Ivana Arruda Leite: a autora de contos, romances e de literatura infantojuvenil, é a convidada desta semana do AC Encontros Literários

 

Ivana Arruda Leite (@ivana_arruda_leite) nasceu em Araçatuba (SP) e é mestra em Sociologia pela Universidade de São Paulo. Publicou três livros de contos: Histórias da mulher do fim do século, Falo de mulher e Ao homem que não me quis (reunidos na antologia Contos reunidos). Seu mais recente livro de contos é Cachorros. Lançou ainda a novela Eu te darei o céu – e outras promessas dos anos 60 e três romances: Hotel Novo Mundo (finalista dos prêmios Jabuti e São Paulo), Alameda Santos e Breve passeio pela história do homem. Em 2019, publicou Poemas de muito longe. É autora de livros infantis e infantojuvenis. Participou também de inúmeras antologias. Ministra oficinas de escrita literária.

 

Confira abaixo a entrevista exclusiva que preparamos pra você. 

 

ArteCult: Como a Literatura entrou na sua vida?

Ivana Arruda Leite: A literatura entrou muito cedo na minha vida. Fui uma criança solitária que não gostava de esportes nem de grandes aventuras. As melhores lembranças da minha infância são eu deitada na cama com um livro ou um gibi nas mãos. Eu os devorava.

 

AC: Como é sua rotina de escritora? Escreve todos os dias? Reescreve muito? Mostra para alguém durante o processo?

IAL: Eu acabo escrevendo todos os dias quando tenho alguma encomenda, trabalho ou projeto em andamento. Caso contrário. não escrevo não. Às vezes, passo meses sem escrever uma linha de “literatura”. Meus textos são reescritos dezenas de vezes, quiçá centenas. É o que eu mais gosto de fazer. Mexer no que já foi escrito. Tenho um grupo de três amigas com quem me reúno mensalmente para mostrar o que estamos escrevendo uma para a outra. É muito gostoso e bastante producente.

 

Eu te darei o céu – e outras promessas dos anos 60, novela de Ivana Arruda Leite. Foto: Reprodução internet.

 

AC: No seu caso, de onde vem a inspiração?

IAL: A inspiração vem da vida, das coisas que vivencio, que ouço, que vejo nas ruas, nos jornais, na televisão, nos bares, das viagens que faço, dos amigos.

 

AC: O fantasma da página em branco: mito ou verdade? Isso acontece com você? Em caso afirmativo, o que faz para resolver esse problema?

IAL: O fantasma existe, mas a gente aprende a enfrentá-lo. Quando o escritor se vê diante da página em branco ele se depara com tantas opções que a tendência é travar e não escrever nada. Minha sugestão (e meu método) é ir escrevendo da maneira mais solta possível, em todas as direções. Logo você perceberá que o texto se direciona para um lugar determinado, e é esse o caminho que deve ser seguido. Não descarte as opções antes de ter certeza para onde quer ir.

 

AC: Um livro marcante. Por quê?

IAL: São tantos. Impossível dizer um. Digo que foram todos do Julio Cortázar, que li nos anos 80 e que muito contribuíram para minha formação de contista.

 

AC: Um escritor marcante. Por quê?

IAL: Julio Cortázar, Monteiro Lobato, Lygia Fagundes Telles, Amós Oz.

 

AC: Fale um pouco dos livros que já publicou até hoje.

IAL: Eu publiquei contos, romances, poesias, infantis e infantojuvenis. Acho que são 17 até agora. Minha escrita é variada na forma, no gênero, no conteúdo e se destina a públicos diferentes. O que há de comum entre eles? Concisão, objetividade, temas femininos, amor, desamor, uma esperança imorredoura de que tudo vai dar certo no final e humor, muito humor.

Hotel Novo mundo: romance finalista dos prêmios Jabuti e São Paulo. Foto: Reprodução internet.

 

AC: Projetos em andamento: o que vem por aí nos próximos meses?

IAL: Estou com dois livros inéditos que devem sair proximamente, mas ainda não posso falar muito sobre eles. Só digo que é bem diferente de tudo que escrevi até hoje, embora eu continue a mesma…

 

AC: Entre os seguidores do canal de Literatura do Portal ArteCult, muitos são aqueles que escrevem ou que desejam escrever. Que conselho ou dica você poderia dar a eles?

IAL: Meu conselho é que vocês leiam muito, leiam autores brasileiros e estrangeiros, clássicos e contemporâneos. Ninguém se torna um bom escritor sem muita leitura. Depois escrevam e submetam seus textos ao olhar de alguém mais experiente, que possa te mostrar os erros e acertos. Para isso, as oficinas de literatura são muito úteis. Aliás, se você quiser uma oficina para escrever bastante e ouvir muitos palpites sobre seus textos, estou às ordens.

 

Confidencial: anotações secretas de uma adolescente: obra destinada ao público infantojuvenil. Foto: Reprodução internet.

 

AC: Para encerrar, pediria que deixasse aqui uma amostra de seu trabalho como autora.

IAL: Segue um miniconto do meu livro Falo de mulher, publicado em 2002.

 

RECEITA PARA COMER O HOMEM AMADO

Pegue o homem que te maltrata, estenda-o sobre a tábua de bife e comece a sová-lo pelas costas. Depois pique bem picadinho e jogue na gordura quente. Acrescente os olhos e a cebola. Mexa devagar até tudo ficar dourado. A língua, cortada em minúsculos pedaços, deve ser colocada em seguida, assim como as mãos, os pés e o cheiro verde. Quando o refogado exalar o odor dos que ardem no inferno, jogue água fervente até amolecer o coração. Empane o pinto no ovo e na farinha de rosca e sirva como aperitivo. Devore tudo com talher de prata, limpe a boca com guardanapo de linho e arrote com vontade, pra que isso não se repita nunca mais.

 

Bem, é isso. Até a próxima!

 

César Manzolillo

Colunista do canal LITERATURA

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Author

Carioca, licenciado em Letras (Português – Literaturas) pela UFRJ, mestre e doutor em Língua Portuguesa pela mesma instituição, com pós-doutorado em Língua Portuguesa pela USP. Participante de vinte e quatro antologias literárias. Autor do livro de contos A angústia e outros presságios funestos (Prêmio Wander Piroli, UBE-RJ). Professor de oficinas de Escrita Criativa. Revisor de textos.

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