
Em conversa com Marcelo Gleiser, neurocientista explicou como processos inconscientes moldam a percepção e apresentou tecnologias capazes de ampliar os sentidos humanos
A realidade percebida não é uma reprodução exata do mundo exterior, mas uma interpretação construída continuamente pelo cérebro. Essa foi a provocação central da palestra “A realidade que você vê não existe. Seu cérebro a inventou — agora mesmo”, realizada na tarde desta quarta-feira (5/8), no palco Kobra do Rio Innovation Week 2026. A atividade reuniu o neurocientista norte-americano David Eagleman e o físico e astrônomo brasileiro Marcelo Gleiser.

Foto: Ag. Enquadrar/RIW)
Autor do livro “Incógnito – a vida secreta do cérebro”, Eagleman explicou que o cérebro não tem contato direto com aquilo que está fora do corpo. Protegido no interior do crânio, ele recebe sinais elétricos produzidos pelos órgãos dos sentidos e, com base nessas informações, constrói um modelo do mundo que permite compreender o ambiente, tomar decisões e agir.
Segundo o neurocientista, grande parte desse processamento ocorre de maneira inconsciente. Ações aparentemente simples, como reconhecer o rosto de um amigo, e experiências complexas, como se apaixonar, exigem que o cérebro processe milhões de informações sem que tenhamos consciência disso.
“Em cada um de nós existe um outro que não reconhecemos. É a nossa voz interior”, afirmou. Eagleman destacou ainda que o cérebro é formado por diferentes sistemas, muitas vezes conflitantes entre si. Cada decisão, portanto, resulta de uma espécie de disputa interna entre impulsos, desejos e interpretações. Para ele, essa dinâmica ajuda a explicar a complexidade e a sutileza do comportamento humano.
O diálogo com Marcelo Gleiser, curador da conferência Ciência para Todos, também abordou a capacidade humana de refletir sobre os próprios estímulos e respostas. Eagleman observou que as pessoas não apenas reagem ao ambiente, mas podem examinar suas reações, questioná-las e modificar o próprio comportamento. Muitas escolhas, no entanto, são influenciadas por fatores fora da consciência.
Um dos principais temas da conversa foi a plasticidade cerebral — a capacidade do cérebro de reorganizar suas conexões ao longo da vida. Os neurônios se modificam a partir das experiências, criando e desfazendo conexões continuamente. Esse processo ocorre desde a infância e prossegue na vida adulta, acompanhando o desenvolvimento, a aprendizagem e as mudanças no ambiente.
Eagleman ressaltou que as relações sociais, o afeto e o contato físico desempenham um papel importante nesse processo. Estudos realizados ao longo das últimas décadas demonstram que a privação de vínculos, estímulos e cuidados pode provocar atrasos no desenvolvimento. O neurocientista também explicou que o cérebro tem um mapa interno do corpo e consegue reorganizá-lo quando ocorre a perda de uma função ou de uma parte corporal.
Som identificado pelo tato
Essa capacidade de adaptação fundamenta as tecnologias de substituição sensorial apresentadas pelo pesquisador. Durante a conferência, Eagleman mostrou um colete que transforma informações sonoras em padrões de vibração na pele. Com treinamento, o cérebro aprende a interpretar esses sinais, permitindo, por exemplo, que uma pessoa identifique sons por meio do tato.
A tecnologia abre possibilidades para pessoas com deficiência e também para a criação de sentidos que o corpo humano não tem naturalmente. Na prática, diferentes tipos de informação podem ser convertidos em sinais compreensíveis pelo cérebro, ampliando as formas de interação com o mundo.
Ao falar sobre saúde cerebral, Eagleman recomendou a busca permanente por novos estímulos e experiências. “É preciso sair do caminho de menor resistência. A fórmula mais simples é buscar coisas novas e fazer algo diferente”, afirmou. Entre os exemplos, citou escovar os dentes com a mão não dominante, trocar o relógio de pulso e alterar o trajeto até o trabalho. Pequenas mudanças, segundo ele, desafiam o cérebro e estimulam a formação de novas conexões.
Marcelo Gleiser conduziu a conversa a partir das relações entre percepção, consciência e desenvolvimento humano. O diálogo também abordou o amadurecimento do córtex frontal, região relacionada ao planejamento, ao controle dos impulsos e à tomada de decisões, que continua se desenvolvendo no início da vida adulta.
A sexta edição do Rio Innovation Week prossegue até sexta-feira (7/8), no Píer Mauá, no Rio de Janeiro. Com o tema “Simbiose — o futuro não acontece isolado”, o evento reúne ciência, tecnologia, cultura, negócios e impacto social em cerca de 40 palcos.
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O Rio Innovation Week 2026 conta com a apresentação do BNDES e com patrocínio e parceria de grandes marcas como Prefeitura do Rio, Riotur e Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, GWM, Stellantis, Águas do Rio, Binance, Claro, RecargaPay, Sotreq, Rede Américas, Cedae, Vibra. EY, Accenture, BNY por meio da lei municipal de incentivo à cultura – ISS, FNT Telecomunicações, IBMEC-Instituto YDUQS, Firjan, Ambev, BAT, Merck, FGV, Marinha do Brasil, MPRJ, Prefeitura de Niterói, Sesc Rio, Senac RJ, Estadão, Globo, Exame, LinkedIn, Grupo Band, MIT Technology Review, Not Journal, O Dia, Broadcast, Correio da Manhã, Record, Metrópoles, ASSERJ, Sai do Papel. Apoio: Governo do Estado do Rio de Janeiro e Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa. Realização de Ler Cultural, MMAR, Base Promoções e Ministério da Cultura através da Lei Rouanet.
Serviço
RIO INNOVATION WEEK 2026
Quando: 4 a 7 de agosto de 2026
Onde: Pier Mauá – Rio de Janeiro – Brasil
AV. RODRIGUES ALVES, 10 | PRAÇA MAUÁ, RIO DE JANEIRO | RJ, 20081-250
Vendas de ingresso: https://www.sympla.com.br/evento/rio-innovation-week-6-edicao/3438968
Sobre o Rio Innovation Week
Após expandir sua atuação em 2026 com a estreia do São Paulo Innovation Week (SPIW), que reuniu 80 mil participantes no Mercado Livre Arena Pacaembu e na FAAP, o Rio Innovation Week retorna ao Píer Mauá para sua sexta edição. Consolidado como um dos maiores eventos globais de tecnologia e inovação, o Rio Innovation Week recebeu em 2025, 205 mil participantes, mais de 3 mil palestrantes, distribuídos em 60 conferências e 40 palcos. De 4 a 7 de agosto de 2026, o evento volta a reunir líderes, especialistas, empreendedores e representantes de diversos setores para uma programação imersiva que promove conexões, geração de negócios, experiências e debates sobre inovação, tecnologia, sustentabilidade, diversidade e impacto social.









