Arte, agoniza mas não morre: Nelson Sargento, 9.7: Instituto Nise da Silveira apresenta pinturas inéditas do compositor

 

O Instituto Municipal Nise da Silveira inaugura segunda-feira (26/07) a ocupação cultural “Arte, agoniza mas não morre: Nelson Sargento, 9.7”. Com quinze quadros do sambista, seis deles inéditos, a exposição foi montada em dois andares da instituição, onde antigos quartos de internação foram transformados em pequenas e múltiplas galerias de arte, o Espaço Travessia. Outros 20 artistas também terão obras exibidas na mostra. O instituto fica no Engenho de Dentro, Zona Norte da cidade. As visitas serão agendadas, seguindo protocolos de segurança.

Nelson Sargento durante ensaio fotográfico na Cidade das Artes, Rio de Janeiro, em setembro de 2014 — Foto: Claudia Martini/Enquadrar/Estadão Conteúdo/Arquivo

Nelson Sargento pintou até os 96 anos, quando faleceu vítima de Covid-19, em maio deste ano. Ele completaria 97 dia 25 de julho, véspera da inauguração. O artista compôs mais de 400 músicas, muitos clássicos da música popular, e ainda deixou acervo com 80 sambas inéditos, poesias, contos, desenhos, pinturas e textos eróticos. Era, além de compositor, intérprete, poeta, escritor, pesquisador nato, ator e radialista.

Sua obra tem como base experiências pessoais. Nas pinturas, que transitam entre arte abstrata e naïf, produzia um retrato colorido e alegre de cenas das favelas cariocas, do samba e de mulheres, mas também formas abstratas. A produção começou quando o compositor ainda se sustentava pintando paredes.

Do conjunto de trabalhos apresentados, fazem parte os últimos seis quadros pintados por Nelson. A curadoria de suas obras para a ocupação foi feita pelo violonista Agenor de Oliveira, amigo com quem escreveu diversos sambas.

Assinatura de Nelson Sargento. Foto de Marcos de Paula – Prefeitura Rio

No movimento de ocupação artística de diversas tendências, serão expostas obras de 20 artistas especialmente convidados para essa homenagem. A seleção foi feita pelo curador Marcelo Valle, coordenador do Espaço Travessia. Ele explica que a escolha foi feita com base nas obras que de alguma maneira dialogam com a arte de Nelson, por questões de ancestralidade, negritude, samba, paisagem ou vivência nos subúrbios, favelas e periferia.

“Eu me refiro à ocupação artística porque ela extrapola e muito uma exposição convencional, a começar pelo próprio lugar: as enfermarias de um antigo hospital psiquiátrico no Engenho de Dentro, marcado não só pela violência, mas também pelas muitas histórias de vida e pela arte. O Espaço Travessia existe há pelo menos cinco anos e vem se tornando uma referência na Zona Norte, construindo um lugar de encontro entre diferentes artes e artistas fora do eixo Centro-Zona Sul. Sempre misturamos os artistas convidados com artistas que de alguma maneira têm relação com os espaços de cuidado da Rede de Saúde Mental. Temos estudantes de arte, artistas autodidatas oriundos de diferentes lugares, artistas representados por galerias internacionais e artistas com sofrimento psíquico. Afinal são todos artistas” – comenta Marcelo.

 

Espaço Travessia

O Núcleo de Cultura, Ciência e Saúde/EspaçoTravessia ocupa dois andares de enfermarias desativadas do antigo Hospital Psiquiátrico Pedro II, hoje Instituto Municipal Nise da Silveira. A proposta é ser um local de encontros, convívio, produção e divulgação de artistas, sobretudo dos subúrbios cariocas. Os profissionais que atuam nele são também promotores da Saúde Mental por meio de diferentes atividades artísticas e culturais, com espaço para exposições, ateliês, ensaios de dança e teatro.

“Entendemos Arte e Cultura, em seu sentido mais amplo, como ativadores ou catalizadores do potencial criativo de sujeitos que muitas vezes são ou foram anulados dentro das instituições psiquiátricas. Arte como criação e processo de vida, que extrapola os saberes psis e que desde sempre é fonte e motor de potência nos homens, campo de possibilidades, de uma saúde que vai além da ausência de doenças – bem estar social, físico e mental. Processo de intervenção, expressão e comunicação com o mundo e com nós mesmos” – explica o coordenador.

Desde 2017 o Espaço Travessia vem investindo num programa experimental de residência artística e ateliês temporários para artistas locais do Rio de Janeiro e da Região Metropolitana com enfoque nos subúrbios cariocas e de outros estados, que desenvolvem projetos de artes plásticas, visuais e cênicas, bem como pesquisadores de diferentes áreas. O objetivo do Programa de Residência Artística “Arte em Travessia” é criar uma proximidade particular com os processos de produção artística e relações com a Saúde Mental.

Artistas convidados

Allan com 2l (Complexo do Alemão)
César Coelho (Niterói)
Cibelle Arcanjo (Niterói)
Edson Antunes (Engenho Novo)
Edu Monteiro (Laranjeiras)
Elisama Arnaud (Engenho de Dentro)
Fabiana Oliveira (Campo Grande)
Flávio Brick (Maracanã)
Georgia Chagas (Engenho de Dentro)
Kátia Cilene (Água Santa)
Lea Cunha (Engenho de Dentro)
Marcelo Valle (Niterói)
Otávio Avancini (Raiz da Serra)
Rodrigo Pedrosa (Niterói)
Rona (Lins)
Simba (Tuiuti)
Tarso Gentil (Méier)
Valéria Felipe (Santa Tereza)
Vanor Correia (Laranjeiras)
Vitor Canhamaque (Paciência)

 

Veja mais quadros de Nelson Sargento (Crédito: Marcos de Paula / Prefeitura do Rio ) :

SERVIÇO

Ocupação Cultural “Arte, agoniza mas não morre: Nelson Sargento, 9.7”

 

Fonte: Prefeitura do Rio de Janeiro

 

 

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