Monique Houat: Em peça instigante, o desafio de interpretar outra atriz e uma assassina! Confira nossa entrevista exclusiva!

A obra questiona até que ponto uma disputa de narrativas pode desconstruir o nosso senso de realidade.

 

No dia 25 de março (5ª feira), estreia no YouTube a peça online Diva. Inspirada no cinema noir dos anos 1950, em especial em Crepúsculo dos Deuses, sua dramaturgia foi concebida durante a quarentena para o formato híbrido e é assinada por Guilherme Siman (Filhos da Pátria/Confissões de Mulheres de 50). A direção é do premiado Isaac Bernat (Prêmio Zilka Salaberry de Melhor Direção e Prêmio Botequim Cultural de Melhor Ator), que também é professor (CAL) e doutor em Teatro (UNIRIO).

Nesta curta temporada, de 5ª a domingo, o público vai conhecer a história de uma famosa atriz vivida pela atriz Monique Houat – que vai interpretar tanto a Atriz quanto uma Assassina, que se deixa envolver por disputas de narrativas virtuais e perde o contato com a realidade. O elenco conta também com os atores Izak Dahora Gabriel Vaz, que vão interpretar diversos outros personagens.

A encenação será gravada em plano-sequência com dois celulares em um cenário montado em um galpão no centro da cidade, com a direção de fotografia de Romulo Americano. Os bastidores e os profissionais da equipe de gravação e produção vão integrar o cenário em uma tradução estética da própria temática da peça.

Achar um novo formato é o desafio, o texto trabalha com essas fronteiras: o que é delírio e o que é realidade, o que é cena e o que é bastidor”, comenta o autor Guilherme Siman.

o há um compromisso com o realismo. As atuações são realistas, mas a direção tem uma liberdade completa de usar todos os códigos e mostrar os bastidores. É uma aventura em que trabalharemos a ideia de ‘nada no bolso ou nas mãos.Vamos correr riscos, aceitar a imprevisibilidade e mostrar esta ousadia para o espectador com o frescor que este gesto pode trazer”, acrescenta o diretor Isaac Bernat.

O humor e a ironia estão presentes, porém não se trata de uma sátira e nem de uma paródia. A ‘peça’ tem gênero policial, pouco comum na nossa dramaturgia, e aborda questões atuais como fake news, jogos de poder, manipulação e disputa de narrativas. As personagens são desconstruídas ao longo da narrativa, que é apresentada com recursos emprestados da literatura e do cinema como a ordem cronológica inversa e narrador não-confiável.

Diva não é uma comédia nem um drama. É uma peça curta, aguda e intrigante como um episódio de Black Mirror. Não há moral da história. Não existem heróis nem  vilões. Todas as personagens estão erradas. Uma tênue catarse. A Atriz demonstra os perigos da credulidade e a Assassina, as tentações da crueldade. Ambas são protagonistas de um mundo que devemos, a todo custo, combater.

 

ENTREVISTA COM MONIQUE HOUAT

O que é delírio? O que é realidade? A instigante peça DIVA discute temas bem atuais, como a onda de Fake News e toda essa tensão do atual momento. Confira abaixo nossa entrevista exclusiva com Monique sobre suas personagens nessa peça que é tão legal quanto os episódios da série Black Mirror!

Monique Houat. Foto: Roberto Carraco (@robertcarraco).

Artecult: No espetáculo online Diva você interpreta a atriz e a assassina. Qual foi a sua referência para criar as duas personagens? Como foi o processo de criação?

Monique: O entendimento de cada personagem é uma das partes mais importantes do processo, pois é a partir daí que é possível traçar a história de cada uma e entender seus objetivos.  A referência para construção de cada personagem foi baseada em características muito específicas encontradas em cada uma.

A atriz é irônica, bem humorada e explosiva, e está prestes a dar um salto em sua carreira artística. A assassina é culta, inteligente, debochada e com uma personalidade forte. Além de entender cada uma delas psicologicamente, também fizemos um trabalho físico para organizar corpo e voz de cada uma. Ter o Isaac Bernat (diretor) e o Guilherme Siman (autor) comigo, mesmo que à distância (tudo foi trabalhado virtualmente), no processo de criação fez toda a diferença para o resultado final.

