Primavera em Casablanca e a falta de escolha: Você vai ser sequestrado da poltrona e vai agradecer por isso

Sinopse : Acompanhe cinco histórias distintas, sendo uma ambientada na década de 1980, nas montanhas do Atlas, e as outras nos dias atuais, em Casablanca, Marrocos. No entanto, a distância temporal dessas narrativas não impede que a intolerância, a ignorância e a dificuldade em aceitar as diferenças sejam as mesmas em todas elas.

Review: horas que passaram em alguns minutos logo depois que você assiste e alguns dias tentando processar todas as informações que te chegam pelos olhos, pelos ouvidos, pelo cérebro, e pelo coração, o filme “Primavera em Casablanca” faz um recorte fotográfico do Marrocos através de cinco vidas que sobrevivem às violências de pessoas que poderiam muito bem estar em qualquer lugar do mundo, mas estão ali.
Vamos tentar falar do filme sem dar spoilers.
Em 1982, um professor idealista tenta resistir à opressão de um governo que não se importa com a educação em um povoado isolado nas montanhas, mas quer impor o árabe como língua oficial e extinguir a língua tradicional local. E aí, “de que vale uma língua se calamos essas vozes?” Assim começa a jornada de um filme que não tem medo de explorar recursos fora do lugar comum. Com muito amarelo, a história te direciona para grandes questões humana através de seus cenários ora cheios e acolhedores, ora desertos e desoladores. A poesia das narrações do professor Abdellah (Amine Ennaj) te guiam para o lugar de onde os personagens falarão e dá a linha de trama do filme.


Então, uma mulher atravessa a tela e traz o espectador para os nossos dias. O que o espectador talvez não esteja esperando é que ela, como os outros quatro protagonistas, mostre toda a força e resiliência marroquina. Não, Salima (Maryam Touzani) não é uma mulher fácil! Todos os dramas da personagem são levados pelo desafio sutil da atriz em cada encenação. E aí começa aquele incômodo de saber que esse filme foi o candidato do Marrocos ao Oscar do último ano e só vai passar nos nossos cinemas agora.
A história segue também o carismático Sr. Joe (Arieh Worthalter) e seu restaurante que transborda a alegria e põe em xeque o prisma contemporâneo da populosa Casablanca em comparação ao filme homônimo de 1942. Logo, começamos a musicalizar o filme com um vozeirão ao piano. Não dá para se estender em falar desse personagem sem ser tendencioso.


Outro personagem que traz musicalidade para o filme é o Freddie Mercury marroquino, Hakim (Abdelilah Rachid). Só pelo trailer, já vai dar para ver que ele vai roubar a cena e ser responsável por grandes momentos do filme. Se você ama Queen, vai querer esse cara fazendo um show de cover do ídolo atemporal. E, se você não gosta, esteja aberto a mudar de ideia.
Por fim, somos apresentados à nossa adolescente problemática com todos aqueles clichês que a gente espera, só não imagina que Ines (Dounia Binebine) venha tanto impacto. Nesse ponto, temos aquela nota menor que não poderíamos deixar de fora da música.
Depois de conhecer os condutores desse mundo, ele fica mais intenso. A miríade vai pegando cada pedacinho de você, consolidando também os personagens de apoio de cada núcleo, e gerenciando os sentimentos do público com uma trilha incrível e bem colocada, com direito a canção original.
Claro que sempre haverá aqueles que tentem fazer as conexões entre os encontros das histórias. Boa sorte! Em certo ponto, não dá mais. Você vai ter que ver de novo porque certamente perdeu algum detalhe do qual se tocou depois. Então, vá preparado para voltar e não se preocupe com a pipoca, vai ser complicado comer e ver o filme ao mesmo tempo.

Review por Pedro Barreto.

Primavera em Casablanca estreia hoje, dia 19 de julho em todos os cinemas brasileiros.
Trailer Legendado:

MARIANE BARCELOS

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maribarcelos
Eu me chamo Mariane Barcelos, tenho 26 anos, sou designer e estudante de Audiovisual, construindo uma carreira na área. Já viajei para quase todos os cantos do mundo, inclusive já fui para fora do planeta, já dei um pulo em Marte, conheci uns anéis de Saturno e me aventurei em galáxias muito distantes, me transformei em bruxa, loba e vampira, também já fui super heroína e vilã. Não pensem que sou louca, sou apenas uma cinéfila que enxerga nos filmes uma maneira de se desconectar da realidade, ou quem sabe me conectar, com a minha realidade. Quando eu vejo um filme é para me conectar com aquele mundo, se não estou no clima, digo "nossa que dor de cabeça" e fica para um outro momento. Cinema é para ser sentido, para se apaixonar e se iludir. Encantar. Espero poder compartilhar com vocês, toda essa emoção que eu sinto ao assistir um filme e conseguir fazer com que vocês também embarquem nessa viagem sem destino. Agora através do ArteCult, também faça cobertura de eventos, como o Festival do Rio, RioMarket, Pré-Estreias e afins. Assim como nos filmes, espero poder trazer grandes novidades e coberturas completas em todas as mídias sociais, para que vocês, leitores, possam se sentir sempre imersos ao nosso universo.

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