OSBA : Orquestra celebra seus 10 anos sob a regência do maestro Carlos Prazeres

No último dia 21 de novembro, domingo, o Sarau da OSBA na Flipelô (Feira Literária do Pelourinho) marcou a volta das apresentações presenciais da orquestra. E amanhã dia 25/11 (quinta-feira) às 17h,  a orquestra se apresenta no Teatro Castro Alves num espetáculo com repertório dedicado aos compositores franceses: OSBA na França.

A retomada acontece em tempo de celebrar os dez anos da direção artística do maestro Carlos Prazeres.

Durante esses 10 anos houve um aumento de 200% no público da OSBA, que é hoje a única orquestra com um fã clube organizado e apelidado de forma carinhosa e bem-humorada pelo maestro de “público crush”. Tornou-se frequente a lotação do teatro nos dias de concerto e a OSBA é hoje uma das melhores e mais respeitadas orquestras do país; conhecida como uma orquestra de vanguarda e cobiçada por diversos músicos que querem se apresentar com o grupo. Esses são alguns dos principais resultados do trabalho que tem sido realizado nos bastidores pelo maestro e sua equipe de produção.

Carlos Prazeres. Foto: Gabrielle Guido.

Carlos tem sido incansável no estudo e na criação de projetos que apresentam a música clássica de uma forma inovadora. Sua linguagem artística investe na formação de plateia e no diálogo com as pautas atuais, com a música popular, com o audiovisual e com as mídias sociais. A orquestra, hoje, conseguiu conquistar o coração dos jovens, que se identificaram com o formato inovador e descontraído de eventos como os Saraus, o Cine Concerto, o Futurível, além da série Mãe Menininha do Gantois – o primeiro experimento sensorial da orquestra. Nos concertos da série, foram utilizadas essências que ativaram o olfato do público e os programas foram feitos com material ecológico e texturizado, o que ressaltou o tato e a sustentabilidade.

Os projetos apostam na mistura de linguagens artísticas no palco, no humor, no estímulo à interação com a plateia e na valorização de artistas e tradições culturais locais, tais como o grupo percussivo Rum Alagbê, Márcia Short, Lazzo Matumbi (terreiro de mãe menininha do Gantois). Investem também em compositores clássicos históricos da Bahia, que vão desde os imortais Domingos da Rocha Mussurunga ou Damião Barbosa de Araújo, até os dias de hoje, com Paulo Lima, Wellington Gomes, entre outros. Tudo isso gera um sentimento único de identificação local. Aliás, pela primeira vez as religiões de matriz africana entram de forma simbólica no espaço de apresentação de uma orquestra, o que mostra a busca pela inclusão e diversidade na música de concerto.

Outro ingrediente comum aos concertos mais populares da OSBA é a presença de poetas, bailarinas e grandes compositores da nossa música popular, como Caetano Veloso, Luiz Caldas, Gilberto Gil, entre outros. É notável também a presença de novos artistas que despontam na cena cultural erudita, tais como o pianista Cristian Budu, que o próprio pianista Nelson Freire apontou como seu sucessor direto e que acaba de gravar com a orquestra uma aclamada versão do concerto no2 de S.Rachmaninoff.

Carlos Prazeres. Foto: Gabrielle Guido

Durante a pandemia, a orquestra enfrentou o desafio de se reinventar e produziu o Sarau Online, dois documentários (Abraço do Tempo e Solário), a criação do projeto Corrente Sinfônica (uma campanha solidária ao Movimento Nacional da População de Rua) e a irreverente Ópera da Vacina – paródia de uma ária célebre da ópera A Flauta Mágica (W.A.Mozart)- que reforça a importância da vacinação e foi parar no noticiário da TV. Todos estão disponíveis no canal da OSBA no YouTube.

O maestro também recicla constantemente o seu repertório regendo grandes orquestras em diversas cidades mundo afora, tais como Roma, Helsinborg, Nantes, Cidade do México, Buenos Aires, entre outras. O concerto mais recente regido por ele foi com a Filarmônica de Bogotá, em setembro deste ano. Por aqui, além de reger constantemente todas as orquestras nacionais, Carlos desenvolve uma importante parceria com o gestor cultural Rafaello Ramundo, o que lhe permite ampliar consideravelmente os limites da música de concerto.

