Professor, tradutor, contista e poeta, Paulo Henriques Britto é o convidado desta semana do AC Encontros Literários

 

Paulo Henriques Britto é carioca e atua como professor, tradutor e escritor. Ao longo da carreira, publicou livros de poesia e de contos e recebeu vários prêmio literários, entre eles o Portugal Telecom, o da APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) e o Jabuti. Confira a entrevista exclusiva que preparamos pra você.

 

ArteCult: Como a Literatura entrou na sua vida? 

Paulo Henriques Britto: É difícil dizer. Antes mesmo de aprender a ler, por volta dos cinco anos de idade, eu preenchia blocos e blocos de papel com garranchos que eu acreditava serem palavras escritas. A vontade de escrever veio antes mesmo da aprendizagem da leitura. Aos seis anos, aprendi a ler e, desde então, leio com voracidade.

 

AC: Especificamente com relação ao ofício de escrever, que procedimentos costuma adotar? Escreve todos os dias? Reescreve muito? Mostra para alguém durante o processo?

PHB: Não escrevo todos os dias. Tenho fases em que escrevo diariamente e, de vez em quando, passo por períodos longos em que não sai nada. Reescrevo muitíssimo, sim, às vezes trabalhando décadas em cima de um mesmo texto. Sempre tenho dois ou três leitores para quem mostro o meu trabalho antes de publicar.

 

 

Mínima lírica, livro de poemas de Paulo Henriques Britto. Foto: Reprodução internet.

AC: No seu caso, de onde vem a inspiração?

PHB: De muitas fontes diferentes. Talvez a mais importante seja a leitura de textos de outros autores. Pode ser um padrão rítmico que tenha chamado minha atenção, ou a descoberta de um par de palavras que rimam. Às vezes, uma frase ouvida de alguém; ocasionalmente, fragmentos de sonhos.

 

AC: Como nasce um poema? E um livro de poemas?

PHB: Quanto à origem do poema, ver a resposta anterior. Meus livros de poemas não são planejados como totalidades orgânicas; são apenas reuniões dos poemas que produzi nos últimos anos. Na tentativa de agrupá-los e de encontrar títulos para eles, não apenas reescrevo muita coisa como também, de vez em quando, acabo produzindo um poema novo, para preencher um lugar numa série.

 

 

Nenhum mistério, de Paulo Henriques Britto. Foto: Reprodução internet.

AC: O fantasma da página em branco: mito ou realidade? Isso acontece com você? Em caso afirmativo, como lida com a questão?

PHB: Como já comentei, passo por períodos às vezes longos em que não consigo escrever nada. Quando isso acontece, não forço; simplesmente espero que o período passe.

 

AC: Na sua opinião, quais são os 3 poetas brasileiros que todo apreciador de poesia deve conhecer? E os 3 poemas?

PHB: Bandeira, Drummond e Cabral me parecem os essenciais. Citar apenas três poemas é um tanto arbitrário, mas vamos lá: “Profundamente”, “A máquina do mundo” e “Uma faca só lâmina”.

 

AC: Você é detentor de inúmeros prêmios literários. Em que medida esse reconhecimento crítico contribui para a conquista de leitores?

PHB: Creio que relativamente pouco. As pessoas que acompanham premiações normalmente são pessoas que já leem; quem não tem hábito de leitura não se interessa por premiações. O que pode acontecer é um determinado livro que recebeu um prêmio vender mais do que livros anteriores e posteriores do mesmo autor. Isso já aconteceu comigo.

 

 

O castiçal florentino marca a volta de Paulo Henriques Britto ao conto, 17 anos após o lançamento de seu primeiro livro do gênero. Foto: Reprodução internet.

AC: Projetos futuros: o que vem por aí nos próximos meses?

PHB: Se tudo correr bem, em agosto sai meu próximo livro de poesia.

 

AC: Entre os seguidores do canal de Literatura do Portal ArteCult, muitos são aqueles que escrevem ou que desejam escrever. Que conselho ou dica poderia dar a eles?

PHB: Leiam muito, muito, antes de escrever, e escrevam muito, muito, antes de publicar.

 

AC: Para encerrar, pediria que deixasse aqui um poema de sua autoria.

 

Veja e toque, e se contente.

Nada mais lhe é permitido.

Pois tudo que você tem

só é seu no escasso sentido

 

em que é sua a sombra escassa

que esse seu corpo segrega,

que some assim que se apaga

a exata luz que ela nega.

 

Confira também o post do Programa Conversa com Bial com a tradução de Paulo Henriques Britto para o poema “A arte de perder” (One Art), de Elisabeth Bishop:

 

ATENÇÃO:

  1. Não deixe de ver os artigos de Paulo em seu site da PUC: http://www.letras.puc-rio.br/br/docente/17/paulo-henriques-britto
  2. Não deixe de conferir a live que fizemos com o autor :

 

Bem é isso. Até a próxima!

 

César Manzolillo

 

 

 

Clique abaixo para ler as demais entrevistas exclusivas do projeto!

Não deixe de ver também:

LIVES
AC Encontros Literários

AC Encontros Literários tem curadoria e apresentação (live) de César Manzolillo (@cesarmanzolillo).

 

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Carioca, licenciado em Letras (Português – Literaturas) pela UFRJ, mestre e doutor em Língua Portuguesa pela mesma instituição, com pós-doutorado em Língua Portuguesa pela USP. Participante de vinte e quatro antologias literárias. Autor do livro de contos A angústia e outros presságios funestos (Prêmio Wander Piroli, UBE-RJ). Professor de oficinas de Escrita Criativa. Revisor de textos.

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