![]() Foto: Divulgação Quando uma banda ajuda a definir um gênero inteiro, qualquer despedida ganha um peso diferente. É exatamente esse o clima que cerca a última passagem do Pentagram pela América Latina. No dia 13 de agosto, o grupo liderado por Bobby Liebling sobe ao palco do Fabrique Club, em São Paulo, para um dos capítulos finais da Farewell Tour – Last Latin American Run 2026, encerrando uma relação construída ao longo de décadas com o público latino-americano. Antes da lenda do doom metal entrar em cena, quem assume o palco é a Fuzzly, um dos nomes mais respeitados do stoner rock brasileiro. A escolha da banda de abertura vai além da afinidade sonora. Ela aproxima duas gerações que compartilham a mesma linguagem construída sobre riffs pesados, timbres saturados e atmosferas psicodélicas. Enquanto o Pentagram ajudava, ainda nos anos 1970, a moldar as bases do que mais tarde seria conhecido como doom metal, a Fuzzly surgia, três décadas depois, explorando outra vertente do peso: o stoner rock. Embora separados pelo tempo, ambos dialogam pela valorização do riff como elemento central da composição e por uma sonoridade que privilegia intensidade, textura e personalidade. Formada em 2001, a Fuzzly consolidou seu espaço dentro da cena independente brasileira com uma discografia marcada pela evolução constante. Do EP de estreia ao álbum From the Ashes (2019), o trio construiu uma identidade que mistura stoner, desert rock e psicodelia, tornando-se um dos principais representantes nacionais do estilo. A parceria de longa data com a Abraxas também ajudou a colocar o grupo na rota dos principais festivais e turnês do gênero na América do Sul. Já o Pentagram carrega uma trajetória tão influente quanto turbulenta. Apesar de existir desde 1971, a banda precisou atravessar mudanças de formação, dificuldades com gravadoras e longos períodos de inatividade até conquistar o reconhecimento que hoje possui. Obras como Relentless e a coletânea First Daze Here transformaram um grupo que permaneceu durante anos no underground em referência obrigatória para gerações de bandas como Candlemass, Cathedral e Trouble. A história de Bobby Liebling também se tornou conhecida muito além da música. O documentário Last Days Here mostrou sua luta contra a dependência química e o improvável retorno aos palcos, transformando o vocalista em um símbolo de resistência dentro do heavy metal. Mais recentemente, o lançamento de Lightning in a Bottle (2025) provou que o Pentagram ainda tinha muito a dizer, entregando um álbum que reafirmou sua relevância mais de cinquenta anos após sua fundação. A apresentação em São Paulo, portanto, reúne muito mais do que duas bandas. De um lado, uma das formações responsáveis por escrever os primeiros capítulos da história do doom metal. Do outro, um dos principais representantes do stoner rock brasileiro contemporâneo. É um encontro entre diferentes gerações do rock pesado, unidas pela mesma paixão por riffs marcantes, volume alto e pela cultura do underground.
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JEFF FERREIRA











