
Chegamos, enfim, ao último artigo sobre a incrível aventura de percorrer a ESTRADA REAL (@institutoestradareal), criada no século XVIII pela Coroa Portuguesa, cuja rota original escoava ouro e diamantes até os portos fluminenses. Depois de viajar pela maior rota turística do Brasil, desbravando seus mais de 1630 km de extensão, passando pelos Estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo e conhecendo seus quatro caminhos – CAMINHO NOVO, CAMINHO VELHO, CAMINHO DOS DIAMANTES e CAMINHO DO SABARABUÇU – achei que valeria a pena mais uma matéria sobre o assunto, tecendo comentários gerais e observações sobre tudo o que foi visto até agora.
Certamente, uma jornada de (muitas) descobertas…
Foi em 1999 que a FIEMG (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais) decidiu criar um circuito turístico para resgatar a história e os caminhos abertos há mais de 300 anos para a descoberta de ouro, pedras preciosas e, claro, para a exploração do território brasileiro. E essa iniciativa foi bastante exitosa, pois cada um dos trajetos da ESTRADA REAL trazem belezas naturais incríveis, inúmeras igrejas seculares e cidades históricas, distribuídos em cenários que guardam memórias do Brasil do século XV.
Hoje, neste sexto artigo, finalizo essa viagem fantástica!

Começamos com a PARTE 1: : o início de uma grande (e deliciosa) aventura pelos caminhos do sabor, em que contei um pouco sobre as expectativas e o planejamento da viagem e todas as informações introdutórias que considerei pertinentes; depois, na PARTE 2: desbravando os sabores do CAMINHO NOVO, partimos de Magé rumo a Ouro Preto naquele que é considerado o caminho mais jovem da ESTRADA REAL, que começou a ser aberto em 1699 sob a responsabilidade do bandeirante Garcia Rodrigues Paes; em seguida, na PARTE 3: a jornada do sabor continua pelo CAMINHO VELHO, fizemos o caminho de volta ao Rio de Janeiro, rumo à Paraty, pelo primeiro trajeto determinado pela Coroa Portuguesa, antigamente conhecido como Caminho do Ouro; depois de um hiato de dois anos, retomamos a ESTRADA REAL com a PARTE 4: um passeio pelo histórico CAMINHO DOS DIAMANTES, em que o ouro e as pedras preciosas encontradas ao norte da província podiam ser igualmente escoados para Portugal através do trajeto ligando Diamantina a Ouro Preto; e, por fim, na PARTE 5: finalizando a expedição no CAMINHO DO SABARABUÇU, no menor dos quatro caminhos, mas nem por isso menos belo, criado como um caminho alternativo que, ao invés de começar em Ouro Preto, partiu do distrito de Glaura, seguindo o rio das Velhas, até chegar à cidade de Barão de Cocais – embora, mais tarde, tenha se descoberto que o brilho reluzente da Serra da Piedade era, na verdade, da sua composição rica em minério de ferro.
Embora meu foco tenha sido a Gastronomia, é óbvio que, numa viagem assim, muitas outras coisas vão surgindo – principalmente para quem gosta de absorver um pouco da cultura do local, suas tradições e história, é sempre um prato cheio! E eu sou uma pessoa sedenta por conhecimento e procuro, em cada viagem, mergulhar em tudo o que aquele destino tem para oferecer. E a ESTRADA REAL é muito rica nesse aspecto.
Por exemplo, trouxe na bagagem a ideia de um novo artigo aqui pro portal ARTECULT: testar as receitas de Pastel de Angu das três cidades que disputam a autoria da criação: Itabirito, Conceição do Mato Dentro e Machado. Duas delas eu tive a oportunidade de experimentar durante minha expedição…
O percurso total de 1630 km entre os Estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo pode ser feito de carro, moto, bicicleta ou a pé e, em cada uma dessa modalidades, garanto que a emoção será incomparável. Carros comuns – como foi o meu caso – fazem a maioria dos trechos, mas veículos 4×4 são recomendados para estradas de terra mais pesadas. Ciclistas e andarilhos devem se preparar para longas trilhas e morros.
Independente do meio escolhido, uma coisa é certa: não dá pra sair incólume de uma aventura desse tamanho. No mínimo, haverá muita poeira de efeito colateral…


