Oscar 2018: Lágrimas não só no Mississipi, mas no cinema também. De ódio, de raiva, de amor e esperança!

Mundbound – Lágrimas sobre o Mississipi tem um formato um pouco diferente: não existe um protagonista e também não existe um ponto central somente. A história tem vários personagens que possuem peso de igual importância e que se complementam historicamente. Além disso, fica difícil dizer somente um assunto que o filme aborda. De acordo com a sinopse do filme “Laura se casa com Henry McAllan e sua nova família se muda para uma fazenda no delta do Rio Mississipi. Lá, uma família negra, os Jackson, são responsáveis por ajudar no trabalho pesado com o plantio e a colheita. O pai idoso de Henry, Poppy McAllan, luta para manter os privilégios dos brancos no terreno, enquanto o irmão de Henry, Jamie, desenvolve uma boa amizade com os caseiros por compartilharem traumas da guerra. Um violento conflito marca a convivência entre os McAllan e os Jackson.”

Na verdade, esse resumo não fala nem a metade de tudo que o filme aborda.

Luta de classes, o racismo no sul dos Estados Unidos, os traumas da guerra, posição da mulher na família, seitas organizadas, o nacionalismo imperialista norte-americano, violência e falarei, mais uma vez, racismo, porque os fatos sobre racismo neste filme são absurdos e totalmente verdadeiros.

Com essa abordagem, conseguimos unir tudo e acabar formando a imagem de como era o modo de viver daquela época de uma maneira mais “completa”.

A linha cronológica desenvolvida também merece ser mencionada. O filme consegue fazer uma montagem usando o tempo e o espaço, entre as cenas de campo e batalha de uma maneira muito louvável e entendível. Um trabalho de arte impecável, principalmente com toda a ambientação, que fica ainda mais destacada através de uma fotografia limpa e bem trabalhada, embaladas por uma trilha musical bem discreta e eu diria que a sonora também, o que não é muito comum, mas muito bem desenvolvida.

A atuação trabalhada para cada personagem junto à direção do filme tornou possível a construção de uma maneira mais dramática no sentido bom da palavra. Os personagens não eram dignos de pena por sofrer, você não queria passar a mão na cabeça deles e, sim, lutar com eles, o que torna os personagens mais complexos psicologicamente.

Um ponto em que talvez eu vá me contradizer é que, diante do fato de terem tantas histórias e tantos personagens, alguns somem por completo por muito tempo e nem sempre as histórias conseguem ficar ligadas, conectadas, fica quase impossível trabalhar tantas histórias ao mesmo tempo.

Outro ponto legal de comentar-se é que sentimos que o filme não tem um desfecho formado, tem o final, nenhuma ponta fica solta, porém, ele te deixa uma reflexão muito grande sobre todos os termos abordados, inclusive conseguimos trazer diversas situações para os dias atuais, o que acaba nos fazendo questionar sobre a falsa evolução.

Um filme bem pesado a meu ver, então só assista quando estiver preparado para encarar uma história que foi, com toda certeza, vivida por muitas pessoas e ainda é uma realidade para algumas, com alguns pontos diferentes.

Depois me conta o que achou desse filme!

Até a próxima

MARI BARCELOS

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maribarcelos
Jornalista por paixão. Música, Novelas, Cinema e Entrevistas. Designer de Moda que não liga para tendência. Apaixonada por música e cinema. Colunista, critica de cinema e da vida dos outros também. Tudo em dobro por favor, inclusive café, pizza e cerveja. Visite: Instagram.com/PortalMariBarcelos

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