Um Banheiro II

Coluna de Márcio Calixto

Um Banheiro II

 

Quando vim trabalhar aqui na José Emygio, uma escola no município do Rio, encantei-me com o clima que o banheiro me gerava. Ele era acolhedor. Tinha um espaço, que dava para ver a copa das árvores, enfim, um banheiro que merece uma crônica.

Depois disso, passei a pensar nos outros banheiros que frequento, como o de uma escola particular, destinado aos colaboradores. Não cheguei a escrever sobre ele antes porque nunca me moveu aos fluxos sentimentais, até por ser um banheiro em que a rede de internet não funciona direito e há certos eventos que exigem boa internet funcionando dentro do banheiro. Porém, ele é um banheiro que merece meu carinho.

Ele me acompanha há pelo menos dez anos. Depois de um dia completo de aula é para ele a que me dirijo. Ele é pequeno, de basculhante alto, pouco mais de um metro quadrado. Tem me servido de espaço meditativo logo quando termino as aulas daquele dia, em que pego uma vertical na linguagem de sala de aula. São todos os tempos daquele dia em uma mesma escola. Sigo ao banheiro e reflito particularidades.

Permaneço ali por dez, quinze minutos. Espero o trânsito da escola se dissipar, sigo ao carro ou à moto e retorno para casa.

Seria muito errado (e muito ingrato) se eu nunca dialogasse com vocês sobre esse banheiro. Não nego, há outros, como o de casa, mas aí já é pessoal demais. Banheiro de casa precisa de privacidade.

 

MÁRCIO CALIXTO
Professor e Escritor

Márcio Calixto | Foto: Divulgação


Coluna de Márcio Calixto

 

 

Author

Professor e escritor. Lançou em 2013 seu primeiro romance, A Árvore que Chora Milagres, pela editora Multifoco. Participou do grupo literário Bagatelas, responsável por uma revolução na internet na primeira década do século XXI, e das oficinas literárias de Antônio Torres na UERJ, com quem aprendeu a arte de “rabiscar papel”. Criou junto com amigos da faculdade o Trema Literatura. Tem como prática cotidiana escrever uma página e ler dez. Pai de 3 filhos, convicto carioca suburbano bibliófilo residente em Jacarepaguá. Um subúrbio de samba, blues e Heavy Metal. Foi primeiro do desenho e agora é das palavras, com as quais gosta de pintar histórias.

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