Mas não tanto quanto imaginei, sabia? Achei que seriam muitos e muitos quilômetros por estradas ruins, quase inacessíveis, mas me surpreendi. Muitos dos trechos que constavam como “de terra”, já foram asfaltados ou, pelo menos, estavam em boas condições. Acho que, quando fiz os Caminhos Novo e o Velho em outubro de 2023 as condições eram um pouquinho piores e, talvez, hoje esses trechos já estejam melhores também. Sei que no site oficial é possível baixar roteiros planilhados, embora não saiba dizer se são atualizados com frequência.
Para quem se interessar por essa grande aventura, o primeiro passo é baixar o aplicativo oficial e obter o Passaporte ER, que é gratuito. É um documento simbólico e uma bela lembrança e, para emiti-lo é bem simples: faça o cadastro no site do INSTITUTO ESTRADA REAL ou pelo aplicativo; após esse cadastro, você receberá através do e-mail um código de cadastro, que deverá ser apresentado nos pontos oficiais determinados para a retirada do passaporte, que será feita mediante a entrega de 1 kg de alimento não perecível, que será doado para alguma instituição local.

Os carimbos comprovam que você visitou uma cidade específica. Ao longo do trajeto, você encontrará vários Pontos de Carimbo para o seu passaporte físico, distribuídos por algumas cidades que integram o Caminho. No entanto, tenha em mente que, para finalizar o passaporte físico, será aceito apenas um carimbo por cidade, e esses carimbos são registrados pelo INSTITUTO ESTRADA REAL. Por isso, conheça bem cada cidade, explore os Pontos de Carimbo e escolha o seu favorito para registrar sua aventura. Para descobrir qual é o Ponto de Carimbo mais próximo de você, escolha um Caminho e uma cidade ou faça o download da lista completa dos locais no site oficial.
A dica que dou é que vale muito a pena fazer a caçada aos carimbos tanto físicos quanto virtuais, pois são dinâmicas diferentes – e existem pontos diferentes também. As regras são diversas: enquanto que, para os pontos físicos existem lugares determinados, que podem ser consultados na lista oficial, os carimbos virtuais das cidades, distritos ou lugarejos são obtidos estando a, no mínimo, 10 km do local.

Aí, a brincadeira fica boa, pois cada vez que se fazia o check in para conseguir o carimbo virtual, aparecia um texto com informações históricas do local. Esse aspecto lúdico da ESTRADA REAL é muito interessante. Aqui, vale dizer que descobri, no apagar das luzes, que existem outras cidades em que é possível fazer o check in, bem como é possível fazê-lo em cada um dos 1818 marcos espalhados pelos caminhos. Por isso, é válido explorar o aplicativo, nos seus mínimos detalhes.
Nos eixos principais dos caminhos – Velho, Novo, dos Diamantes e Sabarabuçu – estão situados marcos da Estrada Real. Eles estão sempre presentes onde há pontos de bifurcação ou em locais que geram dúvidas ao viajante sobre a continuação da trilha. A ponta superior não indica para onde se deve ir, siga o caminho em que o marco está e, em caso de uma bifurcação, se o marco estiver à esquerda da via, é para seguir à esquerda; em todos os marcos há o traçado da ESTRADA REAL e a indicação “Você está aqui” com um ponto vermelho, mostrando a localização geográfica do lugar; e, por fim, a placa triangular instalada abaixo do marco contém informações históricas sobre o local, coordenadas geográficas, cidades próximas e a numeração no final, que pode ser encontrada nas planilhas de navegação.
Na sua viagem, estranhe se andar mais de 2km sem ver um marco, principalmente em trechos com muitas bifurcações e fique atento, pois alguns marcos podem estar cobertos pela vegetação.

