Rio Montreux Jazz Festival: Evento encerra sua 2ª edição e organização já avalia formato híbrido para 2021

Foto: Marcos Hermes

Último dia do evento, transmitido na íntegra pelo YouTube, celebrou o aniversário de Milton Nascimento, promoveu primeiro show de funk instrumental da história e reuniu Toquinho e Yamandu Costa

 

A segunda edição do Rio Montreux Jazz festival chegou ao fim na noite deste domingo (25) após 22 horas de música, divididas em 23 apresentações, que reuniram mais de 250 músicos. Foi um sopro de alegria para a cultura do país em um ano marcado pela pandemia e festivais cancelados no mundo todo. Único Montreux Jazz Festival realizado este ano, o evento teve transmissão gratuita pela internet e foi acompanhado por mais de 200 mil pessoas – contra as 28 mil que estiveram presentes no evento físico do ano passado. O sucesso foi tão grande que organização já avalia ter um formato híbrido em 2021.

“O brasileiro tem esta capacidade de se reinventar, mesmo com todas as adversidades. E o melhor de tudo é que nos comprometemos e entregamos da melhor forma possível. Sempre surpreendemos positivamente e isso é maravilhoso.  Uma reinvenção que entra para a história e que estamos avaliando se permanecerá. Entregamos uma qualidade tamanha que fica difícil imaginar uma edição apenas presencial do Rio Montreux Jazz Festival”, conta Marco Mazzola, idealizador do evento.

Já para Claudio Romano, CEO da Dream Factory, a realização do festival foi uma prova de coragem da organização:

“Estamos sempre trabalhando para levar o melhor do entretenimento às pessoas e com a edição virtual do Montreux não foi diferente. Queríamos fazer mais do que uma live e entregamos ao público uma experiência única e muita música de qualidade. Esta edição marcou nossa história e certamente a história do jazz mundial, que ecoou por 24 países, além do Brasil”, acredita.

A terceira noite do festival foi marcada por uma apresentação que celebrou a obra de Milton Nascimento, conectando o Bituca ao coral Sing Harlem, de Nova York, e que ainda contou com as participações de Samuel Rosa e Maria Gadu. “Isso é icônico. Ninguém nunca imaginou assistir isso. Um show para ficar eternizado na memória de todos. São apostas que ficam para a vida, encontros que dão tão certo que parecem que sempre existiram, mas que na verdade foram criados aqui”, celebra Mazzola, que há tempos queria homenagear o músico e pensou no show para comemorar o aniversário do artista, que completa 78 anos nesta segunda-feira.

Do Afrofuturismo ao funk instrumental  

O primeiro artista a subir ao palco neste domingo foi o maior violoncelista do mundo, Jaques Morelenbaum. O artista se apresentou com seu trio tocando composições próprias e também músicas de grandes nomes da MPB, como ‘Eu vim da Bahia’, de Gilberto Gil’ e ‘Vai passar’, de Chico Buarque.  Em seguida, o garoto estandarte do jazz carioca, Jonathan Ferr, levou ao festival um repertório autoral marcado por referências do Afrofuturismo.

“Estou cada dia mais buscando uma conexão com minha ancestralidade para olhar para o futuro, quem eu sou, quem eu fui e quem eu serei. O Afrofuturismo fala sobre presente, passado e futuro e assim eu quero que seja a minha música, que atravesse gerações”, conta o artista.

A clarinetista e saxofonista israelense, Anat Cohen, parecia estar em casa ao se apresentar com músicos convidados num show repleto de música brasileira. De Caetano Veloso a Dorival Caymmi, a artista mostrou toda sua intimidade com a sonoridade do país. Já o quarto artista da noite, apesar de bastante conhecido do público, apresentou uma nova versão de seu trabalho. Sergio Dias, fundador dos Mutantes, fez um show totalmente instrumental com composições próprias de jazz.

O encontro mais esperado da noite foi entre um ícone da música nacional e um dos maiores violonistas do país. Toquinho e Yamandu Costa mostraram a quem acompanhava a transmissão pela internet o verdadeiro significado da palavra virtuosismo ao interpretarem grandes sucessos da MPB, como ‘Asa Branca’ e ‘Samba em prelúdio’. Músicas próprias não poderiam faltar no repertório, que contou com ‘Apelo’, de Toquinho com Vinicius de Moraes, e ‘Sarará’, de Yamandu.

O show principal da noite foi o penúltimo desta edição e diminuiu a distância entre Minas Gerais e Nova York. O Sing Harlem se apresentou dos Estados Unidos, trazendo um pouco da música gospel para o evento. Já Milton Nascimento estava em sua casa, em Juiz de Fora, quando entoou os primeiros versos de ‘Nada será como antes’ e foi acompanhado pelo coral. Logo após cantar outros clássicos como ‘Canção da América’, o artista recebeu Maria Gadu para um dueto de ‘Um girassol da cor do seu cabelo’. Samuel Rosa também participou da apresentação em homenagem à obra de Bituca, que terminou com os três brasileiros cantando ‘Paula e Bebeto’ – uma composição do aniversariante Milton Nascimento com Caetano Veloso.

A segunda edição do Rio Montreux Jazz Festival chegou ao fim com um show histórico e inusitado, a primeira apresentação totalmente instrumental funk. Os músicos da Funk Orquestra fizeram um passeio pela história do ritmo com clássicos de Bob Rum e MC Marcinho, passando pela poderosa Anitta e chegando até as batidas mais recentes de MC Kevin O Cris. E para mostrar que não era mesmo para ninguém ficar parado, dançarinos do passinho ensinaram ao mundo como dançar o legítimo funk carioca.

 

Confira algumas imagens do dia do encerramento:

 

 

Sobre o Rio Montreux Jazz Festival    

O Rio Montreux Jazz Festival aconteceu pela primeira vez em 2019, quando reuniu, ao longo de quatro dias, milhares de pessoas para acompanhar mais de 40 atrações, divididas em oito palcos. Em 2020, o festival acontece de forma virtual e gratuita com shows inéditos e exclusivos. O Festival será transmitido de quatro lugares diferentes: Rio de Janeiro (Hotel Fairmont Rio de Janeiro Copacabana), Minas Gerais, Los Angeles e Nova York, onde se apresentarão grandes nomes nacionais e internacionais, com uma característica bem conceitual do festival de Montreux na Suíça: os encontros exclusivos.

O Rio Montreux Jazz Festival 2020 é apresentado pelo Ministério do Turismo e pela Mastercard, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura com apresentação da Mastercard, patrocínio do Fairmont Rio de Janeiro e realização Dream Factory, MZA Music, SECRETARIA ESPECIAL DA CULTURA, MINISTÉRIO DO TURISMO e Pátria Amada Brasil Governo Federal.

 

 

 

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