Somos todos Luiza

Vocês estão falando do caso da Luiza Brunet, né?  Não, eu estava falando da Monique Evans.  Ah,tá …  Não, da Hillary Clinton. Não, da Carmem Lúcia. Não, da Andrea Leadsom.  Não, da  Anita.

Nesta semana, dei este furo inúmeras vezes. Meu subconsciente não aceitava que estivessem conversando sobre outro assunto que não fosse o caso da Luiza Brunet.  Mas, quando falamos de todas essas outras mulheres também não estamos falando da Luiza Brunet? Está na hora de dizermos que “Somos Todos Luiza Brunet”.

a hora da estrela

Nós bem que gostaríamos de ser como ela. Gostaríamos de ser a modelo linda, símbolo sexual, empresária, rica, desejada por homens e invejada por mulheres. Claro, quem não gostaria? Pois é, como esse mulherão pode apanhar de um homem?  Ela foi deixando esse homem crescer aos poucos para cima dela, isso acontece dia após dia ou de repente? Um rompante de ciúmes pode desfigurar um rosto, além de quebrar algumas costelas? Por que o homem se sente no direito de usar a força de maneira tão covarde? Somos todos Lírio Parisotto? Arrisco dizer que talvez tenhamos culpa no cartório…

Culpa no cartório quando, em pequenas coisas do cotidiano, abrimos mão do nosso espaço, chegamos a dar orgulho ao mais radical machista – “muito bem, minha menina” quase se pode ouvir isso. Isso não quer dizer que a gente não possa aceitar um buquê de flores ou que o homem abra a porta do carro, puxe uma cadeira, segure a porta do elevador para a gente entrar. Delicadeza e educação encantam qualquer pessoa, acredito que encante qualquer mulher.

Mas uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. No meu carro, por favor, abra a porta do motorista, quem dirige sou eu.  Direção do carro, da vida, dos filmes.  O universo feminino é incompreensível, concordo, mas pra quê tentar entendê-lo?  Algumas diretoras fizeram filmes que podem ser considerados como uma experimentação desse universo. Ana Carolina, com “Das Tripas Coração”, “Amélia”, “Mar de Rosas” ou “Sonho de Valsa”, filmes que exigem do espectador desprendimento de conceitos pré-estabelecidos.

Numa visão mais linear, mas longe de ser cartesiano, temos a diretora Suzana Amaral contando a história de Macabea, no filme “A Hora da Estrela”, baseado no romance de Clarice Lispector,  cujo tema é o desamparo. Sim, o mundo está precisando de uma overdose, uma superexposição do mundo feminino, não é a toa que trago Clarice Lispector e Ana Carolina.

Mas, para quem não agüenta tanta densidade e precisa começar com coisas mais leves, mas já logo aviso, nada superficiais,  eu sugiro a diretora Sandra Werneck com “Pequeno Dicionário Amoroso”, “Pequeno Dicionário Amoroso 2” e “Amores Possíveis” e, para os mais fortes, “Sonhos Roubados” e “Meninas”, da mesma diretora, porque a mulheres são assim, capazes de falar de uma realidade dura, mas também falam de amor de uma maneira leve.

Somos todas tão complexas. Marisa Leão, uma grande produtora, braço forte do cinema nacional, convidou um homem para dirigir “De Pernas Pro Ar” uma comédia rasgada, bem engraçada com Ingrid Guimarães e Maria Paula donas de uma sex shop. Divertido e também feminino, sim, tudo isso cabe no nosso universo.

pequeno dicionario

Como um universo que cabe tudo isso e outras tantas coisas pode ser controlado, subjugado? Isso não, isso não cabe. Impossível. E, talvez, nessa incapacidade de controle, alguns homens usem a força física, a brutalidade, a bestialidade. Outros tantos se maravilham com tantas possibilidades.. Viva eles! Viva a gente com esses homens! Viva nós de uma maneira melhor! NÓS com o trocadilho da peça do grupo Galpão – que assombro, mas isso é outro assunto.

Fiquem com o trailler de “Vidas Partidas”, porque tudo isso é para dizer que essas coisas não podem continuar acontecendo.

Nota:

Hora da Estrela

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Author

Claudia Ebert
Jornalista e prioritariamente um bicho de televisão. Adoro cinema e tenho queda forte por documentários. Minha vida profissional já pairou na GloboNews, Globosat e por produtoras que faziam programas para a Globosat. Falo pouco de mim, mas escuto histórias - as interessantes! -, e prometo contá-las aqui.