
por César Manzolillo

Imagem gerada por IA
ANATOMIA DO DESEJO
O espelho lhe devolvia exatamente o que o mundo ansiava ver. No camarim, batom vermelho, torso nu e um perfume de jasmim que flutuava no ar como névoa densa. Luana não buscava o amor, sentimento fraco, burocrático e previsível, mas nutria-se de desejo puro. Naquela noite, o bar estava lotado. Ela sentou no balcão, cruzou as pernas e esperou. Do outro lado do salão, um homem elegante e claramente comprometido. Um magnetismo físico, quase violento, surgiu. Eles não precisaram de muitas palavras. Para Luana, cada sussurro ao pé do ouvido e cada respiração acelerada eram o combustível para uma chama que nunca se saciava. Ela enxergou nos olhos dele perda de controle e a disposição de arruinar uma vida inteira em troca de uma hora sob os lençóis de cetim dela. No quarto do hotel, um turbilhão de pele, pressa e promessas que nenhum dos dois pretendia cumprir. Às duas e meia da madrugada, o homem dormia o sono pesado dos culpados quando Luana levantou em silêncio e contemplou pela janela a cidade iluminada. Em seguida, mirou o homem na cama pela última vez, agora sem nenhum interesse, o fogo de antes havia se apagado. Ela então vestiu-se apressadamente e foi embora, levando nos lábios apenas um sorriso pálido tingido de amargura.
CÉSAR MANZOLILLO

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com Márcio Calixto
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