
Coluna de Márcio Calixto
Um Banheiro II
Quando vim trabalhar aqui na José Emygio, uma escola no município do Rio, encantei-me com o clima que o banheiro me gerava. Ele era acolhedor. Tinha um espaço, que dava para ver a copa das árvores, enfim, um banheiro que merece uma crônica.
Depois disso, passei a pensar nos outros banheiros que frequento, como o de uma escola particular, destinado aos colaboradores. Não cheguei a escrever sobre ele antes porque nunca me moveu aos fluxos sentimentais, até por ser um banheiro em que a rede de internet não funciona direito e há certos eventos que exigem boa internet funcionando dentro do banheiro. Porém, ele é um banheiro que merece meu carinho.
Ele me acompanha há pelo menos dez anos. Depois de um dia completo de aula é para ele a que me dirijo. Ele é pequeno, de basculhante alto, pouco mais de um metro quadrado. Tem me servido de espaço meditativo logo quando termino as aulas daquele dia, em que pego uma vertical na linguagem de sala de aula. São todos os tempos daquele dia em uma mesma escola. Sigo ao banheiro e reflito particularidades.
Permaneço ali por dez, quinze minutos. Espero o trânsito da escola se dissipar, sigo ao carro ou à moto e retorno para casa.
Seria muito errado (e muito ingrato) se eu nunca dialogasse com vocês sobre esse banheiro. Não nego, há outros, como o de casa, mas aí já é pessoal demais. Banheiro de casa precisa de privacidade.
MÁRCIO CALIXTO
Professor e Escritor

Márcio Calixto | Foto: Divulgação

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