FESTIVAL DO RIO 2018 – O ÓDIO QUE VOCÊ SEMEIA: NOSSA VOZ MERECE SER OUVIDA E ESSA HISTÓRIA SER ASSISTIDA

Destaque

O Artecult teve a oportunidade de conferir em primeira mão no Festival do Rio, a mais nova produção dos Estúdios Fox: “O Ódio que você semeia”.

O filme é baseado em um best-seller mundial com o mesmo nome, escrito pela autora Angie Thomas, e sua história, com personagens enriquecedores e repletos de camadas, nos prende a todo instante. A produção cinematográfica não é diferente e traz uma trama contemporânea repleta de assuntos que merecem e devem ser discutidos em nossa sociedade. O filme é arrebatador e emocionante.

A trama conta a história de Sttar, uma jovem de 16 anos, que vive em dois mundos diferentes: um deles, a sua escola particular, e o segundo, o bairro em que mora, considerado periférico. Sua vida é relativamente equilibrada entre esses dois locais, suas amizades não são convidadas para sua casa, seu namorado também, tudo muito separado. Sttar possui essa preferência para que não seja vista como uma “coitadinha” pelos amigos da escola particular em que estuda. Em um determinado momento da trama, Sttar passa por algo, acompanhada do seu amigo de infância, que poderia mudar sua vida para sempre: numa blitz em seu carro, por um descuido, seu amigo acaba pegando uma escova de cabelo, após o policial pedir para que ele ficasse imóvel enquanto checava seus documentos; o gesto é interpretado como uma reação, o que acaba fazendo o policial atirar e matar o rapaz.

O filme deixa claro alguns dos assuntos mais evidentes na sociedade atual: os crimes de ódio e o tratamento violento a afrodescendentes pelos policiais, principalmente em bairros mais carentes. Somente nos Estados Unidos, cerca de 59,2% de crimes por motivos raciais são contra a comunidade afro-americana.

A trama segue uma dinâmica de acontecimentos que nos deixa aflitos a todo instante; o telespectador entende e percebe as aflições e a tensão por que sua protagonista passa. Ao presenciar o que acontece a seu amigo, Sttar percebe que foi uma situação de extrema injustiça e surgem questões em seu consciente: ela deve se calar? Ou usar sua voz em prol de justiça? Essas indagações são as estruturas que desencadeiam todos os pilares de sustentação da história e há um ponto de vista do comumente demonstrado em relação ao racismo. O filme desenrola a ficção com total autonomia de contexto verídico. A expressão utilizada seria “dedo na ferida”, para escancarar o que as pessoas da comunidade afro-americana e de todo mundo passam constantemente durante seu dia-a-dia.

Sobre as estruturas que o filme possui, podemos ressaltar a excelente fotografia, a trilha sonora e uma direção primorosa por parte de George Tillman Jr. Responsável por grandes obras, como “This is us”, “Uma Longa Jornada”, “Luke Cage”, “Power”, entre outras, aqui ele entrega uma história muito bem amarrada, com fatos e acontecimentos muito bem orquestrados. Existe todo um demonstrar das camadas que compõem o roteiro e isso é feito com extrema maestria por ele. O tom realista do filme torna-se um projeto extremamente convidativo. Prevejo bons números de bilheteria. Ressalto que um dos maiores pontos altos do filme é sua escolha de elenco.  Todos os atores se entregam em suas respectivas atuações, tornando seus personagens totalmente empáticos ao público geral. A atriz Amandla Stenberg, que interpreta a protagonista “Sttar”, é uma escolha muito bem acertada. Ela consegue demonstrar todas as nuances da sua personagem e é impressionante perceber sua maturidade nessa atuação, que exige uma carga emocional bastante elevada. Regina Hall e Russel Hornsby (mãe e pai de Sttar) dão um show à parte. É totalmente notória a preocupação deles com sua filha, como priorizam o desejo de que ela não venha a sofrer em uma sociedade tão cruel. Algee Smith, que interpreta Khallil, tem uma passagem pequena mas extremamente marcante para a trama, mérito da excelente atuação do ator. Todo o elenco promove um trabalho primoroso no quesito atuação.

Uma trama como essa se faz necessária no contexto das produções cinematográficas de blockbuster, com a presença de toques políticos e a demonstração de discriminações raciais, religiosas ou por orientação sexual, que percebemos nos dias de hoje. Assistir a uma história com um potencial tão elevado em seu conteúdo ressurge como uma busca da importância do diálogo e da transparência das vias de fato.  “O Ódio que você semeia” é uma história que dá voz àquilo que merece ser ouvido. Por mais triste e difícil que possamos perceber nosso mundo, devemos nos unir e jamais desistir, lutar sempre e respeitar-nos acima de tudo. Corram para conferir essa grande história, que chega em todos os cinemas no próximo dia 06 de dezembro!

LUAN RIBEIRO

ESPECIAL DO RIO 2018

Acompanhem-nos em nossas redes sociais:

@artecult e @cinemaecompanhia

 

 

 

Faça abaixo um comentário sobre este artigo. PARTICIPE!

Comentários (utilize sua conta no Facebook):

Powered by Facebook Comments

Author

Luan Ribeiro
Sou natural de Mata de São João, Bahia, mas atualmente moro na cidade do Rio de Janeiro. Sou formado em Engenharia, mas sempre tive uma verdadeira fixação pelo universo cinematográfico e sou o admin do @CinemaeCompanhia no Instagram. Assistir um filme é minha válvula de escape para mergulhar e me aventurar em mundos totalmente novos e me desligar dos problemas do dia-a-dia. Aproximadamente de duas a três vezes confiro as estreias da semana nas telonas, digamos que eu seja quase um “rato de cinema”. rs Será um enorme prazer compartilhar aqui minhas opiniões sobre os filmes e suas principais curiosidades. E uma ótima oportunidade para poder aprender e "trocar figurinhas" com todos vocês! Espero que se divirtam muito e curtam minhas dicas. Que a FORÇA esteja com vocês!!! Forte abraço! Luan Ribeiro. Instagram.com/CinemaeCompanhia e-mail: luancribeiro@hotmail.com

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *