O foco em movimento

Bem,  tem na rede vários vídeos com essas cenas, a maioria editado com música, criações do sujeito indeterminado – povo da internet. Prefiro assim, ela dançando com os narradores esportivos falando.

A Michelle Jenneke parece encarnar um espírito que é muito brasileiro. Será que herdamos isso dos australianos? A música tem que estar na nossa cabeça, pois se formos depender de que venha de fora, estamos fritos. A gente tem que dançar com alegria e ponto.

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Mas isso não herdamos da África? Dançar, se alegrar não se importando com o caos que reina ao redor. Sim, essa alegria contagiante é muito nossa, nada tem a ver com situação econômica ou política. Pois esse nosso dom – que andava latente – explodiu na abertura das Olimpíadas!

Lindo, deslumbrante, inesquecível, nós explicitamos o que somos, independentemente do que estamos vivendo no momento. São tantos e tão diferentes os nossos talentos que foi de tirar o fôlego, deixamos o mundo inteiro com a respiração suspensa. Explicamos com todo esplendor e orgulho de sermos assim, tão talentosos, que MENOS É MAIS. Sim, temos a menor pira olímpica de todos os tempos! Que máximo! Em mais uma Olimpíada, igual a tantas outras. Só que não.

Tudo novo de novo – vamos celebrar! “Nossa própria maneira de ser; Essa luz que acabou de nascer, quando aquela de trás apagou!” Fala, Moska!  Tudo novo de novo! Novas maneiras de protestar, burlando leis que não fazem sentido, porque o nosso jogo de cintura, nosso jeitinho tem um quê de inconformismo, uma maneira muito brasileira de dizer “não concordo”… sorrindo.

6 - passaportecartaz

É difícil de entender, mas a gente concentra em movimento, igualzinho a essa australiana. Viva ela! Viva a gente! A gente que é tão australiana (e eu nem sabia), é também tão africana, tem uma pitada do povo que veio da Alemanha, da Noruega e até da Rússia. Posso afirmar que nos vimos um pouco em cada uma daquelas delegações e em cada um dos milhares de atletas que estamos recebendo.

Digo isso por que tenho provas. Provas filmadas e assinadas por diretores brasileiros. Tudo documentado. Dou exemplos! Filmes como “O Quatrilho”, de Fábio Barreto, que fala da imigração italiana; além de “Corações Sujos”, de Vicente Amorim, baseado numa história verídica que aconteceu na comunidade japonesa aqui no Brasil (final da 2ª GM); “Made in China”, de Estêvão Ciavatta e com Regina Casé, se passa num mercado popular, no centro do Rio de Janeiro, dominado pelos árabes que sofrem com a concorrência dos chineses; também temos o documentário “Um Passaporte Húngaro”,  sobre a história da família da diretora Sandra Kogut que veio da Hungria. Não podemos nos esquecer de “Lavoura Arcaica”, de Luiz Fernando Carvalho, baseado no livro premiadíssimo de Raduan Nassar! Viva Raduan, viva! Olha que nome super brasileiro de origem libanesa.

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O diretor Estevão Ciavatta com o elenco chinês do filme “Made in China”

Enfim, a tal da antropofagia, o tal do movimento antropofágico de Oswaldo de Andrade, hoje tão famoso, fazemos com primor.

Bom, como o tema é a alegria criativa, finalizo com a Bahia, terra danada de boa! É com sorriso nos lábios, que eu fecho o texto de hoje com o talentoso Lázaro Ramos em “Ó Pai, Ó” cantando “É d´Oxum”. Nada podia ser mais inspirador! Depois disso você concentra em qualquer coisa, garanto!

 

Notinhas

“O foco em movimento” – é frase da minha amiga baiana Constança Scofield

Trecho do filme “Dois Filhos de Francisco”: https://www.youtube.com/watch?v=kVsGySxLWHo

Paulinho Moska – música “Tudo Novo de Novo” – https://www.youtube.com/watch?v=wic-nw6-Mg0

Letra de “Tudo Novo De Novo” – https://www.letras.mus.br/paulinho-moska/125486/

Entrevista com a Michelle Jenneke- https://www.youtube.com/watch?v=3UEWMdxdk7w

Mais danças – (rock) https://www.youtube.com/watch?v=ECQGRnaKIWg

 – https://www.youtube.com/watch?v=ie9C3QFT4kc

Antropofagia –  https://pt.wikipedia.org/wiki/Antropofagia

Movimento Antropofágico – https://pt.wikipedia.org/wiki/Movimento_antropof%C3%A1gico

 

 

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Author

Claudia Ebert
Jornalista e prioritariamente um bicho de televisão. Adoro cinema e tenho queda forte por documentários. Minha vida profissional já pairou na GloboNews, Globosat e por produtoras que faziam programas para a Globosat. Falo pouco de mim, mas escuto histórias - as interessantes! -, e prometo contá-las aqui.