Crochetando as tramas da vida

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O artesanato de crochê entrou mais tarde na vida de Thereza Cristina de Barros. Casada com “o amor de sua vida” e com uma filha de 19 anos, ela se formou em Psicologia, mas acabou trilhando uma brilhante carreira como gestora de varejo em uma grande loja de roupas no Rio de Janeiro por quase 20 anos.

Ao se ver em meio a um tiroteio na Av. Brasil, teve um forte choque emocional que serviu para reavaliar sua vida profissional. Trocou a pesada rotina, que a impedia de participar de eventos familiares importantes como os aniversários da filha (em dezembro, época crucial para as vendas), por uma vida mais tranquila, se aventurando em concursos públicos e em outras empresas.

Até que veio um novo baque: um câncer de tireóide.

Foi quando descobriu o crochê. E o seu próprio talento para o artesanato.

 

Como o crochê entrou na sua vida?

O crochê entrou na minha vida, pasmem, aos 11 anos.  Minha família, voltando de uma temporada de 2 anos em Manaus, terra de minha mãe, a minha “filha” mais velha. Chegamos  por aqui na metade do ano letivo, o que me obrigou a voltar à escola somente no ano seguinte. A solução que ela encontrou: “colocar essa menina nas aulas de crochê”, onde o público era maciçamente idoso e eu era a mascote, quase uma atração do curso. Hoje, minha filha diz que eu era uma aberração, com 11 anos fazendo crochê. Mas aí descobri uma habilidade que só foi resgatada, de fato, muitos anos depois. Mais precisamente em 2009, após um câncer de tireóide bem agressivo  que me abalou um bocado. Na época, os cachecóis estavam em alta e comecei a fazer pra dar de presente. As encomendas começaram e a “brincadeira” foi me agradando.

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As golas, um hit do inverno

E por que você resolveu fazer desse hobby uma forma de sustento?

À medida que foi me agradando, fui percebendo que era um grande barato aliar esse prazer a uma renda, uma vez que estava sem trabalho formal. Como eu sempre digo, ganho dinheiro fazendo terapia. Confesso que, após esse inverno dos cachecóis, veio o calor e fiquei sem opção de trabalho. Foi quando surgiu uma parceria com a design e artesã Mônica Carvalho, que me ensinou uma técnica de trama com sementes e crochê, bastante diferenciado do crochê tradicional. Passamos a desenvolver principalmente bolsas, objetos de decoração, e eu, a partir da mesma técnica, fui criando peças exclusivas minhas usando, além de sementes, contas coloridas variadas em maxicolares, colares, pulseiras, brincos…

 

Quais são os desafios do artesanato de crochê?

O artesanato em crochê, assim como o artesanato como um todo, vem sendo mais valorizado de uma maneira geral. Desde que comecei, sinto uma diferença no olhar das pessoas. E o grande desafio é a inovação, tentar atrair o interesse pelo diferente, pelo criativo, pelo novo.

 

Você faz peças de bijuterias e de roupas com crochê, e muitas delas são bem diferentes. Onde busca inspiração?

A minha inspiração vem de algumas pesquisas em vitrines, sites de moda e também sugestões de clientes e amigas, que me enviam através das redes sociais peças diferentes que tento personalizar. Além da rua, a observação diária acaba me inspirando também.

 

O crochê é muito versátil, existem várias formas de tecer a linha. Quais são as técnicas que você utiliza?

Na verdade, o crochê é uma das técnicas do artesanato. Como falei, desenvolvi peças minhas com a trama do crochê com sementes e contas coloridas. Que me conste, acho que é inédito.

foto colar sementes

Colares de sementes com crochê: ineditismo

 

Além de feiras e exposições, que outros meios você utiliza para expor e divulgar o seu trabalho?

Outra parceria muito importante na minha vida foi com o artista plástico Cocco Barçante, que inaugurou, há dois anos, o Museu do Artesanato em Petrópolis, com o objetivo de registrar a tradição e as técnicas relevantes do artesanato fluminense. Essa união, juntamente com a grande amiga e também artesã Alice Corrêa, gerou a loja Sentimentos do Rio, espaço cedido pela Universidade Cândido Mendes Ipanema, onde é comercializado o artesanato de qualidade do Estado do Rio.  Essa parceria entre a Universidade e o artista plástico e também professor, nos deu a oportunidade de oferecer cursos de artesanato.  Ensinando as técnicas Crochê, Transformação de madeira, Pintura em tecido e Bordado.

Sigo crochetando, com muito prazer,  nos pontos, tramas, texturas e agulhas dessa vida.

 

Quais são os planos para 2016?

Ter muita inspiração pra elaborar mais peças criativas, exclusivas, aumentar minha carteira de clientes e conseguir desenvolver uma coleção para uma loja bacana.

 

8 - colar azul               cacehcol            bolsa        colar sementes

 

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crochetdate@yahoo.com.br

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Author

Patricia Costa
Jornalista, roteirista, mãe, poeta, editora, escrivinhadora, atriz. Mulher. Sou filha da PUC-Rio, formada em Comunicação Social com habilitação em jornalismo. Trabalhei em revistas sobre meio ambiente e educação. Fui parar na TV na produção do Globo Ecologia e logo estava participando da criação do Canal Futura, onde fiquei por mais de 7 anos. Trabalho na MultiRio, uma produtora de multimeios educativos da prefeitura do Rio de Janeiro, há 10 anos, atuando como roteirista e editora. Colaborei para os sites Opinião e Notícia e para o ArteCult escrevendo sobre Educação, Cultura, Cidadania, Meio Ambiente e fazendo várias entrevistas. Escrevi também para a Revista do Senac Educação Ambiental por cinco anos. Me formei em teatro pelas mãos de Bia Lessa. Fui dirigida por Alberto Renault e Roberto Bontempo. Conheci muita gente talentosa. Aprendi com muita gente boa. Fiz cursos livres de canto, de dança flamenca, de locução de rádio e de roteiro para TV e cinema. Sou uma leitora contumaz. E ótima ouvinte. Gosto de observar a vida e de dar pitaco em alguns assuntos os mais variados. Mãe de dois adolescentes, continuo aprendendo sobre a vida todos os dias. O humano me encanta. E me aterroriza também!