
O gênero de terror é, por natureza, um campo fértil para metáforas sociais e explorações psicológicas. De tempos em tempos, surgem obras que apostam em premissas tão curiosas que é impossível ignorar. É o caso de “Dolly, a Boneca Maldita”, que chega aos cinemas no dia 7 de maio. O longa apresenta um conceito mega interessante, mas que, infelizmente, parece “morrer na praia” vítima de um ritmo que não sustenta a própria urgência.
A trama parte de um clichê clássico que todo fã de terror conhece (e adora questionar): um casal decide acampar “no meio do nada”, completamente sozinhos. Como publicitário e analista de cultura pop, sempre brinco que a primeira regra de sobrevivência seria evitar o isolamento geográfico, mas é justamente essa vulnerabilidade que dá o tom da perseguição que se segue.
O casal passa a ser caçado por uma mulher psicopata que utiliza uma máscara de boneca de porcelana. O subtexto aqui é o que realmente brilha: devido a uma infância traumática, a antagonista decide projetar suas dores transformando adultos em suas “bonecas” vivas. O problema, claro, é contrariar as regras dessa brincadeira macabra.
Tecnicamente, o filme é uma carta de amor aos longas de terror dos anos 70. A fotografia e a sonoplastia referenciam diretamente os clássicos daquela década, o que traz uma camada de nostalgia interessante para os entusiastas do gênero.
Entretanto, há um paradoxo na obra: mesmo com apenas 83 minutos de duração — um tempo curto para os padrões atuais —, o filme consegue parecer arrastado. Falta fôlego na escalada da tensão, o que pode dispersar o público mais acostumado com o ritmo frenético do terror moderno.

Veredito
Para quem é esse filme? Se você é fã de obras como “Pânico na Floresta” ou aprecia slashers que focam na atmosfera de isolamento e perseguição implacável, “Dolly” possivelmente vai te entregar o entretenimento necessário. É uma jornada reflexiva sobre trauma e abandono, envolta em uma roupagem de boneca de porcelana que, embora bonita, é extremamente frágil em seu ritmo.
Dolly, a Boneca Maldita estreia no dia 7 de maio nos cinemas.

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