IMPRESSÕES DE UM SIMPLES MORTAL PASSEANDO PELO PARAÍSO

Não deu pra entender o título da coluna? Perdoem-me, mas foi o mais próximo que consegui para descrever um pouco da sensação daquele momento e, de certa forma, foi bem assim mesmo – um simples mortal! – que me senti durante a visita que fiz ao evento “Rio Gastronomia” na sexta-feira, dia 24/08 – o paraíso. Parecia uma criança caindo de paraquedas no meio de um parque de diversões em pleno funcionamento. Não sabia nem mesmo por onde começar… O evento aconteceu nos Armazéns 3 e 4 do Pier Mauá, entre os dias 17 a 26 de Agosto.

A primeira vontade era a de sair correndo pra aproveitar o máximo, já que não tinha muito tempo assim. Era a primeira vez que ia a um evento direcionado para a área que abracei como estilo de vida. Como me propus estudar tudo o que fosse relacionado a arte de cozinhar, desde visitar os restaurantes conhecidos, descobrir os encantos da culinária regional e provar de tudo, inclusive daquilo que antes não tinha acesso, o evento “Rio Gastronomia” me pareceu uma bela porta de entrada. Realmente, não poderia haver tema melhor pra meu segundo artigo desta minha coluna no ARTECULT do que esse!

Inicialmente, fiz uma avaliação do espaço. Caramba! Era enorme, apinhado de gente e com uma variedade (quase) infinita de coisas pra fazer e experimentar, algo que demandaria dias inteiros, com calma de monge… E eu não tinha nem o dia inteiro, tampouco a tal calma tibetana. Já eram mais de sete horas da noite e eu tinha que correr, se quisesse ter o gostinho de vivenciar aquele evento e extrair um pouco do que ele tinha para me oferecer.

Eu já havia lido que o “Rio Gastronomia” teria um leque bem amplo de palestras, com diversos profissionais da área e, de antemão, eu já sabia que seria bem difícil conseguir assistir a algumas delas. De uma certa maneira, já havia me conformado com isso. Sabia que não tinha o dom da ubiquidade – já que eram auditórios e espaços diferentes no mesmo horário – e nem a paciência e o tempo suficientes para ficar em filas, enquanto o resto da feira ficava ali, como que me chamando para possuí-la…

De verdade? Quando vi o enorme “cardápio” das aulas com os chefs e especialistas que ocorreram durante os dias do evento, imaginei o quanto eu gostaria de ter assistido a todas elas. De fato, teria sido uma experiência e um aprendizado impagáveis!

Mas, às vezes, é preciso ter sorte, não? E não é que ela me sorriu? Talvez tenham sido os deuses da gastronomia que, lá de cima, fizeram com que eu andasse rápido pelos espaços, sem parar em stand nenhum – apesar da grande vontade de estacionar em todos eles! – e encontrasse uma das inúmeras palestras ainda com vagas e prestes a começar.

Não tive dúvidas. Quando vi, já estava sentadinho, esperando o início, com um misto de ansiedade… E fome! Era a palestra da chef Mônica Rangel, do restaurante “Gosto com Gosto” de Visconde de Mauá/RJ, intitulada “Identidade gastronômica – A valorização do pinhão na culinária fluminense”.

Coincidentemente, o pinhão é uma iguaria que eu comia muito lá em Itanhandu, sul de Minas Gerais, onde morei da infância até meus dezoito anos. Então, além da curiosidade natural pela aula da chef, utilizando um ingrediente tão familiar, tinha ainda uma certa curiosidade afetiva. E, posso dizer com toda a certeza: foi uma grande escolha ter ido direto pra essa aula!

Monica Rangel falou sobre o produto, suas características e utilização, e da tradicional Festa do Pinhão que acontece no mês de maio em Visconde de Mauá e, de quebra, fez uma barriga de porco prensada com pinhão triturado acompanhado de um purê de batatas, também com pinhão. E teve – oba! – degustação. A foto que consegui tirar, com toda a certeza do mundo, não faz jus ao sabor incrível do prato. Eu, se pudesse, comeria esse pequeno pedaço de prazer “em quantidades absurdas”… Posso dizer que comecei esta minha aventura gastronômica com o pé direito.

E aí, depois dessa primeira (encantadora) experiência, passei a caminhar pelos galpões 3 e 4 do Pier Mauá, experimentando de tudo o que eu pudesse. E lá foram azeites, linguiças, cachaças, queijos de cabra, doces, cafés, molhos artesanais. Perdi a conta de todos os expositores pelos quais passei.

Lá pelas tantas, me deparei com o stand do Claude Troigros. Puxa, quem nunca ouviu falar ou não é fã desse cara? Esse francês, de sotaque simpático, é considerado um grande expoente da gastronomia mundial, com interessantes cardápios fusion entre as cozinhas clássica francesa e a brasileira. E ele, na forma de um prato, estava ali, diante de mim, esperando que eu o abocanhasse. E assim eu fiz, com gosto. Agora, já posso dizer que sei o destino que darei àquela farinha panko que ainda tenho guardada em casa…

Depois desse novo êxtase gastronômico, fiquei empolgado e saí caçando novidades. Primeiro, caminhei pela área dos trucks – sim, eles estavam lá! – e resolvi bater um sanduba chamado “porchetta”.

Em seguida, encontrei o stand do Belmond Copacabana Palace e fui de polvo com batata ao murro e molho romesco e uma sobremesa divina, no formato de tangerina, que era um mousse de baunilha, creme de tangerina e crocante de avelãs.

Para onde eu olhasse, tinha algo que eu gostaria de experimentar ou de saber maiores detalhes. Me desculpem se os números não são esses, mas acho que eram 17 restaurantes, 20 produtores, 10 cachaças diferentes, além de outras coisas que não deu pra contar ou que me fugiram. Para uma primeira vez, me diverti muito!

Minha cavidade abdominal, por certo, apesar de avantajada, não comportaria todas aquelas delícias de uma só vez. Então, tive que me contentar e apenas fazer, quando muito, um exercício de imaginação, pensando experimentar todos os outros pratos ali disponíveis.

Aí foi chegando minha hora. Apesar de eu já ter me preparado para morar ali, sabia que isto não era possível e que, numa determinada hora, algum armário travestido de segurança iria me colocar para fora. Antes disso, resolvi colocar minha viola, com sensações e aprendizado, no saco e sair de fininho…

Já era tarde quando deixei os galpões para trás, não sem antes dar uma olhadinha e, mentalmente, dizer um até breve. Numa próxima edição, baterei cartão na abertura. Simplesmente, valeu muito – MUITO! – a pena ter vivido essa experiência.

Grato aos deuses da gastronomia.

DEL SCHIMMELPFENG

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Del Schimmelpfeng
Del Schimmelpfeng é Analista Judiciário do TJERJ, mas desde que se lembra - e coloca tempo nisso! - ama cozinhar! Apesar de ter feito as faculdades de arquitetura e direito, é se misturando aos pratos, panelas e temperos que se sente inteiro, completo, pleno. É autodidata, nunca fez curso de culinária, tampouco se imaginou um profissional da área. Considera-se apenas um curioso, que procura o conhecimento em tudo e que tenta, de todo jeito, viver da melhor forma possível - apesar de todas as dificuldades. Afinal, não haveria graça se elas não existissem... Participou da décima nona edição do reality "Jogo de Panelas", apresentado por Ana Maria Braga no programa "Mais Você" da Rede Globo, sagrando-se campeão. Possui, ainda, textos publicados em livros de conto e poesia. Blog: http://delschimmelpfeng.blogspot.com

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