Psicomotricidade: A psicomotricista Marcia Andrade orienta pais e escolas sobre desenvolvimento infantil nesta fase de isolamento social através de atendimento on-line e presencial

Marcia alerta para riscos e oportunidades sobre a relação com a tela

 

A psicomotricista Marcia Andrade, especialista em desenvolvimento infantojuvenil orienta pais e escolas, através de atendimentos on-line e presencial. Pós-graduada em saúde mental e desenvolvimento infantojuvenil pela Santa Casa do Rio de Janeiro, Marcia Andrade é psicomotricista especialista em prática psicomotora Aucouturier. Ela normalmente atende em sua clínica bebês e crianças que apresentam atrasos, distúrbios, dificuldade de aprendizagem, déficit de atenção e transtornos do neurodesenvolvimento. Porém, mesmo as crianças sem distúrbios, mas sofrendo com o isolamento social, podem ser atendidas para administrar a ansiedade e manter seu desenvolvimento neste momento de afastamento social.

Marcia orienta os pais como administrar as próprias emoções em relação ao desenvolvimento dos filhos, alerta sobre segurança na internet e possíveis danos que a exposição excessiva à  tela na primeira infância pode acarretar em  atrasos de linguagem, como também, para as aquisições psicomotores.

A psicomotricidade auxilia no desenvolvimento integral das crianças identificando estes atrasos neuropsicomotores, questões psicoafetivas, assim como, no desenvolvimento das conquistas cognitivas. Márcia indica que os pais observem seus filhos em casa e também aproveitem para potencializar sua relação neste momento de intensa convivência.

“Quando a casa virou escola, setting terapêutico, quando todas as funções estão  sobrepostas, tanto temporalmente como espacialmente, o profissional de psicomotricidade que pensa o corpo em relação aos ambientes, e a sua importância  para o desenvolvimento das crianças, pode ajudar os pais neste momento.” Explica Marcia.

O novo normal traz dificuldades, mas também a oportunidade de convivência.

“A criança precisa usar o corpo e brincar. Eu oriento os pais em como reproduzir em casa os dinâmicas que favoreçam a interação e aquisição de posturas e linguagem. durante o atendimento on-line. Fazemos as brincadeiras juntos, pois as crianças mostram as emoções neste momento. Os pais se transformam em coautores do sessão, as crianças são  os grandes autores do atendimento.” , complementa Marcia.

Uma das vantagens da tela é que ela funciona como uma nova janela. Os pais participam do  atendimento, diferente dos atendimentos presenciais quando eles, em alguns momentos, ficam na sala de espera.

Foto: Arquivo pessoal / @eclipsi_psicomotricidade

Marcia Andrade a partir desta experiência está desenvolvendo o projeto do livro “A Tela como Janela“.

“Os pais participam ativamente do tratamento on-line, ficam mais próximos. O psicomotricista pode ser um aliado neste período em que as crianças não estão frequentando a escola. Sem a experiência escolar, muitas crianças podem desenvolver transtorno de linguagem. “, explica Marcia Andrade, que tem ampla experiência na clínica da primeira infância ( 0 a seis anos) em intervenção precoce.

Com os filhos distantes da escola, os pais relatam, que perdem os parâmetros de desenvolvimento dos filhos e precisam de orientação, assim como as próprias escolas. Uma questão a ser acompanhada é que as crianças menores não têm  uma percepção de interação pela tela. Algumas com dificuldade de seguir as aulas on-line. Em geral,  não sustentam um tempo de conversa, antes de serem atendidas. Segundo relato dos pais, a partir de uma pesquisa feita pela psicomotricista, após o começo da terapia psicomotora on-line, as crianças interagiam melhor com a professora. No que diz respeito à inclusão, Márcia faz reuniões com os coordenadores das escolas para auxiliar nas adaptações das propostas pedagógicas respeitando a singularidade de cada criança em seu processo de desenvolvimento.

Foto: Arquivo pessoal / @eclipsi_psicomotricidade

Se  a criança ficar passiva diante da tela, não usará sua capacidade de evolução. Para crianças pequenas, de seis meses a um ano, na primeiríssima infância, ficar sem os estímulos adequados como oferecidos na creche pode acarretar em dificuldades. O trabalho da psicomotricidade promove também  percepção do espaço e tempo, o corpo em relação aos outros e ao mundo ao seu redor. A psicomotricista ajuda a melhorar esta percepção de si mesmo através de seu corpo e faz a criança agir melhor relação  ao mundo.

“A agitação precisa ser observada, não é um problema em si, mas uma forma da criança manifestar suas angústias. Através de brincadeiras na sessão junto com os pais, temos a oportunidade deste ambiente para substituir o play e a escola.”, explica Marcia.

A psicomotricidade, profissão  regulamentada ano passado no Brasil,  é uma ciência  contemporânea e interdisciplinar.  os médicos,  encaminham para clinica psicomotora crianças com diagnósticos e, também, em  casos quando constatam que não existe nada no cérebro que impeça o desenvolvimento da criança. Fica claro que a dificuldade da criança tem outra origem, como aspectos psicoafetivos :

“A Psicomotricidade atua neste corpo em cena, que faz e diz do seu fazer, diz dos seus fantasmas. Através do agir e do seu brincar a criança revela traumas.” Explica Márcia.

