Anéis Adaptadores I: Anéis Step Up, Step Down & Sistema Cokin

Anéis adaptadores

Imagine a seguinte situação hipotética: uma pessoa que gosta de fotografar, seja como hobby, lazer ou profissão e vive em algum país fictício com grave crise política, social, epidemiológica e financeira, não tem, como a esmagadora maioria da população desse lugar, condições para comprar filtros relativamente caros, sendo alguns bastante caros, para colocar em todas as suas lentes, compradas com muito sacrifício.

Ainda que eu considere imprescindível o uso de filtros UV individuais em lentes, pelo menos as mais usadas e/ou caras, mais como forma de proteção, não apenas contra impactos diretos no elemento frontal mas, principalmente, para evitar a abrasão, o desgaste do coating causado seja devido as partículas de sílica presentes na poeira atmosférica ou limpezas feitas sem o menor critério, o uso de alguns filtros mais específicos, como os polarizadores, os de cor, como os usados em fotografia PB e os de compensação positiva ou negativa para temperatura em Kelvin (vulgo filtros 85 ou 80), pode ser feito se utilizando apenas um filtro para todas as suas lentes, mediante o uso dos chamados anéis adaptadores para filtros de rosca (ou rosqueados). Lembrando que estamos falando de filtros físicos, de vidro e não de programas de manipulação de imagem que, também, são chamados de “filtros”.

Esses anéis adaptadores se subdividem em dois tipos, para esse uso específico, denominados de anéis step-up ou step-down, conforme seu uso seja o de adaptar filtros de diâmetro maior que o diâmetro da parte frontal da lente (os step-up) ou adaptar filtros de diâmetro menor que a parte frontal da lente (os step-down) sendo que estes, na prática, geram muita vinheta e, a não ser que a ideia seja essa mesma, particularmente, acho muito complicado encontrar um filtro que funcione bem tendo este um diâmetro menor que o da lente. Enfim…

Além desses dois tipos de anéis adaptadores de filtros, eu considero um terceiro tipo que adapta não filtros de rosca em si, mas todo um sistema criado em 1978, pelo fotógrafo paisagista e de moda francês, Jean Cokin denominado de “Sistema de Filtros Criativos Cokin”.

Esse sistema, se valendo de um conjunto de anéis adaptadores nas medidas mais utilizadas adapta, não um filtro rosqueado, porém, um sistema que utiliza um suporte com ranhuras para o encaixe de filtros resinados C39, sejam estes de cores, densidade neutra (ND), polarizadores, etc.

Os dois sistemas apresentam seus prós e contras, tais como: praticidade ou não de uso e custo e, ainda que o resultado final, em termos práticos, seja absolutamente o mesmo, a preferência sobre um ou outro sistema é uma questão puramente de gosto pessoal.

Em meu humilde ponto de vista, o sistema Cokin leva vantagem em fotografias de paisagens ao se poder equalizar as áreas de luz e sombra com maior facilidade, através de filtros degradê de densidade neutra que conseguem escurecer um céu claro, permitindo-se clarear uma paisagem mais escura, em um único frame. A desvantagem é que é um sistema que, obrigatoriamente, te desacelera muito, além do quê o uso de um tripé estável é imprescindível. Algo que é meio complicado em determinados lugares devido à insegurança, onde o que menos se quer é ficar dando bandeira com uma câmera parada por aí. Por isso é fácil de se ver fotógrafos estrangeiros utilizando o sistema e muito mais difícil deste ser aplicado, na prática, por aqui.

Já o método tradicional de filtros de rosca ou rosqueados é mais prático e rápido. Rosqueou, compôs, bateu, acabou. Simples assim. Não que também não existam filtros degradê (os ND Grad) para filtros rosqueados, mas se nos Cokin se demora a ajustar o sistema, porém este é mais preciso, nos de rosca, apesar de serem mais rápidos, o uso desse tipo de filtro é razoavelmente complicado, porque, diferentemente dos Cokin, se terá que ajustar a câmera e não o filtro, o que pode desequilibrar toda a harmonia e o ângulo da foto.

