SIRLEIA ALEIXO: PÉROLA NEGRA CARIOCA

Sirleia Alexo | Divulgação

 

PÉROLA NEGRA CARIOCA

 

No meio da conversa, um “Ei, Solange, como você está?” — porque, aqui na comunidade, a gente não deixa de se chamar. Há afetos que são método.

E é desse mesmo território que sai Sirleia Aleixo. Sai do Jacarezinho para atravessar a cidade — e o país — e ir buscar, em São Paulo, o seu troféu: melhor atriz no Prêmio Shell.

Curioso, no mínimo.

Porque, se no Rio de Janeiro ela não foi sequer indicada, em São Paulo — onde, dizem por aí, pouco se sabe fazer teatro — curvaram-se diante dela. E com razão. Até hoje tento entender o que se passou com os jurados cariocas. Não há argumento que sustente o esquecimento.

Lembro bem das indicadas daquele ano — e confesso: me escapa o riso. Nenhuma delas se aproximava do que Sirleia construiu em cena com Furacão. Ali havia mais do que atuação: havia presença, elaboração, risco e entrega. Um acontecimento cênico.

Mas o mundo, às vezes, encontra seus próprios caminhos de reparo. Se aqui não coube, lá coube. E coube com aplauso.

Muito disso também se deve ao Sesc, que levou a Cia Amok para uma temporada em São Paulo. Foi ali que o espetáculo encontrou outros olhos — talvez mais disponíveis, talvez menos viciados.

Porque só quem assistiu Furacão compreende a densidade daquele trabalho. A construção entre a Amok e as senhoras Aleixo é de um nível raro. E quando algo assim acontece, o reconhecimento não deveria ser exceção — deveria ser consequência.

No palco, ao receber o prêmio, Sirleia se ajoelha, ovacionada. Um gesto que diz muito. Não é fácil sair de onde se sai e alcançar o que, para muitos, parece improvável. Há história naquele corpo.

E agora, a Amok retorna com as meninas — Sirleia e Taty Aleixo — em um novo espetáculo. Não digo que estou ansiosa. Seria pouco. Estou ansiosíssima.

Parabéns, Sirleia.

E, claro — um abraço para a Solange.

 

 

Paty Lopes (@arteriaingressos). Foto: Divulgação.

 

 

Author

Dramaturga, com textos contemplados em editais do governo do estado do Rio de Janeiro, Teatro Prudential e literatura no Sesi Firjan/RJ. Autora do texto Maria Bonita e a Peleja com o Sol apresentado na Funarj e Luz e Fogo, no edital da prefeitura para o projeto Paixão de Ler. Contemplada no edital de literatura Sesi Fiesp/Avenida Paulista, onde conta a História de Maria Felipa par Crianças em 2024. Curadora e idealizadora da Exposição Radio Negro em 2022 no MIS - Museu de Imagem e Som, duas passagens pelo Teatro Municipal do Rio de Janeiro, com montagem teatral e de dança. Contemplada com o projeto "A Menina Dança" para o público infantil para o SESC e Funarte (Retomada Cultural/2024). Formadora de plateia e incentivadora cultural da cidade.

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