Com a pandemia atendimento on-line se tornou uma prática que está sendo acompanhada como opção importante pela Associação Brasileira  de Psicomotricidade e ministrada por seus sócios titulares. Link canal youtube: https://www.youtube.com/channel/UCPgWd-wgdVuCqGKBHHVAyLQ Instagram: @eclipsi_psicomotricidade   Sobre Marcia Andrade:

Márcia Andrade. Foto: Arquivo pessoal.

Psicomotricista, sócia  titular da Associação Brasileira de psicomotricidade (ABP 298), Marcia é especialista em saúde mental da Infância e Adolescência. Possui licenciatura em Educação Física pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Tem experiência em Psicologia do Desenvolvimento, com ênfase em Pesquisa de Indicadores de Risco em Saúde Mental. Atuando principalmente em Intervenção Precoce Clínica Psicomotora, Educação (palestras e workshop) e psicomotricidade. Especialista em Intervenção com bebês, crianças e adolescentes que apresentam hipóteses diagnósticas de Transtorno de Espectro autístico TEA. Distúrbios e transtornos cognitivos e síndromes diversas. Participação e atuação em equipes interdisciplinares. Participação em Projetos Sociais e Institucionais de Inclusão. Marcia Andrade trabalhou como colaboradora na equipe do Núcleo de Bebês com sinais de risco do desenvolvimento em saúde mental na UNIFESP SP, de 2014 a 2016. Esteve vinculada como pesquisadora de campo da pesquisa IRDI, indicadores de risco do desenvolvimento infantil de 2017 a 2018.  Trabalhou como voluntária na no Núcleo de Bebês com sinais de risco no desenvolvimento. Departamento de psiquiatria . UNIFESP. Participação no projeto Arteando RJ para crianças da comunidade STa Marta RJ. Trabalhou na educação infantil no desenvolvimento do projeto de psicomotricidade na educação no Grupo Faria Brito no Rio. Fundadora do Espaço  ECLIPSI- Espaço de Encontro Clínico interdisciplinar  de Psicomotricidade e Saúde Integrativa . ECLIPSI tem como premissa o atendimento interdisciplinar e a integração do indivíduo à escola, à família e as inserções sociais. Focado na infância e adolescência,  se propõe a atuar na prevenção e intervenção em saúde de forma conjunta. O foco e na pessoa e não na doença. PRODUÇÕES BIBLIOGRÁFICAS ‘” Luzes sobre a clínica.” Escreveu um capítulo do livro organizado por Maria Cristina Kupfer e Myria Szejer. Além de artigos na área: Intervenções na Família do bebê com sinais de risco em Saúde Mental. 2014. (Apresentação de Trabalho/Congresso). Um Olhar da Psicomotricidade sobre clínica Psicanalítica com bebês. 2013. (Apresentação de Trabalho/Congresso). Transtornos de Comunicação: A abordagem terapêutica da Psicomotricidade. 2013. (Apresentação de Trabalho/Simpósio). Psicomotricidade Em razão de seu próprio objeto de estudo, isto é, o indivíduo humano e suas relações com o corpo, a Psicomotricidade é uma ciência encruzilhada, que utiliza as aquisições de numerosas ciências constituídas (biologia, psicologia, psicanálise, sociologia, linguística…) Em sua prática empenha-se em deslocar a problemática cartesiana e reformular as relações entre alma e corpo: O homem é seu corpo e NÃO – O homem e seu corpo”. (Jean-Claude Coste, 1981). No Uruguai a profissão já é regulamentada, há 40 anos, assim como na França e em diversos outros países, no Brasil a profissão foi regulamentada este ano, o que quer dizer que além de cursos de graduação nas faculdades os psicomotricistas poderão ter vagas em concursos públicos. Atualmente, o profissional ganha se torna titular da Associação Brasileira de Psicomotricidade, através  de comprovação de formações específicas da área assim como horas de terapia e atendimento. A psicomotricidade pode também ser definida como o campo transdisciplinar que estuda e investiga as relações e as influências recíprocas e sistémicas entre o psiquismo e a motricidade. Baseada numa visão holística do ser humano, a psicomotricidade encara de forma integrada as funções cognitivas, socioemocionais, simbólicas, psicolinguísticas e motoras, promovendo a capacidade de ser e agir num contexto psicossocial. A psicomotricidade possui as linhas de atuação educativa, reeducativa, terapêutica, relacional, aquática. O Psicomotricista é o profissional que age na interface saúde, educação e cultura, avaliando, prevenindo, cuidando e pesquisando o indivíduo na relação com o ambiente e processos de desenvolvimento, tendo por objetivo atuar nas dimensões do esquema e da imagem corporal em conformidade com o movimento, a afetividade e a cognição A prática psicomotora se dá de forma Individual ou em grupo, da concepção à terceira idade, compreendendo as necessidades de adaptação sensoriais, sociais, comportamentais e de crescimento pessoal.  

 

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