Então, qual é a ideia por trás do uso de anéis adaptadores, resumidamente? É usar o mesmo filtro para todas as suas lentes. Mesmo sendo estas de tamanhos, marcas, modelos e anos completamente diferente, mas que possuam em comum a rosca para atarraxar o filtro, seja de que tamanho esta for, pois é para isso que utilizaremos os adaptadores. Sacaram? Adaptar um filtro em todas as lentes.

Assim sendo, vocês podem ou comprar anéis adaptadores na forma de um jogo, em que eles vêm nos vários tamanhos de rosca e se vai adaptar o seu filtro de predileção à sua lente ou comprar apenas um adaptador já no tamanho da rosca tanto da lente quanto do filtro. Esse último tem a vantagem de reduzir drasticamente a ocorrência de vinhetas, que são aqueles escurecimentos nos cantos da foto, mas têm como desvantagem o uso restrito. O conjunto de adaptadores tem mais maleabilidade quanto ao uso, porém, em determinadas lentes, pode ocorrer vinhetas realmente pesadas. Não é uma regra.

Então, a ideia por trás dos adaptadores é se economizar filtros, já que só terá um filtro para todas as lentes, possibilitando-se, com isso, que se possa ter uma grande variedade deles que sirvam em todas as suas lentes em vez de se ter apenas de um ou dois tipos de filtros para cada lente. Logo, os filtros deverão ser comprados no tamanho da sua maior lente (ou até um ponto maior que essa), e se usar os adaptadores para utilizar esse(s) filtro(s) nas lentes de menor diâmetro. Um filtro grande cobre uma lente menor, porém o inverso, não. Observando-se que essa regra vale para para os filtros rosqueados.

Para os filtros Cokin, geralmente mais caros, não há tanto problema na adaptação, já que os filtros em si são todos do mesmo tamanho e vão encaixados no suporte dos filtros. A única coisa que adapta nas lentes é o anel que encaixa no suporte. Esse, sim, possui tamanho de rosca diferente para cada lente.

Assim sendo, o uso de anéis adaptadores é uma excelente e econômica forma de se utilizar filtros diferentes em diferentes tamanhos de lente, permitindo, com isso o melhor aproveitamento do equipamento disponível, tanto ao fotógrafo digital quanto ao analógico… Lógico!

Espero que tenham gostado e não percam o vídeo no canal Analógico Lógico. Um forte abraço a todos e boas fotos!

 

VITOR OLIVEIRA

INSCREVA-SE NO CANAL :


https://youtube.com/channel/UCom1NVVBUDI2AMxfk3q8CpA

 

 

Faça abaixo um comentário sobre este artigo. PARTICIPE!

Comentários (utilize sua conta no Facebook):

Powered by Facebook Comments

Author

ANALÓGICO LÓGICO!
Vitor Oliveira é dono de uma visão poética sobre a vida e o mundo que o permeia. Fotógrafo experiente e autodidata, fotografa desde os 10 anos de idade influenciado por seu avô, o pintor paisagista Altamiro Oliveira, de quem, além da pintura clássica, o influenciou no desenho e na literatura, arte que exerce escrevendo romances ambientados no submundo de uma São Sebastião do Rio de Janeiro do final do Séc XIX e começo do Séc XX que não mais existe. Pesquisador de métodos, técnicas e equipamentos fotográficos e colecionador, Vitor Oliveira fotografa principalmente em película, por considerar que, após quase 200 anos de evolução desta forma de arte, esta ainda oferece os melhores resultados, ao depurar a técnica artística, quase que alquimicamente. Sendo um dos únicos fotógrafos de nível mundial a participar, usando filme, no maior concurso fotográfico do mundo, o Sony World Photography Awards, da World Photography Organization, Vitor Oliveira inaugura seu Canal Analógico Lógico!, no YouTube, através do qual procura compartilhar um pouco de uma aprendizagem que nunca finda. Hare Hare! Canal Analógico Lógico! : https://youtube.com/channel/UCom1NVVBUDI2AMxfk3q8CpA Video de abertura: https://youtu.be/N_cuYPi6b4M

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *