As chamas que nos consomem

Hoje está sendo muito difícil escrever para o Artecult.com, pois escrevo como se fosse narrar a morte de um parente muito próximo. As lágrimas correm pela minha face e ainda ardem dentro do meu peito as chamas que consumiram a quase totalidade um dos maiores museus do mundo.

Sim. O Brasil ainda é grande e parece que as nossas grandiosidades são as mais negligenciadas.

Nosso povo, nosso território, nossos acervos do Museu Nacional, do Arquivo Nacional, da Biblioteca Nacional, do Museu das Ciências da Terra…. Incêndios, infiltrações, furtos….. tudo causado por uma negligência ímpar em conservação, manutenção e segurança.

Aquilo que o governo exige, ele não pratica. A revolta bate em meu peito, mas na minha cabeça se reproduz como um vídeo de visita virtual o acervo que um dia eu vi e agora está na minha mente, e assim a esperança vai se tornando maior. É na esperança que consigo ver como futuro a união de todos nós para restaurar o prédio, restaurar as salas, fazendo réplicas como aconteceu com o quarto Dom Quixote no Palácio de Queluz que foi consumido em um incêndio em 1934, pois neste ambiente destruído foi onde nasceu e morreu o imperador Dom Pedro I.

Há aquilo que não haverá réplica que substitua. Queimou ontem a noite e ainda queima dentro de nós. Acervos arqueológicos nossos como a Luzia, os dinossauros, entre tantos outros. Acervos botânicos e zoológicos levantados por missões estrangeiras e nacionais. Coleções antropológicas nativas brasileiras recolhidas desde Marechal Rondon. Objetos arqueológicos de culturas internacionais como Egito, Grécia, Itália, Chile, Colômbia e Benin. Perdemos de uma só vez o que corresponde ao Museu Louvre, Palácio de Versalhes e Museu Americano de História.

O dia 02 de setembro de 2018 será marcado em nossa memória. Todos saberemos o que estávamos fazendo nesse dia e nessa hora para o resto de nossas vidas. E lembraremos que um povo que não conhece sua história está condenado a repetir os mesmos erros.

Erros custam caro, tão caro que não há dinheiro no mundo que os apague.

PRISCILA MONTEIRO

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priscilamonteiro
Carioca, empreendedora, professora de História e guia de turismo, fui criadora da primeira empresa de Turismo Histórico da cidade do Rio de Janeiro com o intuito de dar aulas a céu aberto. Formada em História pela Universidade Cândido Mendes em 2007, segui um caminho sem volta em apresentar essa cidade que é um verdadeiro museu a céu aberto, onde capítulos dos livros sobre a história do Brasil saltam aos olhos. Da colônia, passando pelo Império e chegando a República, encontramos fragmentos da história de todos os brasileiros Acompanhe os textos desse blog e descubra um outro Rio, um outro Brasil que muitas vezes não nos são apresentados em sala de aula.

One comment

  • Excelente artigo! Precisamos de um choque cultural nas artérias, algo que faça o povo sair do sofá, sair do transe hipnótico da TV. Muitos, infelizmente, só foram despertos e olharam pela primeira vez para o museu, já em chamas, pela tela da TV ou através do celular. Se o Museu Nacional estivesse vivo, nutrido pela visitação constante daqueles que, sedentos de cultura, percorresse em uma relação simbiótica, as salas e corredores do Museu Nacional, o prédio ainda inda estaria vivo, a Ciência e a História que lá floriam, seriam sementes vivas a germinar em cada um de nós. Parabéns a autora, Priscila Monteiro, pelo brilhante trabalho que tão bem abriga a jóia do saber em colares de atividades turisticas/culturais, que nós da asas a nós transporta através do espaço e do tempo, num renascer em cidadania e cultura, num maravilhoso clima de prazer.
    Obrigado!
    Jorge Pellegrino Júnior / RJ

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