“Egito Antigo – Do Cotidiano à Eternidade”: A peça mais importante da exposição revela a importância da magia no Antigo Egito

Aproveitando que está acontecendo no CCBB do Rio de Janeiro a exposição maravilhosa “Egito Antigo – Do Cotidiano à Eternidade” com várias peças do Museu de Turim, gostaria de escrever para vocês na estreia desta minha coluna aqui no ArteCult sobre a magia do Antigo Egito.

A magia ainda é um grande mistério desta riquíssima civilização antiga, apesar das milhares descobertas arqueológicas e de já termos conseguido desvendar os talismãs de muitos papiros faraônicos. Este mistério ainda envolve a natureza e a magia dos faraós, um dos maiores segredos da civilização Egípcia antiga.

Segundos os textos antigos já decifrados, a magia começou no Egito nos tempos mais remotos, cerca de 5.200 anos atrás e foi delegada pelos Deuses a uma classe específica de sacerdotes chamados de  “hub grio” em hieróglifos, que eram especializados na prática da magia, uma prática que não era um ritual de simulação.

Para influenciar as pessoas, os mágicos dos faraós alcançaram o conhecimento da ciência ou da metafísica pós-natureza, através da qual as bruxas eram capazes de controlar as forças intangíveis encontradas na natureza e nos objetos, inanimados ou vivos. 

As pessoas selecionadas para ser magos precisam passar sobre certas pré-condições para entrar nos templos e aprender as artes da magia.

Muitos papiros egípcios antigos falaram sobre transformar objetos inanimados em um organismo predador, como confirmado pela lenda das mágicas de Moisés perante o Faraó, herdadas por várias religiões. Outro texto conta que havia um pequeno crocodilo de cera na beira de uma piscina. Um sacerdote esperou um jovem entrar nela para lavar-se, jogou o crocodilo de cera na piscina, leu o talismã mágico, transformando o crocodilo de cera em um predador real e letal para o jovem, que era amante de sua esposa.

Uma das mais famosas histórias de magia veio com o papiro “Khufu e Magos“, que conta que o filho do rei Khufu procurou o mago “Jeddi“, que já tinha 100 anos de idade e morava na cidade de “Jed Snefro”,  perguntou-lhe se era capaz de decifrar a mágica e capaz de decapitar um humano ou qualquer outro. O rei pediu que ele fizesse isso na frente dele e, de fato, “Jeddi” cortou o pescoço de um ganso, jogou o corpo de um lado e a cabeça do outro.

Na história de Maniton, o Samnoudi, historiador egípcio que foi sacerdote durante o reinado do rei Ptolomeu II, cerca de 280 anos A. C. , consta que todos os faraós praticavam magia, como parte da função real no antigo Egito.

A MAGIA DE IMHOTEP

Uma das personalidades mais famosas em magia no Egito faraônico, era “Imhotep”, que alcançou tanta fama e prestígio que seu poder era comparado pelos gregos ao do Senhor da Medicina, “Asclépio”.

Imhotep era sumo-sacerdote e vizir / chanceler da corte de Djoser, Faraó da Terceira Dinastia. Ele era um inovador da arquitetura e sua obra-prima da arquitetura pirâmide de Saqqara.  

Ele era também um estadista de ponta. No Novo Reino, Imhotep se tornou uma figura sagrada na comunidade científica, tanto que que os escribas derramavam um pouco de tinta à sua frente antes de escrever qualquer livro científico. O derramamento de líquidos na frente de estátuas de Deuses e Deusas no antigo Egito era uma forma de oferta!

No Antigo Egito, o mundo astral dos faraós estava entrelaçado com o nosso mundo e não separado dele, o mundo para onde vão as almas depois da morte é a fonte de onde todas as coisas vêm e também onde estão as causas de todas as doenças. Os sacerdotes do antigo Egito tratavam os pacientes entrando em contato com este mundo. Durante a linguagem simbólica, restauravam o equilíbrio do sistema energético humano.

Os símbolos e pinturas esculpidas encontrados nos túmulos indicam claramente a existência de magia no Egito antigo e que ela era parte integrante desta grande civilização antiga. 

Um dos mágicos mais famosos do Egito faraônicos era o mágico “S-Atom”, que viveu no período final do governo. É creditado ao rei Nectanebo II, que viveu por volta de 359 aC, a preservação da famosa pintura conhecida como Metternich, que contém um dos textos mágicos que era usado ​​para o tratamento de picadas de cobra e escorpião.

