O Som e a Sílaba – Estréia cariosa conta com convidados ilustres e um espetáculo imperdível.

Foto: Paulo Tauil

No último dia 19/03, para uma plateia de convidados ilustres, aconteceu a estreia carioca o premiado espetáculo O Som e a Sílaba no teatro XP Investimentos, no Jockey Club Brasileiro. Com texto e direção de Miguel Falabella Alessandra Maestrini e Mirna Rubim estrelando o musical, vencedor de 5 estatuetas e 23 indicações das principais premiações do país. O ArteCult conferiu e conversou com as atrizes sobre esse emocionante espetáculo que mescla de forma delicada a linguagem da ópera no teatro atual.

O espetáculo trata da relação entre Sarah Leighton (Alessandra Maestrini) e Leonor Delise (Mirna Rubim), duas mulheres muito diferentes.

Foto: Paulo Tauil

A primeira, jovem e com dificuldades em se enquadrar na sociedade, porém, completamente única, por conta do diagnóstico de Síndrome de Asperger. Sarah é uma Savant: possui um autismo altamente funcional que, por um lado, lhe permite habilidades em algumas áreas, entre elas números e música; e que, por outro, faz com que ela se comunique com o mundo de uma maneira inusitada, gerando situações hilárias. Já a segunda, uma diva internacional da ópera com mais de 50 anos que, por acasos da vida, se tornou professora de canto. Direta, elegante, refinada e aparentemente bem resolvida, aparentemente. Com diálogos e situações divertidas entre duas pessoas de universos tão distintos, acaba nascendo das diferenças uma cumplicidade; uma transforma a vida da outra, até que o público se pergunta: quem, de fato, está ensinando a quem?

Foto: Paulo Tauil

As atrizes e seus registros vocais do canto lírico foram a inspiração para o texto, em cena Alessandra Maestrini e Mirna Rubim articulam todas suas habilidades artísticas com maestria. “Essa peça é um presente gigante que o Miguel Falabela deu para gente, para o público e para a sociedade. Onde fala com tanta delicadeza e sabedoria sobre um tema tão diferente, como a síndrome de Asperger, mas que toca a todos nós no que diz respeito de valorizar as diferenças e de que a vida só vale a pena com amor e com coragem.” (Alessandra Maestrini).

Mirna Rubim contou um pouco como foi essa experiência, tendo uma carreira como cantora e professora de canto, como foi esse desafio.
“Desde pequena eu sempre quis ser atriz. Me tornei cantora porque meus pais eram cantores líricos. Mais tarde fiz a madre superiora, e depois que fiz teatro musical o bichinho azul mordeu e não teve mais volta… Eu sempre tive desejo de ser atriz porque a palavra comunica melhor e a técnica lírica bota você no pedestal e te afasta dos seres mortais. Uma coisa que amo nessa peça é que junta. Você vai à maluquice da ópera e volta para Eleonor, vai à ópera e volta pra Sara, e isso sempre foi um sonho de Miguel, trazer a ópera mais palatável, pois, ele é louco por ópera e o povo não gosta. Então é uma maneira de ter um privilégio de fazer às duas coisas.”

Aproveitamos para perguntar, como o autismo é tratado dentro da peça e a atriz comentou:

Foto: Paulo Tauil

“Miguel está apaixonado por esse tema a dez anos e acabou escrevendo em 2016. É fascinante poder falar dessa relação de transformação, e o autismo do tipo da Sara é mais comum do que se pensa. Tem pessoas que conhecemos que são inteligentes e esquisitas e você não sabia que era autismo. Acho que as pessoas estão começando a se identificar mais e a reconhecer, num sobrinho ou amigo, ou nela mesma o Asperger. Agora o mais importante é a possibilidade de valorizar o diferente, pois, todos os diferentes irão se encaixar nesse aspecto, não somente os autistas.”

A também atriz de musicais Danielle Winits que estava presente, ressaltou: “Esse texto, essa peça do Miguel é muito transformador. É uma obra que deveria ir para o mundo, estar em todas as escolas. É quase sem palavras, completo. Estou muito emocionada”

Foto: Paulo Tauil

Cininha de Paula, um dos ícones do teatro musical brasileiro também deixou suas impressões: “Uma das coisas mais lindas que já assisti nos últimos tempos. Um texto deslumbrante do Falabella, um trabalho irretocável da Maestrini e um desafio novo pra Mirna como cantora lírica que ela é e professora de canto e agora a atriz, que ela já era e sempre foi e está tendo a oportunidade de mostrar. Um cenário irretocável, um figurino lindo, uma partitura musical deslumbrante. É uma felicidade poder assistir um espetáculo com uma qualidade internacional nesse nosso Brasil tão pouco olhado pelo olhar da cultura.”