Outra coisa da qual não se sai incólume dessa viagem é de se ter sempre a sensação acerca da impossibilidade de se voltar de sacola vazia. Afinal, passa-se por tantos lugares especiais, cada um com suas peculiaridades, seus produtos significativos, que não há hipótese alguma de que o retorno se dê de mãos vazias. E foi assim comigo, claro. Como já havia sido da outra vez, dessa também não escapei dessa regra de ouro. A mesa, na foto, mostra apenas uma pequena parte…

Pelo caminho encontrei também alguns produtos licenciados, como o mini marco ER, feito pela RESIN ARTS e o café TRÊS CORAÇÕES. Além disso, vi no site que agora existe também a LOJA ESTRADA REAL, com diversos produtos alusivos, como camisas, bonés, chaveiros, adesivos etc.
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Ao final da viagem, tem-se a satisfação pessoal de se ter conseguido vivenciar uma experiência tão especial. E o passaporte todo carimbado mantém viva essa sensação, funcionando não apenas como uma bela recordação, mas também como um convite para novas incursões. Afinal, há tanta riqueza na ESTRADA REAL que é praticamente impossível esgotar todas as possibilidades em uma única viagem…
E tem mais. Ao final da jornada, completado os caminhos, ganha-se um certificado por cada um deles. Porém, há uma diferença significativa entre as modalidades, seja ela virtual ou física. Elas, de fato, possuem regramentos diferentes.
Para obter o certificado virtual, é necessário desbloquear TODOS os carimbos de cada caminho. Ele será automaticamente liberado no aplicativo. No meu caso, por exemplo, no Caminho Velho não consegui passar por Traituba, que fica no trecho entre Carrancas e Cruzília. E, no Caminho dos Diamantes, mesmo tendo dormido em Conceição do Mato Dentro, eu me esqueci de fazer o check in. Em ambos, fiquei sem o certificado virtual. Os demais, foram preenchidos com sucesso.
Ou seja: fica aqui uma desculpa pra passar novamente pela região atrás dos dois carimbos restantes…




Já quando o assunto é o certificado obtido através do passaporte físico, são necessários um número mínimo de carimbos por caminho, que pode ser observado na imagem a seguir. Eu, no caso, bati de longe os números necessários e posso exibir, com orgulho, todos os meus quatro certificados…





O único ponto negativo que trago de toda essa experiência foi o que vi nas áreas em que há mineradoras envolvidas. É bastante preocupante tudo o que vi – as placas de área de risco e rotas de fuga espalhadas, uma atrás da outra, causando uma sensação de medo e insegurança; as belíssimas serras existentes na área, antes belas e intocadas, sendo lentamente destruídas; o ambiente avermelhado, “sujo”, por conta da terra carregada de lá pra cá por uma infinidade de caminhões; as dúvidas se, de fato, há alguma fiscalização séria acontecendo. Tudo isso deveria ligar um sinal de alerta, mas creio que isso não interessa politicamente…
Enfim…

Chegamos agora (realmente) ao final da jornada. Ao longo desses seis artigos que escrevi aqui para o ARTECULT espero ter contribuído na divulgação de um projeto tão belo e necessário como é o da ESTRADA REAL, bem como ter, de alguma forma, despertado a curiosidade acerca dela. Explore todos os artigos que escrevi, pois eles trazem informações que podem ajudar no seu planejamento de viagem. Quero, com certeza, incentivar e se eu conseguir, de fato, que alguém se interesse por essa grande aventura, acho que terei cumprido meu papel.
Novamente, fica aqui o meu convite para que conheçam todos os caminhos da maior rota turística do país, que nos ensina muito sobre o período colonial brasileiro, e desfrutem de muito conhecimento, beleza e (muito) sabor…
Nos vemos em breve!