ARTEFATO MÁGICO

A exposição no CCBB no Rio de janeiro inclui um grande número de peças importantes relacionadas à magia e sacerdotes, mas sem dúvida a peça mais importante é a pedra da magia:

 

Este fragmento de estátua mágica remonta ao período tardio (722-332 a.C) e é um artefato muito valioso e importante. Nós temos expostas em outros museus várias cópias que foram encontrados em lugares diferentes do Egito. Esta peça exposta no CCBB é muito importante, mas está infelizmente incompleta, encontra-se ausente uma parte importante do seu tamanho real. 

Por outro lado, felizmente nós temos peças completas no museu nacional do Egito em Cairo. A presença de uma peça completa, com todos os sinais, símbolos e talismãs, ajudou muito na identificação da função dessa pedra mágica, como era usada, as doenças que curava e as forças que poderia dar aos pacientes.

Exemplo da peça completa, a Estátua Mágica inteira exposta no Museu do Cairo

 

Outro exemplo de estátua mágica.

LIVRO DOS MORTOS

Uma das peças mais importantes também na exposição de CCBB é uma cópia da parte de um texto do Livro dos Mortos remonta ao período de (332a.C-395 d.C) em papiro e  tinta. 

A peça está em muito bom estado e é exibida em uma caixa de vidro no segundo andar.

O Livro dos Mortos é um antigo texto funerário egípcio geralmente escrito em papiro e usado desde o início do Novo Reino (por volta de 1550 aC) até cerca de 50 aC. O nome egípcio original para o texto, transliterado rw nw prt m hrw,  é traduzido como Livro da Virada para o Dia a Dia ou Livro da Viagem para a Luz. “Livro” é o termo mais próximo para descrever a coleção solta de textos que consiste em vários feitiços destinados a ajudar a jornada de uma pessoa morta através do Duat, ou submundo, até a vida após a morte e escrita por muitos sacerdotes durante um período de cerca de 1000 anos.

O Livro dos Mortos, que era colocado no caixão ou na câmara funerária do falecido, fazia parte de uma tradição de textos funerários anteriores que incluiam os Textos de Pirâmide e Textos de Caixão, que foram pintados em objetos, não escritos em papiro. Alguns dos feitiços incluídos no livro foram extraídos dessas obras mais antigas e datam do terceiro milênio aC. Outros feitiços foram compostos mais tarde na história egípcia, datando do Terceiro Período Intermediário (séculos 11 a 7 aC). Vários feitiços que compõem o Livro continuaram sendo inscritos separadamente nas paredes das sepulturas e nos sarcófagos.

Por fim,  acho que essa é uma das exposições mais importantes realizadas e trazidas pelo CCBB em toda sua história desde sua fundação há 30 anos atrás.

E é uma grande oportunidade, não só para os habitantes do Rio de Janeiro, mas para todos brasileiros, de ver uma grande coleção de artefatos egípcios antigos que remontam milhares de anos.

O  CCBB conseguiu trazer esse acervo maravilhoso para Rio de Janeiro, agora você não precisa viajar para Turim na Itália, visitar o Museu Egípcio ou viajar para o Cairo e ver Museu Nacional Egípcio.

Muito obrigado CCBB …muito obrigado mesmo

 

Explicação da cena do Livro dos Mortos

Esta cena detalhada, do Papiro de Hunefer (c. 1275 AEC), mostra o coração do escriba Hunefer sendo pesado na balança de Maat contra a pena da verdade, pelos Anúbis com cabeça de chacal. O Thoth, de cabeça ibis, escriba dos deuses, registra o resultado. Se seu coração é igual ao peso da pena, Hunefer pode passar para a vida após a morte. Caso contrário, ele é comido pela criatura devoradora quimérica Ammit, composta pelo crocodilo mortal, leão e hipopótamo. Vinhetas como essas eram uma ilustração comum nos livros egípcios dos mortos.

 

Prof.Dr.Ayman Esmandar

 

 

SERVIÇO

Egito Antigo: do cotidiano à eternidade

  • Onde: CCBB. Rua Primeiro de Março, 66 Centro
  • Quando: até 27/01/20, quarta a segunda, das 9h às 21h
  • Entrada gratuita
  • Classificação livre

 

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