ele andava por aí, se ajeitando ao ventos, sem se preocupar com passado ou futuro; tudo o que tinha era um presente ausente de nada, sem bolsos para guardar lembranças, sem setas para guiar seu caminho, ele seguia, uma direção infinita para que o nunca se acabasse e que todos sobrevivessem, essa era a sua missão, era o que tinha e o que podia fazer, andar pelas ruas, solitário como um cão, vazio e faminto, sem muito jeito, sem muitas palavras, sem poder parar, sem querer pensar, afinal ele era o guardião de tudo e de todos e ele tinha que prosseguir, se alguém ali tinha que continuar sua vigília era ele, que ficava ao relento, que comia sobras, que bebia a chuva, que vasculhava o lixo, que não se importava, que não tinha escolha, pois ele era o escolhido e quando tudo acabasse ele ainda iria estar ali para catar os restos, ver o que sobrou e recomeçar de novo, e renomear as coisas, e olhar em volta; quando acontecesse, ele ia sentar naquele banco da praça e olhar à sua volta, pra todo aquele horror, pro que tinha restado, e ia querer chorar, mas agora não era hora de pensar sobre isso, ele não podia parar, nem evitar, nem avisar, nem mudar o caminho das coisas; por isso caminhava, não se importava quando o evitavam, saíam de perto, sentiam seu cheiro fétido, ele era o escolhido, era isso o que importava, e ele estava lá.
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