras: Árvore Vicente
SERVIÇO
Paragem – espetáculo de dança contemporânea
Temporada: 8 a 18 de outubro de 2026
Dias: quinta-feira a domingo
Horários: quintas e sextas, às 19h; sábados e domingos, às 17h
Local: Multiuso do Sesc Copacabana
Endereço: Rua Domingos Ferreira, 160 – Copacabana – Rio de Janeiro/RJ
Ingressos: R$ 40 (inteira); R$ 36 (conveniados); R$ 31 (conveniado empresário); R$ 28 (Credencial Plena Sesc); R$ 20 (meia-entrada); gratuito para público PCG
Classificação indicativa: 14 anos
Acessibilidade: apresentações com Libras e audiodescrição
Informações: (21) 3180-5226
Bilheteria: terça a sexta, das 9h às 20h; sábados, domingos e feriados, das 13h às 19h.









