Novos Autores: Entrevista com Raul Martins

Raul-Martins-Memórias-Sólidas

O jovem autor Raul Martins concedeu uma entrevista via e-mail para esta coluna.

Aproveitem!

1) Você é um autor com apenas 20 anos. Hoje em dia é muito comum os novos autores caminharem para uma literatura com características épicas, místicas, voltadas para uma releitura/reescritura da mitologia como um todo. Não é o que temos em Memórias Sólidas. Que leituras você fez? Qual é o seu universo literário?

Eu não vou dizer que esse tipo de leituras não estão na minha estante. Sou fascinado por épicos, histórias de magias e releituras de mitologias (amo Percy Jackson por exemplo). Meu universo literário é bem vasto, por que sou fascinado por gêneros. Uma hora estou numa nave espacial rumo a um planeta desconhecido, outra estou invadindo um castelo medieval em busca de um vampiro ou em sanatório buscando pistas de um crime. Terror, Ficção Cientifica, Fantasia, Romance e por ai vai. Meu universo literário vai até onde eu aguentar ler assim como meus filmes e quadrinhos. Para Memórias Sólidas acho que as que mais influenciaram foram os quadrinhos de super herói, histórias de fantasmas e alguns autores mais reflexivos (que eu nunca chegarei aos pés).

IMG-20170310-WA00212) Qual a grande premissa em Memórias Sólidas?

Acredito que existem algumas, mas a principal é o senso de responsabilidade. Fazer a coisa certa por que algo dentro de você diz que aquilo deve ser feito. Mas também tento abordar o peso do passado e como sentimentos negativos podem nos prender numa espiral de auto destruição.

3) O que Lázaro representa? Quem é ele para você?

Ele é parte de mim. Quase toda a personalidade dele é baseada na minha, mas acredito que devido as circunstâncias da trama ele se mostrou muito mais corajoso e nobre do que eu. Não é péssimo quando sua criação te supera? Como ele vê o mundo e sente as coisas é, na realidade, minhas próprias reações. Quem leu Memórias Sólidas leu parte de mim, o que é muito meloso e clichê, mas é verdade.

4) O que você pode nos afirmar que seja puramente ficcional em seu livro e o que é de autobiográfico?

Muita coisa é. Todos os sentimentos de Lázaro são reais, por exemplo, em determinado momento do livro Lázaro diz que em um momento de sua vida ele sentia pontadas no coração e que achava que iria morrer. Antes de escrever o livro eu tive esse problema. Um belo dia acordei com a absoluta certeza de que morreria de um ataque cardíaco, mesmo só tendo 19 anos e estando totalmente saudável. Coloquei todas essas angustias no livro. O que é puramente ficcional são os pais de Lázaro, que são completamente diferentes dos meus, assim como as personalidades dos fantasmas. Na verdade toda parte sobrenatural do livro é totalmente inventada e nada representa em minhas crenças religiosas ou qualquer coisa assim.

5) O que o motivou a escrever a história? Qual é a origem primordial da obra?

Primeiramente a minha saúde mental. Como já devem ter percebido, pela resposta da pergunta acima, eu não estava nada bem quando comecei a escrever esse livro. Faze-lo foi muito mais algo para ocupar minha mente do que qualquer outra coisa, mas sempre existiu dentro de mim uma vontade absurda de contar histórias. Esse momento ruim foi o que me empurrou para começar.

6) Por que a literatura?

Eu queria contar histórias de qualquer jeito, mas não sabia como. Desde criança eu desejava ser um quadrinistas, mas um belo dia percebi que não sabia desenhar absolutamente nada. Queria fazer filmes, mas percebi que nem ao menos sabia por onde começar. A literatura foi o meio que supriu essa minha vontade imediata de contar histórias, além de existir algo de especial no conceito de livro. Ainda quero fazer todas essas outras coisas, mas ao escrever Memórias Sólidas percebi que a literatura não possui limites. Não dependo de desenhistas, atores, orçamentos ou qualquer coisa assim. Só estou limitado pela minha capacidade de colocar palavras no papel. Acredito que é por causa disso que nunca abandonarei o formato livro.

7) Alguns autores escrevem porque nada encontraram que os agradasse. Outros escrevem porque algo os movia a escrever. O que o motivou à escrita?

Como disse: minha vontade de contar histórias. Li tantas ao longo da vida que senti um desejo incontrolável de contar as minhas. Sou o tipo de cara que é cheio de referências e apaixonado por diversos autores e autoras. Muitas crianças sonham em seres jogadores de futebol, eu queria ser como Stan Lee, Tolkien, Júlio Verne e Lemony Snicket. Acho que o que me motivou a escrita foi essa vontade que está em mim desde criança. Não me pergunto muito por que tenho essa vontade, mas ela existe e eu não tenho pretensões de refreá-la.

8) Já temos uma próxima história? Pode nos adiantar algum detalhe?

Desde que escrevi Memórias Sólidas não consigo mais parar. Parece que abri uma Caixa de Pandora de ideias e não existe forma de voltar atrás. Não tenho mãos o suficiente para escrever todas as histórias que quero contar. Atualmente escrevo uma história de mistério que se passa no Rio de janeiro em 1904. Estou unindo minha paixão por Sherlock Holmes e História. Se tudo der certo esse será meu próximo livro, se eu não desistir no meio do caminho.

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Márcio Calixto
Professor e escritor. Lançou em 2013 seu primeiro romance, A Árvore que Chora Milagres, pela editora Multifoco. Participou do grupo literário Bagatelas, responsável por uma revolução na internet na primeira década do século XXI, e das oficinas literárias de Antônio Torres na UERJ, com quem aprendeu a arte de “rabiscar papel”. Criou junto com amigos da faculdade o Trema Literatura e atualmente comanda o blog Pictorescos. Tem como prática cotidiana escrever uma página e ler dez. Pai de dois filhos, convicto morador do Rio de Janeiro, do bairro de Engenho de Dentro. Um típico suburbano. Mas em seu subúrbio encontrou o Rock e o Heavy Metal. Foi primeiro do desenho e agora é das palavras, com as quais gosta de pintar histórias.
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