O meu cinema

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Este é um relato verdadeiro.

Nunca colecionei filmes: nem em DVD, nem em fitas cassete, nem virtualmente. Não me pergunte nomes de filmes nem de pessoas, sou péssimo para isso. Minha mesinha de época de criança e adolescente não tinha nenhum ícone que remetesse a algum astro hollywoodiano. Eu tinha dinossauros, bonecos e alguns robôs falsificados comprados em camelô.  Cinema, pra mim, era um passeio. Eu adorava. Independentemente do filme. Aquele fresquinho do ar-condicionado, o escurinho das luzes apagadas, os docinhos do baleiro da rua (quando era normal o cinema de rua). Enfim, todo aquele universo me cativava.

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E como um cara comum que nunca foi cinéfilo e sempre considerou um filme como algo puramente divertido pôde ter a audácia de estudar cinema?

Voltemos no tempo. Nas rodas de amigos, desde pequeno, ficava no meio mais nerd. Ao mesmo tempo em que combinava com alguns dos comportamentos, me sentia quase sempre perdido e fora do assunto. Tantos nomes, tantas referências, tantas piadas que eu não entendia. Tentei ser um nerd, mas nunca deu certo. Eu só tive dois videogames e, quando marcava de jogar nos amigos, preferia ser o narrador, aquele que animava as partidas, ao invés de pegar nos controles.

Quando o assunto era leitura, o tempo fechava. Sempre fui péssimo para ler. Sabe aquela pessoa que cita frases de escritores, poetas, dramaturgos? Não sou eu. A única coisa que eu li (muito) foram os gibis da Turma da Mônica. Fiz coleção durante anos. Com pouco mais de quinze anos, minha mãe jogou tudo fora alegando que eu estava velho demais para aquilo. Do resto, um livro aqui e outro ali, de preferência finos e ilustrados.

Como um garoto que não lê quer criar alguma história? Onde estão suas referências? Sujeitozinho do vocabulário parco.

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Enquanto uns liam, eu imaginava demais. O tempo todo. Sobre tudo. Coisas com ou sem o menor sentido. Aliado a isso, escrevia algumas delas. Sabe redação de colégio de tema livre? Todo mundo morria de medo, eu adorava, era 10 garantido, mesmo sem jamais ter aprendido nada relacionado à Gramática. Sempre fora um processo natural.

Voltando aos tempos atuais. Quando comecei a estudar cinema, de cara percebi: não tenho o perfil dessa galera. Eu poderia desistir na hora, mas não. Liguei os fatos. Nas graduações que tentei, o principal e, talvez, único motivo de incontáveis faltas foi a vontade de ir ao cinema. Ver qualquer filme, de qualquer gênero, quase todos os dias. A constante fuga da realidade, o desejo de fazer algo diferente.

Hoje, com alguns curtas-metragens já produzidos, sempre como roteirista (e qualquer outra função que fosse necessária), cheguei a uma conclusão: conhecer o Cinema Russo, saber tudo do Neorrealismo Italiano, consumir Nouvelle Vague e ser viciado em filmes nacionais não te faz um cineasta.

No meu cinema, conhecimento vem com o tempo. Você precisa de dedicação, esforço, força de vontade e um pouquinho de criatividade. Nem todo cinéfilo tem isso…

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Kadu Zargalio
Sou estudante de Cinema pela Academia Internacional de Cinema do Rio de Janeiro e de Produção Audiovisual pela Estácio de Sá. Atualmente, faço estágio na MultiRio. Trabalhei com Publicidade & Propaganda, tanto na área de Direção de Arte quanto em Redação. Em 2010, recebi 3 prêmios Colunistas com a equipe da Bloco C, grupo pertencente à Conexão Brasil Comunicação. Em 2015, fui estagiário de Direção do longa-metragem "A Glória e a Graça", produzido pela Tambellini Filmes. Pela AIC/RJ, fiz parte da equipe da comédia musical "Saudação à Melancia" e do documentário "Fantasmas da Fotografia". Como roteirista, tenho três curtas no currículo: "Maldição", filme de suspense, "Perdão", drama realizado para o Festival 72 Horas Rio - ambos produzidos pela BlackGold Produções - e "Verônica, meu último romance", realizado com amigos da Estácio de Sá.