Bossa Nova: Um tesouro enterrado no quintal de nossa casa

 

Bom mesmo era Legião Urbana. Também tinha Cazuza e Raul Seixas, mas Renato Russo… Renato Russo foi O poeta da minha geração.

Eu estive no show do Jockey Club! Bebi todas e acabei agarrado com uma garota que apareceu no meu lado.

Mas não é para falar nem do Rock brasileiro, nem da minha juventude que estou aqui. Hoje estou aqui para falar da Bossa Nova. Isso mesmo. Aquele estilo de música que foi criado nos anos cinquenta e do qual os estrangeiros gostam mais do que os brasileiros. Aliás, eu mesmo só comecei a gostar da Bossa Nova quando também virei estrangeiro.

Eu prefiro ser… essa Metamorfose Ambulante…

Lembram-se daquela história do alquimista? Pois é. É exatamente isso. Temos de viajar pro Egito pra descobrir que o tesouro está escondido no quintal da nossa casa.

Infelizmente, no Brasil, a Bossa Nova é coisa para poucos. Bom mesmo no país do carnaval é futebol, carnaval (claro), “reality show” e polaridade. Estou longe. Mas longe mesmo. Pra vocês terem noção de como estou longe, vou contar dois segredinhos: não tenho a menor ideia de quem seja Alok e nunca tinha ouvido falar daquela cantora que saiu do BBB por causa de uns comentários preconceituosos até que ela tivesse virado primeira página de um dos jornais do país. É assim. Às vezes pensamos que estamos no centro do mundo, mas basta olharmos um pouco com os olhos dos outros para descobrimos que não é nada disso. Nossas crenças são apenas enfeites coloridos de uma festa que um dia vai acabar. Aqui mesmo na Suíça tem uns caras super famosos dos quais, tenho certeza, vocês nunca ouviram ou ouvirão falar. Mas a Bossa Nova? Cara, a Bossa Nossa está na enciclopédia Larousse (conhece?)! Será eterna enquanto durar a humanidade e durará com certeza mais do que o nosso amor. É prima do blues e do jazz, e, se tivessem deixado, os escravos que colhiam algodão no Delta do Mississipi teriam ido à África só pra aprender capoeira. Pouca coisa não.

Não digo que o brasileiro tenha que gostar desse estilo de música, mas, ao menos, o conhecer e o valorizar. É um tesouro mundial. Aliás, a televisão brasileira, essa poderosa arma que tem sido capaz de colocar um presidente no poder (e tirá-lo), tinha, por obrigação, ajudar a evoluir a cultura do nosso povo, para, quem sabe, ajudar-nos até mesmo a criar um novo estilo de música. Por que não? Uma coisa o brasileiro é: criativo, mas ninguém é capaz de voar se ficar olhando pro chão.

Por sinal, por que não criam um novo Festival da Canção no Brasil? Um festival que volte a premiar a qualidade de uma música e não a popularidade da mesma? Um festival que volte a premiar os acordes com nonas e décimas terceiras e que não venha com histórias de enviar os cantores para a frente de um paredão? Que premie músicas como Sabiá, canção de Chico Buarque e Tom Jobim? Um festival que não receba grana por cada voto computado via telefone.

Assim, por favor, quando terminarem de ler este texto, façam um favor pelo nosso país. Coloquem para tocar o álbum “Chega de Saudade” do João Gilberto no seu Spotify ou no seu Deezer – conhecendo o álbum ou não – e voltem a imaginar um futuro melhor para o Brasil, onde seremos capazes de reencontrar nossos valores perdidos e criar novos e verdadeiros valores.

Hó Bá Lá Lá.

 

 

ANDRÉ CARRETONI


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Nascido no Rio de Janeiro, em 11 de janeiro de 1971, André Carretoni cedo se apaixona pelas artes. Autodidata, aprende música, desenho, faz cursos de teatro e de cinema até que, aos 27 anos, graças aos seus conhecimentos de informática, dá uma reviravolta em sua vida e parte do Brasil, à procura de novas experiências. Vive por seis anos em Lisboa, faz o Caminho Português de Santiago de Compostela e inscreve-se em um curso de pintura em Florença, onde escreve “Piedade Moderna” e conhece Jannick, que se tornará sua esposa. Vive por dois anos em Lausanne. Escreve “Mais Alto que o Fundo do Mar”, envia contos e crônicas para os sites Tertúlia e Bonjour Brasil e frequenta o Laboratório de Escritura Criativa à Distância do Instituto Camões. Depois de quatro anos em Paris, no encalce da Geração Perdida, instala-se em Nice e encontra nova fonte de inspiração. Nasce seu filho, Tiziano Carretoni. Publica seu livro “Mais Alto que o Fundo do Mar” em francês (“Plus Haut que le fond de la Mer”), escreve “TELMAH, A Tragédia do Desencontro” e participa da oficina literária da escritora Adriana Lisboa e do masterclass do escritor Bernard Werber. Publica "TELMAH, A Tragédia do Desencontro". É eleito Acadêmico Imortal da Academia Brasileira de Letras/Suíça, cadeira número 4. Em 2021, é convidado a participar do site ArteCult. Segue escrevendo.

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