 

ArteCult: Diva discute fake news e disputa de narrativas. Vivemos atualmente um momento em que se fala em pós-verdade e todas as publicações são questionadas. Você acha que uma peça sobre o tema contribui em que medida com este debate?

Monique: DIVA aborda temas atuais e que nos fazem pensar sobre essa onda virtual que só aumentou ainda mais com o momento que estamos vivendo. Ter uma peça que discute a disputa de narrativas e o bombardeio de notícias verdadeiras que se misturam à inúmeras fake News é intrigante, visto que isso só tende a aumentar o questionamento do espectador em relação ao que, diariamente, ele deve estar vivendo.

Acredito que esta seja uma peça necessária, instigante e que vai fazer cada um refletir com humor e ironia sobre vários temas como manipulação, disputa, jogos de poder, mundo virtual e até mesmo sobre o que um ser humano é capaz de saber quando busca uma verdade.

 

ArteCult: É a sua primeira vilã? Você prefere interpretar a vilã ou a boa moça? Porque?

Monique: Sim! Eu sou completamente apaixonada por construção de personagens. Gosto de mergulhar e entender cada descoberta durante o processo.

Gosto de personagens com camadas e que tenham uma construção interessante, seja vilã ou mocinha. Não gosto de me limitar a nenhum tipo de personagem. Gosto de desafios!

 

ArteCult: Quais são os outros trabalhos paralelos ou já programados?

Monique: Ano passado estreei no cinema com o longa metagrem “Jovens Polacas”, dirigido por Aleex Levy-Heller, dando vida à Lili das Jóias. O filme está disponível nas plataformas Net Now, Oi Play e Vivo Play.

Em meio à pandemia gravei o curta “Aquela Vizinha Desapareceu”, que está disponível no youtube, contemplado no edital da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro, dirigido remotamente pelo Isaac Bernat. Um desafio à parte feito com uma equipe super reduzida e todos os cuidados necessários.

Após o “DIVA”, gravarei um outro curta que ainda está em fase de produção e terá no elenco comigo o ator André Ramiro, e como preparadora e diretora de atores, Ana Carter.

 

Sobre MONIQUE HOUAT

Monique Houat. Foto: Robert Carraco (@robertcarraco).

Formada em Interpretação para Teatro, TV e Cinema (Escola de Atores Wolf Maya). Formanda em Bacharelado em Artes Cênicas – 2020 (CAL- Casa das Artes de Laranjeiras). Estudou teatro durante 4 anos com o diretor Daniel Herz, além de fazer oficinas de interpretação com Camilla Amado, Sérgio Penna, Antônio Amâncio e outros. Formada em piano básico pela Escola de Música Walkíria Lima, estudou dança durante 15 anos e tem formação em inglês pelo Yázigi. Atuou no filme Jovens Polacas, dir. Alex Levy-Heller, como Lili das Jóias. Atuou no curta-metragem “Aquela Vizinha Desapareceu” contemplado do Edital da SECEC-RJ No teatro, atuou em Perto do Coração Selvagem, dir. Delson Antunes; O Rinoceronte, dir. Oscar Saraiva; Boca de Ouro e Outros Bichos, dir. Flávia Pucci; A Mulher Não Existe, dir. Daniel Herz; Solidão a Dois, dir. Daniel Herz; A Louca Palavra, dir. Daniel Herz; Noite da Comédia Improvisada, dir. Raphael Ghanem, Aarhon Pinheiro e Priscila Lobo.

 

DIVA – SINOPSE

DIVA conta a história de uma atriz, conhecida pela veia cômica, que vê no papel perturbador de uma assassina a oportunidade de dar uma virada em sua carreira. Estudando sobre o caso para se preparar para o papel, a Atriz depara-se com uma história bem diferente da oficial e, mergulhando cada vez mais fundo nessa possível verdade, transforma a própria vida num thriller. Ela resolve reconstruir a narrativa do filme em que está atuando e reinventa sua personagem durante as filmagens. A cada dia ela se torna mais convicta de ser alvo de uma grande conspiração e tem sua sanidade mental questionada pelos outros personagens – mas não pelo público que acompanha as suas investigações. Há outro ponto de vista: o da própria Assassina que inspirou o filme e que, também, à sua maneira, se deixou enlouquecer e abraçar pelo mundo das teorias conspiratórias.