Em torno dessa montagem reuniu-se uma equipe de categoria que constrói uma verdadeira pintura viva: o elegante cenário ficou nas mãos de Zezinho Santos e Turíbio Santos; a luz sensível de Wagner Freire complementa os premiados figurinos de Ligia Rocha e Marco Pacheco que, com o visagismo de Wilson Eliodoro, materializam os cativantes personagens do musical. O Som e a Sílaba conta com o design de som de Mario Jorge Andrade, que leva a experiência auditiva do espetáculo, com todos os números musicais cantados ao vivo pelas atrizes, para um novo patamar de excelência. Não é coincidência que o espetáculo vem acumulando mais de 20 indicações e algumas estatuetas nas principais premiações do país (Bibi Ferreira, Reverência, Aplauso, Broadway World Brazil Award, Prêmio Destaque Imprensa Digital, Prêmio Musical Cast), conquistando dois em melhor roteiro original, para Miguel Falabella, um de melhor direção, também para Miguel Falabella, um de melhor atriz, para Alessandra Maestrini e um de melhor figurino, para Lígia Rocha e Marco Pacheco.

Um espetáculo simplesmente imperdível!!!

 

Confira algumas fotos de sessão:
Fotos: Paulo Tauil

 

Serviço:

O SOM E A SÍLABA

Temporada: de 14 de março a 21 de abril de 2019

Local: Teatro XP Investimentos

Endereço: Jockey Club Brasileiro – Av. Bartolomeu Mitre, 1110B – Leblon, Rio de Janeiro

Sessões: Quinta a domingo

Datas e horários: Quinta a Sábados às 21h; Domingos às 20h;

Classificação etária: 14 anos

Capacidade do teatro: 362 lugares + 2 PNE

 

 

SETOR

MEIA-ENTRADA

INTEIRA

PLATEIA SUPERIOR

R$25,00

R$50,00

PLATEIA

R$ 50,00

R$ 100,00

 

 

BILHETERIA OFICIAL – SEM COBRANÇA DE TAXA DE CONVENIÊNCIA

Bilheteria Oficial do Teatro – Av. Bartolomeu Mitre, 1110B – Leblon, Rio de Janeiro

Telefone Bilheteria: (21) 3807-1110

Horários de funcionamento: terças, das 13h às 17h; quartas a sextas, das 17h às 21h; sábados, das 13h30 às 21h; e domingos, das 13h30 às 18h. Fechada às segundas.

 

 

 

 

 

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Author

Rafaeli Mattos
Mestre em Artes Visuais, com ênfase em dança – UFRJ (2013), Especialista em Estudos Contemporâneos em Dança –UFBA/FAV 2007 e Bacharel em Dança, Intérprete e Coreógrafa, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – 2006/1. Possui formação em jazz, ballet, ballet moderno – Horton, dança contemporânea, sapateado e canto popular. Qualificada Profissional da Dança, artista-dançarina sapateadora e Instrutora de Dança, seguimento sapateado, pelo SPDRJ, atua como professora de sapateado, jazz e balé desde 2007 em diversos espaços de dança do Rio de Janeiro. Integrou a Cia de Dança Contemporânea Helenita Sá Hearp – 2004/1 a 2005/1, Cia Étnica de Dança e Teatro – 2007 a 2008, Projeto Ateliê Coreográfico do Centro Laban RJ – 2008 a 2009, Projeto de residência internacional da coreógrafa Erica Essner (Erica Essner Performance CoOp) no Centro Coreográfico da Cidade do Rio de Janeiro 2007 e do grupo A.C.Ho com a performance Q _ _ _ _ _ , realizada no eventro Transperformance em 2011. Como cantora atuou na Cia Nós da Dança no espetáculo Bossanossa – 2009. Foi coreógrafa residente no Centro Coreográfico da Cidade do Rio de Janeiro de julho de 2005 a julho de 2006, onde realizou seu primeiro trabalho autoral Chora Corpo Choro, composto pelos solos Rádio e Violão Mudo e pelo quarteto Choro na Feira. Seu segundo solo autoral Ah vai andas?! participou, em junho de 2012, em work in progress do evento Novíssimos da Ocupação Dança pra Cacilda. Em 2015 integrou o corpo de jurados dos festivais de dança Barra Dance e Barra Dance Kids. Sua oficina de Sapateado para Terceira Idade foi contemplada nos anos de 2014 e 2015 nos editais Viva a Cultura e Viva o Talento da secretaria de Cultura do RJ. Hoje atua como professora de balé e sapateado na ONG Projeto Dançarte.

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