IMS Paulista – fotógrafo Chichico Alkmin tem expostas fotografias que resgatam a Diamantina do começo do séc. XX

Entrada da exposição no IMS Paulista – foto: AAssis

O que mais se nota na exposição “Chichico Alkmim, Fotógrafo” é a profusão de fotografias expostas na Galeria 3 do Instituto Moreira Salles, o IMS Paulista. Já se percebe daí, que o Chichico (1886-1978) fotografou muito, mas muito mesmo.

Chichico Alkmin- foto do fotógrafo – acervo IMS

O trabalho de Chichico encanta os amantes da fotografia pela variedade de pessoas e situações clicadas: pessoas em pé ou sentadas, famílias abastadas ou não, grupo de amigos, famílias em espaços aberto, estudantes, religiosos, comerciantes, militares … uma vasta gama de indivíduos que habitavam a cidade mineira de Diamantina no começo do séc. XX. Dizem que a cidade toda passou pelas lentes de Chichico.

Logo na entrada, estão dispostos fotos em tamanhos naturais de diversas pessoas: mulheres, homens, casais, crianças, famílias. A primeira ideia que vem à cabeça é que a foto tomou o lugar dos grandes quadros de nobres damas e cavalheiros em seus castelos de épocas passadas. Assim a democratização da imagem contribuiu para a mudança dos costumes … Na galeria há, também, um recinto separado que mostra o método utilizado pelo fotógrafo para revelar as suas imagens. Ele as revelava em placas de vidros que se tornavam negativos. Lá, há uma réplica da máquina de fole e, num display, as placas importadas da Kodak.

Foi a partir de 1912, que o profissional começou a trabalhar com o seu instrumento – a tal da máquina de fole apoiada num tripé. O registro tradicional, à época, era no estúdio, onde a luz natural era essencial e era feito à frente de um painel pintado pelo próprio Chichico simulando jardins ou paisagens naturais. Também faziam parte do cenário cadeiras, banquetas, aparadores. Depois, anos mais tarde, começou a fotografar o lado de fora: praças, casas, ruas, lojas, colégios, batizados, encontros, até mesmo Carnaval … A rua chamou Chichico e sua máquina. Pode-se notar, no entanto, que as imagens não deixam de ter um ar de composição ordenada: pessoas sentadas, simetria, flores, um cenário por detrás das pessoas. Parece que Chichico não consegue se desvencilhar do estúdio e o reproduz nas clicadas ao ar-livre, muito embora sente-se uma certa leveza nas fotos.

Carnaval – Diamantina, MG, s/d – foto – acervo IMS

Talvez, um dos mais encantadores aspectos da sua fotografia é a diversidade de pessoas que fotografou, especialmente, com o surgimento da Carteira de Trabalho, criada no governo Vargas, onde a foto se tornou obrigatória para identificação. Na mostra, no recinto separado, estão contrapostos a um painel iluminado, nada menos que 270 negativos de fotos 3×4 desta época. É possível, também, além de observarmos a população diamantina, notarmos a evolução das vestimentas, um verdadeiro deleite para os historiadores e estudiosos dos costumes da sociedade brasileira. Não deixa de ser interessante vermos a “subida” das saias femininas: nas décadas mais antigas (lá, há registros de 1910), elas estavam nos pés, depois foram para o tornozelo, em seguida chegaram até abaixo do joelho … E os ternos ? As lapelas variaram nos tamanhos e alturas. As calças ficaram mais largas. Chapéus de palha deram lugar aos de feltro para se tornarem, logo, mais escassos com os jovens do final da década de 40. Daí eu pergunto, caro leitor, por que a Globo não consulta acervos como esse para reconstituir as suas novelas de época ? Por quê ?

Uma curiosidade a ser mencionada e que é exibida na mostra, é o fato de Chichico ter sido um dos últimos fotógrafos a registrarem os chamados “anjinhos”: crianças falecidas na mais tenra idade. Até meados dos anos 50 ainda era costume ter uma foto da criança morta antes do sepultamento como lembrança para a família. Parece macabro, mas à época não.

Um anjinho, costume da época – foto tirada no estúdio de Chichico em Diamantina, MG – s/d

Das 5.000 fotografias de Francisco Augusto Alkimim (seu nome de batismo), 300 estão expostas. Outras tantas estão digitalizadas no site do IMS. Na verdade, o acervo todo de Chichico foi para o Instituto graças a um contrato de comodato (empréstimo gratuito de objetos) com a família do fotógrafo. Inicialmente, o período do contrato é de 10 anos prorrogáveis. O IMS tem como função, no contrato, catalogar, digitalizar, disponibilizar para consulta aos interessados ou estudiosos, além de cuidar da manutenção e conservação da coleção. Todos os originais estão na verdejante Gávea, no Rio, sede do Instituto, onde a exposição já foi mostrada entre maio e outubro do ano passado.

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Você pode ver outras imagens do fotógrafo que estão disponibilizadas na base de dados do IMS:

Base de Dados IMS – Chichico Alkmin

 

ANDRÉA ASSIS

SERVIÇO

CHICHICO ALKMIM, FOTÓGRAFO – Exposição

Onde: IMS Paulista, Av. Paulista, 2424 – Galeria 3 – São Paulo/SP (metrô Paulista – linha 4 amarela), tel.: (11) 2842-9120 – imspaulista@ims.com.br

Quando: até 15.04.2018, de 3ª. a dom. das 10h às 20h, às 5ª.(exceto feriados), das 10h às 22h

Quanto: Entrada gratuita

Site: https://ims.com.br/titular-colecao/chichico-alkmim/

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Andréa Assis
Carioca, mas paulistana da gema radicada há mais de 20 anos na capital. Formada em Relações Internacionais, tem mestrado em Administração de Empresas em Lyon, na França. Orgulhosa da cidade onde vive, adora mostrá-la aos visitantes, sejam eles brasileiros ou não. Procura sempre descobrir lugares novos e diferentes, por isso sempre se mantém atualizada sobre o que acontece nestas bandas. Para isso, vai sempre às exposições que pipocam aqui e acolá e é sobre elas que pretende lançar seu olhar crítico que não se restringe só às obras, aos trabalhos expostos, mas também ao ambiente: como estão organizadas, se existem informações para os visitantes, enfim, se vale a pena o leitor investir o seu tempo para ir vê-las. Eventualmente, faz críticas de filmes, mas prefere deixá-las aos mais habilitados. Mas não deixa de acompanhar os lançamentos. Humildemente, pede ao leitor paciência para com o que ele lê aqui no espaço, pois a escritura e análise pedem apuro ao longo do tempo.

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