
Foto: Acervo pessoal da autora
Hoje vou escrever! Bradou, com orgulho, tamanha inspiração. Foi ali fora, receber a brisa tímida e apreender o cenário. Sim, escrever exige gestos, suscita rituais.
Alinhou a cadeira, cuidadosamente, angulando à vista da montanha mais alta. Separou mesa, espaço, acaso, fonemas. Ah, os fonemas:
amaina
amena
manhã
ança
ença
onça
ninfa
linfa
Infa…infa…infa…infanc…infânci….Infâââância…..
E a menina que até então ali adormecia, logo desperta entusiasmada e se identifica, trazendo a infa…infan…infanci… infância pela mão. Agora elas são duas, no mínimo uma torcida. Então, no salto do fonema, não é que aproximaram-se do tema? …
No aceno à criança que reinventa frequentes moradas e universos, encontro aquela que me habita. Ela balbucia versos livres e tem seu charme dislálico na troca do v pelo b, ao iniciar palavra.
palavra,
p a l a v r a,
PALAVRA
pá lavra,
Pa la vra so no ra que em ba la as sig ni fi cân ci as
Acena-me de volta a menina que me sorri, como que se reconhecendo, lá um dia, em mim: está feita a magia!
A menina no meio da sala, de piso de tacos soltos, brinca com cores enquanto aguarda a bala de coco, puxa-puxada na cozinha, pelas mulheres da casa. Debruçada na mesinha de centro, que se transmuta em cavalete improvisado, ela acessa o lúdico, o onírico, o imaginário.
A menina me convida para dançar, relembrando a coreografia do festival de ballet de fim de ano, trazendo à memória apresentações atrás da cortina e meu cunhado Gerardito tantas vezes repetindo, com amor e ensaiada surpresa, “olha o pé da babalina”. E também convida a desenhar flor-casa-lago-cisne-peixe-nuvem-boboeta, suspira na feitura do arco-íris, que liga pontos distantes e distintos.
A menina fala bastante, gesticula ainda mais, ainda que no hoje eu não compreenda tudo. Mostra, remostra, rabisca, e colore, embalada por Elton John que canta a sua canção. Mais tarde ela reconhecerá Skyline Pigeon em sua playlist da vida. Sim, “turn me loose” tornou-se “tchubilú”, entre outros reinventos e licenças concedidas à primeira infância. É isso, sim, é isso, em busca do tema da escrita do dia, revela-se a frase, quase poema: A licença concedida à primeira infância.
E em sorriso satisfeito, de quem cumpriu o desafio, ela salva o arquivo, desliga o laptop e põe-se a brincar com a menina e a fauna sonora da zero hora.

Na CasAmarÉlinha, cinco anos se acendem e transcendem: espaço das artes bordado em encontros, tecendo versos em sorriso que alumia. Que venham mais cinco, passarelando em poesia!

Instagram: @rose_araujo_poeta
ROSE ARAUJO

Rose Araujo (@rose_araujo_poeta). Foto: Divulgação.
Conheça a coluna de Rose Araujo


com Chris Herrmann
com Márcio Calixto
com César Manzolillo
com Rose Araújo















Parabéns, Rose, seu texto é tocante, rico em metáforas e significados. Você é ótima! Grande beijo
Nooossa!!! que maravilha !!!….foi muito bom!!!!.
À Rose Araujo, mestra das palavras e dos sentimentos,
minha reverência!
Que esse encontro criativo e sensível com essa linda criança permaneça para sempre!
A infância que não nos deixa nunca, essa fiel sem cobrança.
Parabéns! Trabalho maravilhoso.
Lindo texto! Sensível! Essa menina nos convida a dançar e a (re)inventar a vida. Parabéns à autora!
Amei… Parabéns, Rose Araújo
Quanta sensibilidade. Parabéns, Rose!
Que lindo!
A menina, que já vestia AmarELInha, nasceu para escrever!
Rose, que linda mensagem transmitida ❤️
A bailarina criança inspirando a poeta de hoje. Nós só
temos que aplaudir o talento de ambas. Parabéns!
Parabéns minha querida irmãzinha.
Voltei no tempo e vi aquela meninha alegre que sempre foi.
Lindo texto.
Beijos e abraços.
Rose, querida, belo texto construído com melodia e apurada técnica. Fiquei comovida com a beleza dessa menina que nos faz dançar com seu talento com as palavras. Parabéns!
Rose, qta delicadeza nesse mergulho às recordações da infância! No seu mergulho vc nos leva junto e faz com q nos reencontremos naquela fase maravilhosa da qual não devemos nos desligar nunca, pois ela ameniza toda a nossa existência!
Parabéns, querida poeta!
Cecy Barbosa Campos
Que lindo, que doçura….
e sua foto pequenina, uma lindeza!
Rosinha vc é fera mesmo!
Clap Clap Clap …
Rose querida!
Compartilhando seu sentir e seu dizer como só inspirados poetas podem fazê-lo!!!
Adorei!!!!
Que lindooooo
Poxa, que delicia de ler e imaginar
Esticar as balas
Me vi ali também
Debruçada nessa mesinha
Até o cheiro do açúcar com leite de coco eu senti:
Vamos passar a tradição à nova geração!
Muito bom !!! Viajei em seu texto , lembranças, sonhos e na delicadeza e magia do sentir e existir em tão breve momento! Amei!!!
Que sensibilidade! Parabéns, Rose Araújo! A menina que habita em você tem a força da poesia, estará sempre na alma da mulher inteligente que escreve lindos textos.
Parabéns Rose,muito bom !!! Beijo grande….
Que lindinha essa menininha que virou uma poetiza tão talentosa. Parabéns Rose❤️
São reminiscências líricas de uma poeta que articula magistralmente os meandros das palavras, conduzindo o texto por marés de encantamento que surpreendem o leitor.