Por meio de projetos como o Prudential Concerts e Música em Movimento (EMS), o público pode assistir à música de Gilberto Gil, Daniela Mercury, Maria Rita, Frejat, Rogerio Flausino, Alceu Valença, Vanessa da Mata, grupo Melim, entre outros, dividindo um espaço democrático e fluido com as obras de grandes clássicos como Bach, Brahms e Villa-Lobos, por exemplo. São misturas inusitadas e criativas que conseguem ampliar muito o público da música de concerto.

 

ENTREVISTA

Conversamos com o maestro Carlos Prazeres para saber um pouco mais sobre sua visão artística e seus próximos passos:

1) ArteCult: Você tem realizado um trabalho importante de renovação da música clássica com a OSBA que reverbera além da Bahia. Quais são as suas inspirações e referências que te ajudam a criar todos esses projetos de vanguarda?

Carlos Prazeres: Posso dizer que tive na minha família grandes referências, cada uma para um lado. Com o meu pai, o maestro Armando Prazeres, aprendi a popularizar a música clássica, ou seja, despí-la dos estereótipos que a mantém como exclusividade única de um segmento da elite.
Com meu tio Perfeito Fortuna, agitador cultural responsável pela criação do Circo Voador e da Fundição Progresso, no Rio, eu aprendi a transgredir pela mistura de propostas artísticas vanguardistas. Acho que no fim o casamento deu certo!

2. AC: Fora música clássica, o que tem na sua playlist? 

CP: Tem de tudo! Desde a Mpb de Chico, Caetano, Gil, Milton e cia, até o pop de Coldplay e Direstraits, passando pelo forró de Luís Gonzaga e toda a música nordestina, que eu amo.

3. AC: Seu pai também era um grande maestro. Qual ensinamento mais importante ele te deixou?

CP: A luta para que a arte chegue a todos sem distinção.

4. AC: Quem são os compositores brasileiros esquecidos mas que vale a pena conhecer?

Paulo Lima, Mário Ferraro, Wellington Gomes, Edino Krieger, por exemplo. Apesar de super conhecidos, deveriam estar no mainstream pela excelência de suas obras.
Mas isso depende mais das orquestras e da forma como elas apresentam o conteúdo dos compositores do que do conteúdo deles em si.

5. AC: Após tantas conquistas nesses 10 anos, qual é o próximo passo da OSBA? 

CP: São alguns. A incursão no mundo da ópera, ampliação do repertório, criação de um coro sinfônico, turnês pelo BRASIL e exterior, e mais gravações.

6. AC: Se pudesse alterar alguma coisa no cenário da música clássica do Brasil atual, o que seria?

CP: A descentralização dos patrocínios. Que o nordeste, assim como o sudeste, obtenha uma quantidade significativa de apoio cultural.

 

Sobre o Maestro Carlos Prazeres:

Carlos Prazeres. foto: Gabrielle Guido

Como maestro convidado, Prazeres tem dirigido importantes conjuntos sinfônicos tais como a Orchestre National des Pays de la Loire, Sinfônica de Roma, Orquestra da Arena de Verona, Sinfônica Siciliana, Sinfônica de Helsingborg, Orquestra Cherubini, Orquestra Internacional do Festival de Riva del Garda, Youth Orchestra of the Americas, Junge Philharmonie Salzburg, Filarmônica de Montevideo, Filarmônica de Bogotá, Filarmônica de Buenos Aires do Teatro Colón, Filarmônica de Mendoza, Orquestra do Instituto Politécnico do México, OSESP, Filarmônica de Minas Gerais, Orquestra Petrobras Sinfônica, Orquestra do Theatro Municipal do RJ, Filarmônica de Goiás, Orquestra Amazonas Filarmônica, Sinfônica de Porto Alegre (OSPA), OSUSP, Sinfônica de Campinas, Jazz Sinfônica de São Paulo, Orquestra do Teatro São Pedro (RS), entre outras. Prazeres estudou regência com Isaac Karabtchevsky, graduou-se em oboé na UNI-Rio sob a orientação de Luis Carlos Justi e foi bolsista da Fundação VITAE durante seus estudos de pós-graduação na Academia da Orquestra Filarmônica de Berlim/Fundação Karajan, sob a orientação de Andreas Wittmann.

SERVIÇO

OSBA na França:

  • Dia: 25 de Novembro (5a feira)
  • Horário: 20h
  • Local: Teatro Castro Alves
  • Solista: Francisco Roa (Violino)

 

ArteCult – Música

 

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