Música: Um dos artistas mais inventivos de sua geração, Negro Leo repensa relações humanas em meio digital em novo disco

“Desejo de Lacrar” é um lançamento ybmusic e QTV Label

“Desejo de Lacrar”, nono álbum solo do cantor, compositor e instrumentista Negro Leo, é uma exploração sonora e poética acerca do panorama político do Brasil contemporâneo e suas arenas de batalha no ambiente digital. O disco está disponível em todas as plataformas de música digital pelos selos ybmusic e QTV Label.

Originada na comunidade LGBTQ, a gíria “lacrar” instalou-se no campo político para glorificar uma argumentação incontestável, sem brechas para críticas ou defeitos. Mas Leo pensa o lacre como uma mentalidade e uma prática discursiva em disputa. “Lacrar é agir de forma insolente e revoltada. Vencer, se não de fato, virtualmente. Lacrar, na verdade, é o que nos resta”, explica.

Maranhense de Pindaré Mirim, Negro Leo viveu por anos no Rio de Janeiro e reside atualmente em São Paulo. Tocando com diversas bandas e formações, seu trabalho tem testado os limites da música popular, da canção e da relação entre som, música, palavra cantada, performance e elementos de subversão lek. De 2012 a 2017 lançou 8 discos: “Coisado” (2017), “Action Lekking” (2017), “Água Batizada” (2016), “Niños Heroes” (2015), “Ilhas de Calor” (2014), “Tara” (2013), “The Newspeak” (2012) e “Ideal Primitivo” (2012).

Negro Leo tem levado seu trabalho para os palcos do Brasil e do mundo, como o Festival Nrmal no México, Counterflows Festival na Escócia e no Cafe OTO em Londres. No Brasil participou da Virada Cultural Paulista, Aniversário da Cidade de São Paulo, Festival Novas Frequências, Festival A.Nota, Festival VENTO, entre outros. Em 2015, sua canção “Você Não Vai Passar”, interpretada pela cantora Ava Rocha, foi premiada na categoria “Novo Hit” do Prêmio Multishow de Música Brasileira. Em 2019 se apresenta, ao lado de Ava Rocha em Xangai (Modern Sky Lab) e Pequim, parte do projeto China Tropical, onde gravaram com Gooooose e 33ymba.

“Desejo de Lacrar” desdobra os experimentos de timbres e texturas psicodélicas iniciadas nos álbuns “Água Batizada” e “Action Lekking” — este último eleito um dos discos do ano pela Associação Paulista de Críticos de Arte e pelo crítico Peter Margasak, do Chicago Reader.

Ouça “Desejo de Lacrar”

https://smarturl.it/DesejoDeLacrar

 

O álbum retrata o “discurso e representação do lacre” a partir de sua captura e instrumentalização pelos movimentos de direita durante os protestos de 2013, o que “acabou resultando numa mudança de mentalidade mais abrangente que veio a dar no golpe e na ascensão do ultraliberalismo-escravocrata, que basicamente se comunica através do logos lacrador”, como observa o músico. “Não por acaso Bolsonaro recebeu de seus seguidores a alcunha de ‘mito'”.

A voz sufocada e os engasgos na faixa de abertura “Desejo de Lacrar” apresentam o sentimento claustrofóbico e enclausurante da atmosfera política. O álbum então adentra uma “selva de pixels” (como diz a letra de “Makes e Fakes”, escrita pelo poeta capixaba Tazio Zambi) ordenada pela polarização. Nesse cenário, “o presidente do partido nunca vai fazer sentido”, como bradam as vozes distorcidas de “Absolutíssimo”.

Em “Tudo Foi Feito Pra Gnt Lacrar”, ouvimos um emaranhado de hashtags e “vozes que pintam no vácuo das bombas”. Enquanto isso, Michael, o guerrilheiro da capa do álbum (produzida por Lucas Pires e Rafael Meliga) espera silenciosa e disciplinadamente a eclosão da guerra nas “planícies do fim” evocadas em “Dança Erradassa”. Escrita por Negro Leo durante a já citada residência artística na China, em 2019, a faixa antecipou o isolamento social do coronavírus com o refrão “fique em casa”.

Com produção musical de Sérgio Machado (PLIM) e direção do próprio artista, o disco foi mixado e masterizado por Nick Graham Smith no Estúdio Pendulum. “Desejo de Lacrar” está disponível em todas as plataformas de streaming de música.

 

Clique Aqui para Ouvir “Desejo de Lacrar”

 

 

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Daniela Fróes
Musicalmente eclética, apaixonada pela diversidade dos estilos, das festas e festivais, amante de uma boa música, principalmente das batidas eletrônicas. #Música #MúsicaEletrônica - Nunca se precisou de drogas para senti-la, a essência da batida, a sonoridade toca a alma de um jeito que não da pra ficar parado! "Quem não sente a melodia acha maluco quem dança"!!!

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