
Com Ana Gosling

SER GRANDE
Por Ana Gosling
Queremos ser eternizados por grandes feitos. Uma descoberta científica. Uma obra clássica. Uma teoria revolucionária. Uma aparição na tevê. Uma estampa em jornal famoso. Uma entrevista memorável.
Mas gostarão de contar sobre nós coisas que não imaginamos. Talvez o cônjuge se lembre de como nossas pernas sobravam para fora da cama. Ou do ronco e da bagunça do quarto. Talvez o filho se apegue à memória de como dançávamos, de um jeito antigo, novas canções. E os netos sintam saudades dos pingos de leite que guardávamos num pote no aparador, para presenteá-los, às escondidas, antes dos pais lhes servirem o almoço.
Um nobre pensador pode ser referência aos colegas contemporâneos. Inspirar gerações. Mas não escapar de, no futuro, ter suas ideias contestadas ou ser considerado cientista de obviedades. O artista revolucionário pode tornar-se um marco de tendências. Mas, produto do seu tempo, não está a salvo de ser ultrapassado no futuro, onde as ideias, arrojadas em seu tempo, são notícia velha.
Em cem anos, talvez ninguém leia nossos livros nem se enterneça com nossos heróis. Outras teorias acrescentarão elementos à verdade que conhecemos. Algumas ultrapassarão nosso entendimento de mundo. Em cem anos, ninguém se lembrará, também, dos pingos de leite nos potes, das pernas jogadas na cama, dos passos desengonçados no salão.
A finitude se impõe mesmo a quem toca a eternidade. Traz novo sentido para quem escolhe escrever uma história diferente.
Se pudéssemos ver um século à frente, talvez, hoje, abandonássemos a ideia de grandeza. Vive-se melhor habitando a miudeza do tempo. Estando inteiros num abraço ou mergulhados num beijo. Vendo-nos espelhados nas pupilas das nossas crianças ou acolhendo sua tristeza quando, adultas, descobrem que ninguém sabe muito bem para onde ir.
Talvez aceitássemos melhor a finitude. Não só do corpo mas da mente. Não só da mente mas do rastro histórico. Não só da História mas da sua reescrita, de tempos em tempos.
Se pudéssemos ver um século à frente, amaríamos ainda mais os que nos cercam, sabendo tudo tão efêmero. Cuidaríamos deste tempo e deste lugar. Do que nos exige reparação. Semearíamos futuros sem antecipá-los, apenas como consequência natural de amar hoje, estar hoje, mudar hoje o que precisa de nós.
Eu pediria a você: lembre-se de eu amar a cor das coisas. As palavras, os pássaros, as flores, a espuma do mar. Sem pretender estar além disso. Sabendo não controlar o que de mim ficará em você.
DICA DA SEMANA:

Foto: Divulgação
LANÇAMENTO – NUVENS DE PALAVRAS – VOLUMES 7 E 8 – BELO HORIZONTE
Nossas Nuvens continuam ganhando os céus.
No próximo sábado, dia 29/08, o lançamento da coletânea será em Belo Horizonte, onde estarão vários autores da coletânea de crônicas “Nuvens de Palavras”!
Os textos da coletânea foram elaborados pelos alunos da Oficina Literária Eduardo Affonso.
A Oficina, que iniciou seus trabalhos em 2020, permanece ativa, hoje contando com 60 alunos divididos em 5 turmas e com as vagas de inscrição momentaneamente lotadas.
Já foram produzidos seis volumes anteriores de coletânea de textos. No dia 29/08, será um dos eventos da sequência de lançamento dos volumes 7 e 8, que contêm 4 a 5 textos de 28 autores em cada livro. Dessa vez, o próprio Eduardo Affonso, instrutor da Oficina e colunista do Jornal O Globo e colaborador da coluna Lu Lacerda na Revista Veja, participará dos livros, com textos inéditos.
Estou entre os alunos, com textos no volume 8. Infelizmente, dessa vez, não poderei estar participando da festa, em razão de compromissos previamente assumidos. Mas convido a todos para prestigiarem os autores presentes, adquirindo um exemplar, colhendo um autógrafo e levando um abraço.
SERVIÇO:
Evento: Lançamento da Coletânea “Nuvens de Palavras, volumes 7 e 8”
Data e hora: 29/06/2026, às 10 às 13 horas
Local: Frau Bondan – Centro Cultural do Banco do Brasil – Praça da Liberdade, 450, Belo Horizonte, MG
Siga a Oficina nas redes sociais:
Instagram: @nuvens.de.palavras
Facebook: https://www.facebook.com/share/1CkzaidQR3/
Informações: oficina@eduardoaffonso.com

Foto: Divulgação
GINGERS EM STREAMING
Amigos, com alegria, compartilho que “As Gingers”, documentário elaborado com o grupo de sapateado de que participo, depois de selecionado para participação em 14 festivais nacionais e internacionais e exibição no cinema, está disponível nos seguintes streamings: HBO, Apple Tv e Prime Video (em BoxBrazil TV), além do YouTube.
O documentário “As Gingers”, de Pedro Murad, ganhou o prêmio de “Melhor Direção”, no Festival de Xerém 2025. Foi roteirizado por Rafaeli Mattos para compor a dramaturgia do espetáculo “Gingers, uma obra de arte do tempo”.
Esse registro cinematográfico, pra mim, é feito de amor. Do elenco amigo à produção, direção e fotografia (de Edvandro de Castro), tudo foi aliança de parceria e carinho.
Corram para assistir – é curtinho, 15 minutos – e sintam-se inspirados pelas histórias de vida desse grupo.
SERVIÇO:
Filme: “As Gingers”
Direção e montagem: Pedro Murad
Roteiro e Pesquisa: Rafaeli Mattos
Fotografia : Edvandro de Castro
Produção: Andreia Pimentel
Elenco (em ordem alfabética): Ana Lúcia Gosling, Angela Pataro, Carlos Fernandes, Dilcéia Mattos, Fátima Christina Araújo, Jacyra da Conceição, Julieta Duarte, Maria Antonia Souza, Maria Neide Monteiro e Monica Pinheiro
Projeto: Filmesdeapartamento
Realização: Abacateiro Produação Ilimitadas e Inquieto Filmes
Festivais: The Soul Center Film Fest: Shades of She 2025; Papagena Festival 2025; Baixada Filme Festival 2025; 1º Festival de Cinema Guará/curtas 2025; Kinjal Shah 2025; 1ª Mostra de Cinema Itapety; Festiva de Cinema de Xerém 2025; Violeta Film Fest – VFF 2025; 3º Cine RO – Festival de Cinema de Rondônia; 1º Mostra de Cinema Itapety 2025; 5ª Mostra do Filme Marginal; 7º Festival Internacional de Cinema Ambiental da Serra Catarinense; IV Periférica – Mostra de Cinema, X Planeta.doc Festival.


com Márcio Calixto
com César Manzolillo
com Rose Araújo