 

CONFIRA ALGUMAS IMAGENS DA PEÇA

 

O Diretor – ISAAC BERNAT

Foto: Reprodução Instagram

Diretor, ator e professor de interpretação da Faculdade CAL. Doutor em Teatro pela UNIRIO. Autor do livro Encontros com o griot Sotigui Kouyaté (Editora Pallas). Integrante do corpo docente do Curso de Especialização em Literatura, Arte e Pensamento Contemporâneo da PUC-RJ. Prêmio Botequim Cultural como ator por Incêndios, direção de Aderbal Freire Filho. Prêmio Zilka Salaberry, pela direção de Lili, uma História de Circo, de Lícia Manzo. Entre seus trabalhos como diretor, destacam-se: O Encontro – Malcolm X e Martin Luter King Jr, de Jeff Stetson, EU AMARELO – Carolina Maria de Jesus, de Elissandro de Aquino, o celebrado musical Deixa Clarear Por Amor ao Mundo – Um Encontro com Hanna Arendt, ambas de Marcia Zanelatto, e Calango Deu de Suzana Nascimento. Como ator seus trabalhos mais recentes são: Pá De Cal de Jô BilacAgosto de Tracy Letts, Incêndios Céus de Wajdi Mouawad, Cara de Fogo de Marius Von MayenburgMulheres Sonharam Cavalos de Daniel Veronesi Mão na Luva de Oduvaldo Vianna Filho.

 

O Autor – GUILHERME SIMAN

Foto: Reprodução Instagram

Escritor e ator, formado pela CAL (2006). Escreveu, produziu e dirigiu os espetáculos 9 Meses – Concepção Mulher sem Umbigo. Integrante daCia. Teatro de Extremos desde 2005 – na qual desempenhou diversas funções, da dramaturgia à iluminação e trilha sonora – escreveu, produziu e atuou no monólogo Queda, dirigido por Fabiano de Freitas. Assina a tradução da montagem brasileira de Agosto, peça de Tracy Letts (Pulitzer). Nas Rádios MECMultiRio, adaptou contos clássicos da literatura para radiodramaturgia, além de escrever obras autorais, algumas em gênero fantástico, explorando a linguagem específica do rádio. No audiovisual, fez parte das salas de roteiro de obras como a série E aí, comeu…?(Multishow), a comédia de época Filhos da Pátria (GloboPlay), ambas de Bruno MazzeoConfissões de Mulheres de 50 (Canal Brasil), de Domingos Oliveira, e o polêmico filme de ação O Doutrinador.

 

FICHA TÉCNICA

  • Direção Artística: ISAAC BERNAT
  • Autor: GUILHERME SIMAN
  • Direção de Fotografia: ROMULO AMERICANO
  • Elenco: MONIQUE HOUAT, IZAK DAHORA E GABRIEL VAZ
  • Cenografia: DORIS ROLLEMBERG
  • Direção Musical: CHARLES KAHN
  • Iluminação: AURÉLIO DE SIMONI
  • Figurino: BRUNA FALCÃO
  • Assessoria de Imprensa: CRISTIANA LOBO
  • Marketing Digital:  ANDRÉ MIZARELA
  • Designer Gráfico e Still: THIAGO RISTOW
  • Produção Executiva: AMANDA LIMA
  • Direção de Produção: MÔNICA VARELLA

 

SERVIÇO

DIVA

OBS: a exibição terá tradução em libras e legenda descritiva

OBS2: a equipe fará testes de Covid-19 e vai tomar todos os devidos cuidados preventivos

 

 

 

 

Faça abaixo um comentário sobre este artigo. PARTICIPE!

Comentários (utilize sua conta no Facebook):

Powered by Facebook Comments

Author

Redação ArteCult.com
Redação do Portal ArteCult.com.   Expediente: de Seg a Sex - Horário Comercial.   E-mail para Divulgação Artística: divulgacao@artecult.com.   Fundador e Editor Geral: Raphael Gomide.  

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *